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Os motociclistas Alexandre, Geraldo, Lasareno e Cezar percorrem a patagônia em 4 motocicletas 250 cc em uma Viagem ao Fim do Mundo. Confira o decimo terceiro dia da viagem:
Dia 11 de dezembro de 2007 - Punta Arenas - Ushuaia - 499 km, 170 sem pavimento.
Chuviscava quando saímos do hotel e seguimos até o porto para tomar a balsa, fomos alguns dos primeiros a embarcar. Na seqüência chegaram dois italianos em viagem de motos com duas Honda Transalp, mas tinham cara de poucos amigos e não quiseram conversa. E quase na hora de zarpar chegaram Bil de Honda Falcon e Tim de Yamaha XT600, ajudei a prender suas motos. Bil é bastante falante e arranha um espanhol razoável, facilitando a comunicação, contamos sobre nossas viagens e os lugares por onde passamos. Eles vem dos EUA, alugaram as motos em Santiago. Nos EUA eles não tem motos, por isso não tem muita experiência em viagens, mas estão gostando muito da experiência.
Trabalham como pilotos de avião de pequeno porte, como o Embraer Brasília, mas no momento pediram afastamento do trabalho para poderem ficar alguns meses aqui na América do Sul. As motos estão alugadas por 45 dias, e pretendem além de ir até o Ushuaia, subir até Foz do Iguaçu, após Salar de Uyuni e regressar a Santiago, para devolverem as motos. Na chegada no porto em Porvenir, eles estão com problemas na corrente da moto da XT600, que não aceita mais regulagem precisando urgentemente de uma relação nova. Faço um quebra galho na regulagem, para ele conseguir chegar no Ushuaia, onde poderia comprar uma relação nova.
Então seguimos todos juntos em direção a Rio Grande. Na saída de Porvenir, é possível tomar o caminho do litoral ou pela estrada do ouro, que percorre uma parte do interior da ilha, onde existiam antigas minas de ouro. Um dos motivos que a ilha esta dividida ao meio. Tomamos o caminho do ouro e podemos ver que saímos do continente para a ilha, mas a vegetação no interior da ilha continua a mesma da patagônia Argentina. Algumas subidas e descidas, e algumas pontes precárias, cerca de 50 km depois de Porvenir a estrada se junta com aquela que segue pelo litoral. Mais plana e reta.
Próximo ao fim da manhã, chegamos ao posto de fronteira em San Sebastián. Fizemos o trâmites normalmente e passamos do Chile de volta para a Argentina, uma aduana está da outra cerca de 15 km, nossos amigos americanos estão com problemas na documentação e ficam para trás, nos despedimos e seguimos em frente. No primeiro posto do lado Argentino a gasolina está em falta, seguimos 82 km até Rio Grande onde achamos o combustível.
Todo o caminho do lado argentino da ilha está asfalto, enquanto do lado Chileno é tudo rípio. Como os Argentinos são obrigados a passar por ali com suas volumosas cargas de mantimentos para o porto do Ushuaia, é provável que os Chilenos vão castigar muito dos Argentinos antes de asfaltar seu lado da ilha. Fizemos um lanche em Rio Grande e abastecemos, ainda é preciso rodar 220 km até a cidade e mais 35 até a Baia Lapataia, nosso objetivo final, o Fim do Mundo, ou melhor, o fim da Ruta 3, o fim da estrada.
Na chegada no Ushuaia, uma agradável surpresa, um guarda sai de seu posto de controle e para no meio da estrada, nos faz sinal para pararmos e fala:
- Bem vindos ao Ushuaia, tenham uma boa estada.
E nos libera para seguirmos, embora o dia tivesse ficado cinzento e com algumas pancadas de garoa, isso nos deu novo ânimo para seguirmos, abastecemos e rodamos os poucos km que faltavam para a Baia Lapataia por uma estradinha de chão batido dentro do parque de conservação.
Ushuaia fica no canal de Beagle, que faz concorrência com o Estreito de Magalhães pelas cargas comerciais, sendo o Ushuaia o principal porto do Canal de Beagle, e Punta Arenas o principal porto do Estreito de Magalhães. Por questões históricas, os países tem preferência por um ou outro porto, Ingleses por exemplo preferem Punta Arenas.
No parque fazemos a famosa foto na placa e retornamos a cidade debaixo de pancadas intermitentes de garoa fina, como existem cadeias de montanhas em volta do Canal de Beagle, ele está bem abrigado dos ventos. Achamos um bom hostel próximo a entrada do aeroporto, foi indicação de um motociclista de uma oficina, que também ajudou com duas viseiras usadas para arrumarmos o capacete do César, que finalmente pode tirar aquela proteção de plástico.
Tomamos um táxi e fomos jantar no centro, eu comi um caldo de Centoulas e Mariscos, enquanto os demais optaram por Trutas e Salmão. A Centoula é como um grande Caranguejo, mais um menos 1 metro de ponta a ponta das pernas, e sua carne é muito valorizada por aqui.
Na volta ao hotel, uma experiência única, o céu havia limpado e era possível ver a luz da meia noite, pois nesta época do ano, não chega a ficar completamente escuro no horizonte, mesmo na madrugada há uma luminosidade no horizonte, pois o sol está brilhando 24 horas do dia sobre a Antártida.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Ushuaia-EX-Argentina Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 11/12/2007
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