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De 17 de dezembro de 2005 a 14 de janeiro de 2006 Alexandre Sampaio e seus amigos viajam pelo coração da América do Sul, rumo ao Caribe. Confira como foi o 8° dia de viagem contado pelo aventureiro:
8º Dia - 24 de dezembro de 2005 - Moraes Almeida - Trevo da Transamazônica -291 km de estrada chão
Moraes Almeida, amanheceu sem chuva, mas nublado. A rotina de atar a carga na moto é o momento de preparar o espírito para mais um dia de luta contra a BR 163 e o barro. O tempo foi inclemente, com garoa, chuvinha, temporal e tudo o que já havíamos provado nos dias anteriores. Achamos mais caminhões empenhados pelo caminho e um ônibus capotado.
No liso a moto fica com vida própria, não obedece aos comandos e exige que utilizemos os pés como esquis laterais para evitar o tombo. Em alguns trechos é possível sair do liso e andar na lateral que mesmo mais embarrado não é tão escorregadio. Os pneus SH31 mostraram suas qualidades neste terreno difícil, pois tem um desenho que não retém o barro.
Uns Kms antes de Trairão, o Geraldo desaparece na retaguarda, volto alguns Kms e encontro-o com o pneu traseiro furado, fizemos o concerto nós mesmos na estrada.Chegamos a Trairão e caiu um temporal. Encostamos num restaurante e comemos o prato da casa, já eram 16h. Após a chuva seguimos viagem até Campo Verde, também conhecida como km 30. Faltando 25 km para chegar ao trevo com a Transamazônica, BR230, encontramos um trecho que foi asfaltado por FHC. Transamazônica e BR163, neste trecho as duas estradas são uma só.
Eram quase 18h quando chegamos e optamos por ficar por lá, no dormitório da Gaúcha, propriedade de Dona Maria que vive ali com dois filhos há 20 anos. Embora a simplicidade do local a simpatia de Dona Maria contamina, ela faz um chimarrão, o segundo da viagem. Os quartos são cheios de frestas, mas os mosquitos não incomodam. O problema são as pulgas que não deram descanso a noite toda.
Um baile organizado na Palhoça do Negão, ali perto, toca música alta durante toda a noite. Dona Maria nos prepara uma agradável e gostosa Ceia de Natal, com arroz, feijão, carne de gado e de porco na panela acompanhado de salada e água. Como não estaca com vontade de ir ao baile, fui dormir cedo. Coloquei os abafadores de ruído para a música não incomodar tanto.
Nesta parada percebi que a corrente tinha mais folga do que deveria, no elo da emenda. Sorte que o Remi se antecipou e me deu uma emenda reserva para trocar a que estragou. O estralo que a corrente fazia antes parou, ficou mais tranqüilo para seguir a viagem. As motos passaram pela rotina de conferir o nível do óleo e lubrificar a corrente após cada trecho de pista molhada e nos abastecimentos.
Até agora o Geraldo levou três tombos, dois neste dia e um no anterior. O Edson levou apenas um tombo no mesmo lugar do primeiro tombo do Geraldo e eu sigo sem tombos. Embora em alguns trechos a terra seja uma areia, na maior parte ela é de boa qualidade, que associado a um regime de chuvas bem definido, favorece a agricultura. Aqui tudo que se planta produz bem, porém não há meios para escoar essa produção, a estrada difícil encarece o frete.
A floresta já foi cortada em muitos lugares para dar lugar a agricultura, entretanto, a quebra dos colonos causada pela dificuldade de escoar a produção faz com que troquem a agricultura pela extração de madeira em novas áreas. No Pará encontramos centenas de serrarias a margem da BR 163. O pessoal corta as melhores árvores e põe fogo no que sobra para não deixar rastros.
Parece-me que o mais inteligente seria uma política do governo de incentivo ao replantio e ao manejo técnico da floresta, extraindo a madeira com um gerenciamento, ao invés do modo predatório praticado agora.
Por isso, e pela soberania nacional, o asfaltamento da BR 163, da BR 319 e da Transamazônica é urgente. Hoje o governo está ausente deste grande território, dando espaço para os maus intencionados.Os imigrantes que foram atraídos para a região pela promessa de crescimento nos anos 80, estão cansados de esperar, o que abre espaço para todo o tipo de uso incorreto destes vastos recursos naturais. Muitos por lá estão convencidos de que o governo vendeu parte da Amazônia para os Estados Unidos e está escondendo isso do povo.
Isso tudo, sem falar da Calha Norte, outra região abandonada do Pará, junto à fronteira do Suriname, até onde a BR 163 está projetada para chegar um dia.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Rurópolis-PA-Brasil Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 24/12/2005
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