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Os motociclistas Alexandre, Geraldo, Lasareno e Cezar percorrem a patagônia em 4 motocicletas 250 cc em uma Viagem ao Fim do Mundo. Confira o sétimo dia da viagem:
Dia 5 de dezembro de 2007- Bariloche - Chaiten - 532 km, 193 sem pavimento
Saímos cedo do hotel, antes da hora do café tínhamos as motos carregadas. Após nos protegermos bem do frio, pegamos a estrada em direção a Esquel. Dois paulistas que estavam no mesmo hotel viajando de Ford Fiesta, foram pelo mesmo caminho e nas paradas falavam que sentiam frio por nós de tanto frio que tem naquela região, mesmo sendo verão.
Nesta viagem descobri que o Lasareno é acostumado com o café da manhã, embora para mim e para o Geraldo tanto faz ter ou não ter, para o Lasareno é importantíssima esta refeição. Viciado na ração de cafeína.Para compensar o frio, belas paisagens por todo o caminho, muitas flores e a neve no topo das montanhas.A partir do paralelo 42, o preço da gasolina abaixa cerca de 40 %, um incentivo do governo para o turismo interno, muito bom também para nós, que viemos do Brasil.
A viagem segue tranqüila até Esquel, da onde tomamos a Ruta 259 para Futaleufú no lado Chileno. Um pouco antes de Esquel encontramos com El Cuco, um Argentino de Buenos Aires, que fazia o mesmo caminho que nós em direção ao Chile, viajando com uma antiguíssima Suzuki 600 de 4 cilindros, uma moto grande e pesada. Desencontramos-nos quando ele foi fazer câmbio, enquanto nós fomos direto rumo a aduana, deixando para fazer câmbio no Chile, pois tínhamos dólares. Chegando a fronteira começa o rípio, a estrada de chão, existe muito exagero sobre o rípio, que não é tão ruim como comentam.
È preciso entender algumas características da Patagônia e Cordilheira dos Andes. O rípio é um material que existe em grande quantidade na região, são pedras redondas, parecidas com pedra de rio, mas um pouco mais áspera, seu tamanho varia muito de acordo com a jazida da onde é extraída, na maior parte dos caminhos que passamos não era mais grossa que 3 cm, muito similar aos caminhos do interior nas regiões serranas do Brasil, mas com a vantagem que não tem barro, mesmo com chuva quase não tem atoleiros.
Em alguns poucos lugares encontramos rípios mais grossos, do tamanho de uma bola de tênis, mas apenas 30 km em toda viagem, e geralmente quando estavam em obras de aterramento, ou em locais que a água dos rios, em dias de chuva, cobre a pista. O medo dos motociclistas em relação ao rípio tem mais haver com as motos que querem utilizar em suas viagens, é muito fácil dominar uma XTZ250 no rípio, infinitamente mais fácil que uma GS1200, no barro da Amazônia o contraste seria ainda maior em favor da XTZ250. Motos grandes têm potência e algum conforto adicional, mas não são as mais indicadas para os difíceis caminhos que existem pela América do Sul, a não ser que se esteja disposto a evitar as partes mais difíceis.
Se imagine numa estrada de rípio, com vento de 60 km por hora lateral, em cima de uma pequena e ágil XTZ250, agora tente o mesmo com uma Suzuki Vstromg, a moto pesa o dobro, além de ser bem grande, mais difícil nas manobras rápidas.
Resultado: embora muitos relatos que nos chegaram sobre viagens a patagônia falassem sobre tombos na estradas de rípio, não tivemos esta experiência, a passagem pelo rípio foi muito tranqüila em toda a viagem, as motos só caíram algumas vezes estacionadas, por afundamento do pezinho lateral, ou algum golpe de vento que as vezes trocava de repente de direção. Eu, para evitar estes golpes de vento a traição, passei a estacionar encostando a motos em paredes de casas e nos postes, quando não era possível, encostava em outra moto e amarrava uma na outra com um elástico, e deixa o vento assobiar.
Na saída da Argentina fizemos a aduana tranquilamente, inclusive o guarda nos fez um documento que só serve para o caso da motocicleta voltar para o Mercosul por transportador, um termo de exportação temporária das motos para fora do Mercosul, só que este documento não é preciso para os que viajam pela estrada pilotando, pois podemos voltar ao Mercosul a qualquer momento, sem tramites para o veículo, e o guarda ficou um tempão produzindo um documento para cada moto, excesso de zelo, prova de quanto eles gostam de nós por aqui. Nos 10 km que separam a aduana Argentina da Chilena o Lasareno perdeu os documentos, se apalpou todos os bolsos, e como não achou nada, voltou pelo caminho e achou na beira da estrada.
Todos os trâmites aduaneiros resolvidos seguimos nosso caminho. A partir de Futaleufú, descemos os Andes no lado Chileno até o nível do mar em Villa Santa Lucia, no cruzamento com a estrada monumento Ruta 7 Chilena, mais conhecida como Careteira Austral. Embora ainda seja uma estrada em construção, que pretende ligar por terra todo o sul do Chile, deve levar mais 10 anos para ser concluída, mas é possível circular com tranqüilidade entre Chaitén e Chile Chico.
Diferentemente da Argentina, a região do Chile que percorremos é muito úmida e com centenas de rios e riachos, muitos lagos e glaciares nos topos das montanhas. Isto se deve principalmente a filtragem que a cordilheira faz, na umidade que o vento carrega do Oceano Pacifico. Em seu caminho oeste leste, o vento carrega a umidade do oceano, mas quando atinge a cordilheira, e precisa subir para as camadas mais frias, esta umidade é precipitada como neve ou chuva, alimentando o ecossistema continuamente.
Os Argentinos tem um entendimento sobre a fronteira, que sempre que a água de uma região fluir em direção ao atlântico, esta região é território Argentino, o problema começa em regiões que tem lagos que deságuam para os dois oceanos, como o Lago Buenos Aires, Lago San Martin, Laguna Del Disierto, os campos de glaciares, etc... Por conta disso, Chilenos não gostam muito de Argentinos e vice versa, mas ambos os lados são amistosos quando dizíamos que éramos Gaúchos do Brasil. Com largos sorrisos, pois dos dois lados da fronteira, a palavra Gaúcho caracteriza a pessoa que anda a cavalo, nas lidas de criar gado, tudo a ver conosco e nossos cavalos de aço.
A maioria dos viajantes acampa ao longo da Carreteira Austral, mas como César e Lasareno vieram com poucos recursos para acampar, deixaríamos esta opção apenas para um caso de emergência, por isso a partir de Villa Santa Lucia optamos em tomar rumo norte até Chaitén, onde haveriam hotéis, são 57 km de rípio mais 20 km de asfalto fora da rota, mas uma cama quente compensa. Ao passarmos uma serrinha logo após porto Cárdenas, começou uma chuva fina, que nos acompanhou até Chaitén. No começo do asfalto havia uma indicação de banhos termais, entramos para conhecer e encontramos mais locais para acampamento, o camping é a prática mais comum de turismo na região.
Chegamos em Chaitén, um porto a beira mar, e conseguimos um agradável alojamiento de frente para o mar, lindo demais, pena que chovia. Os dias na carreteira austral foram os únicos dias em que pegamos chuva nesta viagem, provando a fama da região de ser chuvosa, exigindo paciência para poder apreciar suas belezas. Após o banho, uma caminhada pela cidade, e achamos um agradável restaurante, muito rústico, administrado por descendentes de índios locais, onde comemos um delicioso salmão com arroz e saladas. Além de algumas cervejas.
Choveu a noite toda, imaginem a situação do motociclista El Cuco, que optou por acampar, seguindo rumo sul após Villa Santa Lucia. Os Chilenos não cortaram o zero, por isso tudo é vendido na base de centenas ou milhares de pesos, um dólar está valendo entre 450 e 490 pesos chilenos. Um litro de gasolina custa entre 700 e 900 pesos chilenos.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Chaiten-EX-Argentina Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 05/12/2007
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