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Alexandre Sampaio e Lasareno Cardoso realizam uma motoviagem pelo sul da América do Sul, de 26 de novembro a 13 de dezembro de 2007. Alexandre e Douglas trocam email sobre a experiência de uma viagem :
Douglas - Olá Alexandre, gostei muito do seu texto e das fotos. Creio que você havia me dito anteriormente que já conhecia Ushuaia de outras viagens, não?? De qualquer forma, nenhuma viagem é igual às anteriores. Gostaria de saber se você seguiu pela estrada que contorna a Bahia Inútil ou se seguiu por dentro, via Lavadero??
Como estava o rípio desse trecho, suportável para veículo comum? Pergunto-lhe, pois o trecho usual, via Cerro Sombrero, está eternamente destruído pelo fluxo de caminhões argentinos. Quanto ao seu comentário, é verdade: os chilenos não vão asfaltar esse trecho tão cedo. Os argentinos também fazem a mesma sacanagem com os chilenos no oeste da Província de Santa Cruz, que conecta à isolada Região de Aysén, de onde acabo de chegar. Em geral, os argentinos são sempre os últimos em asfaltar os trechos fronteiriços.
Claro, eles não se sentem isolados, isso é problema dos chilenos que convivem com a muralha chamada Cordilheira dos Andes. Só que na Terra do Fogo a coisa muda de figura: ali são os argentinos que estão isolados. É a velha estória: pimenta nos olhos dos outros não arde. Uma merda essas richas bairristas sulamericanas.
Esta estória da existência de ouro na Terra do Fogo ouvi de um cidadão magalhânico de origem croata, quando estive em Punta Arenas, em março/abril de 2007.
Alexandre Fomos por Lavadero, a chamada estrada do ouro, no anexo tem o registro de GPS para o google Hearth, onde pode ver bem o roteiro. È um caminho de serra, com muitas curvas, subidas e decidas.
Bem onde está marcado Lavadero no mapa, tem algumas ruinas e uma ponte em estado precário, veja foto em anexo, só é possível para motos e carros bem leves, senão o negócio é passar por dentro do rio, onde é preciso um quatro por quatro. No inverno a estrada fica interditada devido as nevascas.
O problema de vir por Porvenir, é que a balsa de Punta Arenas só faz a travessia uma vez por dia, de manhã, 5 vezes por semana.
A estrada está mais ou menos, em alguns lugares estão alargando e por isso tem possibilidade de atoleiro se chover, pois não tem ripio, eu passaria de carro por ali, mas não é o caminho mais tranquilo, pois um motorista com pouco experiência tem muitos lugares para atolar.
Na volta passei por Cerro Sombrero, e não estava ruim, tinha bastante movimento de caminhões, mas a estrada estava boa, sem buracos, inclusive aqueles 24 km para chegar do cruzamento até a balsa para Punta Delgada, estão asfaltados. E a balsa faz várias travessias por dia.
Alguns motoristas de automóveis, que não querem pegar a poeira dos caminhões, vão por China Creek.
Douglas É óbvio que os ingleses vão preferir o porto de Punta Arenas. Afinal, há ligação marítima com as Falklands para o transporte de produtos importados pelo Governo das Ilhas, coisa que os argentinos certamente não permitiriam, em virtude da histórica reivindicação de soberania. Outro tema interessantíssimo que provoca nossa reflexão nesses rincões da América da Sul.
A falta de gasolina nos postos argentinos já está se tornando piada de mal gosto. Quando retornava ao Brasil, há duas semanas, no dia em que fazia o trajeto San Andres de Giles (BsAs) a Oberá (Misiones), parei em Santo Tomé (Corrientes), fronteira com São Borja/RS, para abastecer: simplesmente não havia gasolina. Disse-me o frentista que a culpa era dos brasileiros, que cruzavam a fronteira diariamente para comprar a gasolina mais barata deles. Qual será a desculpa argentina aí no Paso San Sebastián??
Na certa a culpa será dos magallánicos (chilenos) que estão fazendo o mesmo... Esse peronismo histórico incrustrado na alma argentina não tem jeito !! Eles nunca ouviram falar em expansão do mercado interno, aumento de demanda, crescimento sustentado da economia, etc... São estáticos e estatizantes em seu modo de pensar. Por sorte eu tinha 40 litros em galão, comprados ainda quando estava no Chile. Não fiquei sem gasolina na patagonia austral chilena inteira, mas consegui viver essa experiência em plena Pcia. de Corrientes. É brincadeira...
Alexandre A história da Gasolina ainda tem mais um detalhe, nos postos da YPF (do governo) a menos de 100 km da fronteira, a ordem é cobrar 1 peso a mais por litro de carros com placa de fora da Argentina. Por isso só abasteciamos em postos Petrobrás, Texaco, Repsol, nas regiões de divisa.
Está política de combustíveis, ante turismo está equivocada, e a falta de abastecimento está prejudicando o próprio país. Em várias cidades no meio do país, encontramos postos sem o combustível ou com filas aguardando o caminhão tanque descarregar o produto. Quem ganha com isso ? Será que eles não estavam preparados para o próprio crescimento econômico?
Quer dizer que o BIENVENIDO do policial fueguino lhe deu ânimo?? Se fosse um policial entreriano ou misionero, iria lhe causar pânimo, isso sim!! O código de ética dos patagônicos argentinos é superior aos irmãos das províncias do norte. Será culpa do calor, he he he...??
Legal mesmo deve ter sido ver a luminosidade no horizonte, durante a madrugada de Punta Arenas.
A propósito: você que esteve no Chile e na Argentina, o que me diz das opiniões contidas nesses textos que subi em minha página do FLICKR?? Veja em http://www.flickr.com/photos/thejourney1972/
Sobre os textos, me parecem muito corretos e refletem a realidade que encontrei.
O Chileno tem estes traços de humildade, nobreza e boa recepção. O Argentino, é um povo orgulhoso, altivo.
Temos um ditado aqui na região, "Um grande negócio é comprar um Argentino pelo que vale, e vende-lo pelo que diz que vale."
Douglas Para finalizar, uma pergunta: Argentina ou Chile? Parabéns pela travessia !! Grato por compartir o material.
Alexandre Não é fácil comparar os diferentes, Chile e Argentina tem seus méritos.
Pessoalmente gosto muito dos Chilenos e fiz bons amigos por lá, mas é muito mais simpática uma mulher Argentina que uma mulher Chilena. Por outro lado, seria melhor ter um acidente no Chile, seria melhor assistido.
Difícil eleger um dos países, ainda farei muitas viagens por esta América do Sul, e se fosse escolher outro lugar para morar, seria no Peru ou na Bolivia. Se fosse escolher onde trabalhar e obter sucesso profissional, seria no Chile. Mas se fosse para ficar em um lugar parecido com o Rio Grande do Sul, seria a Argentina. Por isso não posso escolher nenhum, prefiro desfrutar o melhor de todos.
Douglas Alexandre. Excelente seu ponto de vista sobre o valor dos diversos estados sulamericanos. Minha pergunta foi pura provocação para instigar sua manifestação. Cada povo tem seu valor; nenhuma nação é melhor do que outra, em termos absolutos. As diferenças contam sempre a favor.
Você, com seu modo de pensar, é um integrador, pois sabe valorar o que há de positivo em cada lugar que visita. Esse, o sentido real do ato de viajar. Sinta-se à vontade para publicar o trecho que achar pertinente das minhas afirmações. Ratifico tudo que disse, pois também aprecio o dissenso, a diferença, a diversidade da nossa América do Sul. Ainda me falta um longo caminho para conhecê-la tanto como você.
Um abraço.
Douglas Fernandes (Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil) fernandes.douglas@gmail.com
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Porvenier-EX-EX Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 07/02/2008
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