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Os motociclistas Alexandre, Geraldo, Lasareno e Cezar percorrem a patagônia em 4 motocicletas 250 cc em uma Viagem ao Fim do Mundo. Confira o nono dia da viagem:
Dia 7 de dezembro de 2007 - Coihayque - Bajo Caracoles - 384 km, 79 sem pavimento
Acordamos cedo, Lasareno providenciou uma garrafa térmica com água quente e café em pó, para não faltar sua ração de cafeína, e às 6 horas estávamos na estrada. Neste trecho a Carreteira Austral se afasta do litoral e percorre as partes mais altas das montanhas, toda asfaltada até as margens do Lago Buenos Aires, que embora seja um lago único tem um nome em cada país, do lado Chileno se chama Lago General Carrera.
Na saída da cidade, parada em uma placa para fotos, e na hora de sair, o Geraldo fica por último e sua moto atola na beira da rodovia molhada e começa a ir para trás descendo o barranco. Ele consegue se safar derrubando a moto no chão devagarzinho e puxando a roda traseira para a pista, para depois levantar a moto novamente. Quando ele nos alcança novamente, questiona o companheirismo, quem vai a frente cuida de quem está logo atrás, que vergonha, serviu de alerta ao grupo.
Em Piedra El Conde, quando parei para admirar uma bela paisagem, César vinha muito próximo e me atropelou, vindo a cair, nada grave, pois estava bem protegido e em baixa velocidade, depois desta desatenção, fiquei mais esperto ao andar na sua frente, pois ele quase me acertou mais algumas vezes. O problema não é para quem vai a frente, este não cai, quem cai é a moto que vem atrás, pois ao tocar sua roda dianteira na outra moto, se perde o controle da frente da moto. É muito difícil tocar a roda dianteira em outra moto e não cair, quem anda de bicicleta sabe bem como isso funciona.
Ao chegarmos em Porto Engenheiro Ibáñez, tínhamos opção de ir por 3 caminhos, continuar pela Carreteira Austral contornando o Lago até Chile Chico por estrada de chão, ir pra Perito Moreno na Argentina por estrada de chão, ou a opção que fizemos, atravessar o Lago de barco até Chile Chico e seguir a partir dali por asfalto até Perito Moreno. Chegamos no barco uma hora antes do horário, mas o embarque de uma carreta gerou um grande atraso, tanto na entrada como na saída do barco, no total gastamos 6 horas, mas não fizemos nem um km de estrada de chão e foi interessante para conviver um pouco mais com o Chilenos e seus costumes.
Na travessia deste lago de água doce, de um cor azul profunda, o segundo maior da América do Sul, pegamos fortes ventos de frente, com grandes ondas lavando o convés e consequentemente nossas motos. Na fronteira encontramos com El Cuco, que nos contou sua viagem, passamos a fronteira juntos e depois seguimos em frente, já que ele iria pernoitar por ali. Na chegada em Perito Moreno, abastecemos e trocamos o óleo de todas as motos, na hora de voltar a estrada erramos a direção, pois a saída para a Ruta 40 era por dentro da cidade, e não pela ruta regional 43, que havíamos utilizado até ali. Após 25 km de caminho errado, voltamos, abastecemos de novo, e tomamos a direção certa.
Neste trecho nos preparamos com 15 litros de reserva em cada moto, pois não era garantido que haveria combustível em Bajo Caracoles, neste caso seriam 500 km sem combustível até Três lagos. Os primeiros 50 km da Ruta 40 saindo de Perito estavam asfaltados, a partir dali começa a estrada de rípio, que em muitos trechos está em obras para colocação do asfalto. Para marcar presença, o forte vento da tarde mostrou sua cara, nos castigando nos trechos mais altos da estrada. Percebemos que quanto mais limpo o céu, mais forte e mais cedo começa este vento, dias nublados tinham pouco vento e quando tinha começava no fim da tarde.
Chegamos bem em Bajos Caracoles e nos hospedamos por lá, embora um pouco caro, é a única opção para quem vai tentar a travessia da Ruta 40 em direção sul, El Chaltén num único dia, senão o viajante é obrigado a fazer a viagem em 2 dias e pernoitar em Gobernador Gregores. Para nossa tranqüilidade havia combustível, seriam então apenas 380 km até o posto em Três Lagos ou 520 em El Chaltén, tínhamos o combustível necessário.
Um bom jantar com um caldo de lentilhas, batatas e carne, e algumas cervejas Quilmes fizeram a alegria do fim do dia deste viajante.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Bajo Caracoles-EX-EX Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 07/12/2007
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