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Os motociclistas Alexandre, Geraldo, Lasareno e Cezar percorrem a patagônia em 4 motocicletas 250 cc em uma Viagem ao Fim do Mundo. Confira o quinto dia da viagem:
Dia 3 de dezembro de 2007 - 25 de Mayo - Bariloche - 755 km
Caímos na estrada perto das 9 horas, seguimos pela Ruta 151, até próximo de Neuquén, aonde pegamos a ruta regional 7 e logo após a 17, percorrendo o Vale do Anelo, uma grande região agrícola, que sobrevive com a irrigação pelas águas canalizadas do Rio Neuquén, pois na região não chove.È grande a produção de uvas, cerejas e frutas finas em geral, pois o clima seco e ensolarado, estações bem definidas e a irrigação resultam em bons frutos.
Chamou nossa atenção que todas as lavouras precisam de quebra ventos, grandes linhas de arvores altas, parecidos com Ciprestes, que evitam a ação do destrutivo vento.Aonde não havia estes quebra ventos, grandes nuvens de poeira cruzavam a pista. Este clima seco ajudou a preservar os fósseis dos dinossauros que antigamente habitavam a região, e a partir daqui é comum nas cidades, encontrar museus dedicados a guardar os restos fósseis, que são encontrados no campos Patagônios.
Sair para a estrada mais tarde é uma péssima idéia nestas regiões austrais, pois o dia normalmente começa com calmaria, mas conforme avança o dia, o vento aumenta muito, chegando fácil aos 60 Km/h no meio da tarde. Nossos primeiros contatos com o vento foram de reeducação, pois além de termos de saber andar na sua presença, temos que estar prontos para as rajadas, vales e morros, onde o vento é cortado ou aumentado. Até o fato de ter ou não ter guard-rail, e a passagem de outros veículos, provocava grandes mudanças na velocidade do vento, o que nos fazia ir de um lado para o outro da pista, e até invadir o acostamento, normalmente de rípio.
Cerca de 15 horas, chegamos em Zapala, onde finalmente atingimos a Ruta 40, um dos nossos objetivos, esta estrada monumento equivale no Brasil a Estrada Rio Branco-AC à Campo Grande-MS, percorrendo de norte a sul da Argentina, próximo ao seu limite com o Chile. Almoçamos em Zapala e pegamos a Ruta 40 perto das 16 horas, péssima idéia, os intensos ventos, que antes eram de frente na Ruta 22, agora passaram a ser laterais. Quando fazíamos algum contorno de montanha, em que a estrada virava e o vento passava a ser a favor, parecia que estávamos parados, mesmo andando a 80 km/h, a velocidade do vento se igualava a nossa e não sentíamos a pressão normal contra o capacete e braços, apenas a paisagem que passava.
Embora fossem apenas 350 km até San Carlos de Bariloche, estes primeiro contato com a Ruta 40 foi impressionante. Pois esta estrada vai de um vale para o outro, hora percorrendo o fundo de vales com lagos e rios, hora subindo ao topo do planalto e cruzando o deserto até o próximo vale. Nos topos o vento e o frio eram intensos. Encontramos com uma nuvem de chuva e paramos nos primeiros pingos para colocar a capa de chuva, que também ajudou a diminuir o frio. Mas no tempo que ficamos parados a nuvem passou e encontramos apenas a pista molhada, o que aumentou a sensação do frio.
Um pouco antes do trevo para Junin de Los Andes, topamos com um motociclista empenhado a beira da estrada com uma velha Super Teneré, ele montara a barraca para se abrigar do vento enquanto aguardava o retorno de sua filha, que fora até Junin para buscar socorro, após algumas explicações e a impossibilidade de ajudá-lo, seguimos viagem, alguns km depois encontramos a camionete de socorro do Automóvel Clube Argentino vindo para buscá-lo. Mesmo assim a situação do colega não seria fácil, pois ali no interior seria difícil achar quem tivesse conhecimento para desmontar e localizar o defeito em uma moto complexa como a Super Teneré, por isso da minha opção por motos mais simples e novas.
Conforme vamos nos aproximando de Bariloche, a paisagem começa e ficar cada vez mais agradável, saímos do deserto e passamos para a região da Cordilheira dos Andes, onde há um regime regular de chuvas. Em Confluência começa a anoitecer, mas estamos a poucos km de nosso objetivo, agora abrigados do vento pelas montanhas, pois a estrada segue por um vale profundo. Chegamos em Bariloche quase 22 horas, mas ainda não anoiteceu, encostamos no posto Petrobrás próximo ao centro, tremendo de frio, é como se tivéssemos entrado em uma geladeira, a temperatura não passava de 5 graus, abastecemos e pedimos uma dica de Hostel, desta vez acertamos de primeira, quase em frente ao posto, também era uma segunda feira, o que facilita as coisas.
O turismo interno na Argentina está indo muito bem, crescendo a 10% ou mais por ano, e por conta disso a rede hoteleira e de camping está sempre ocupada, dificultando a vida dos viajantes, principalmente nos fins de semana. Mas neste dia foi fácil, ali no TangoIn Hostel, tínhamos quarto com aquecimento, banho quente, e calor humano. Saímos para jantar, andamos apenas 1 quadra, tomamos cerveja Warfteiner, marca local, e comemos massa.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Bariloche-EX-Argentina Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 03/12/2007
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