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De 17 de dezembro de 2005 a 14 de janeiro de 2006 Alexandre Sampaio e seus amigos viajam pelo coração da América do Sul, rumo ao Caribe. Confira como foi o 15° dia de viagem contado pelo aventureiro:
15º Dia - 31 de dezembro de 2005 - Upata - Cumana - 597 Km
Na nossa saída do Hotel Andréa, reparamos um fato que depois se mostrou corriqueiro por aqui, em todos os estabelecimentos com grande movimento, existem seguranças privados, que de maneira intimidadora portam armas de calibre pesado, como pistolas 450 ou rifles 12 de cano cerrado. Embora não tenhamos presenciado nenhum assalto ou tentativa, a presença destes seguranças bem armados indica que o problema existe, algo que não temos nos hotéis e comércios Brasileiros.
O dia estava maravilhoso, temperatura agradabilíssima, poucas nuvens, perfeito para um dia de moto viagem. Tomamos a pista dupla no rumo de Ciudad Bolívar, para atravessarmos a ponte sobre o Rio Orinoco, monumental obra de engenharia, em estrutura metálica sustentada por tirantes, atravessando o maior rio da Venezuela.
Na chegada a Ponte Angostura, me chamou a atenção que a moto do Geraldo não acendia mais o farol, após algumas fotos sobre a ponte, na saída, a moto não dava mais partida. Após alguns testes verifiquei que o contato da chave de ignição tinha problema.
O contato que liberava a faísca para a vela funcionava bem, mas o contato que liberava energia para os sistemas elétricos da moto não fechava mais, havia queimado dentro do miolo da chave. A solução foi fazer uma ponte direta, com isso a chave servia apenas para trancar o volante.
Problema resolvido, seguimos em frente com destino a Puerto La Cruz, pela região mais desenvolvida do país, passamos por grandes fábricas, mineradoras e refinarias, por boas estradas.
A polícia aqui não nos pediu documento nenhuma vez até agora, apenas o exército nos para de tempos em tempos, para conferir se temos os documentos em dia. Deduzimos que por aqui o exército que exerce o poder de fiscalização, pois todos, sem exceção, são obrigados a parar quando existe um posto de fiscalização do exército. A polícia deve ter um papel mais de investigação e atendimento a ocorrências. O governo daqui pode com facilidade paralisar qualquer estrada, através do exército.
Na chegada em Puerto la Cruz, passamos por Barcelona, centro urbano de grande movimento e agitação, como estamos na época das férias, é inevitável alguns congestionamentos, que tornam a viagem lenta. Quando saímos do Brasil, nossa pesquisa nos indicava que a travessia entre Puerto La Cruz e Isla Margarita, seria muito demorada sem reservas antecipadas, pois os Venezuelanos tem que comprar a passagem com 1 semana a 1 mês de antecedência, pela Internet na empresa www.conferry.com , inviável para quem esta fazendo uma viagem de moto, sem hora ou parada certa. Senão teríamos de pagar muito caro a cambistas locais.
No nosso esquema de viagem, a travessia deve ser feita por Cumaná, que por estar mais próximo da ilha, tem maior freqüência de horários e facilidade para embarcar imediatamente, embora os navios não sejam tão bem cuidados. Além disso, pretendíamos dar uma esticada até Trinidad, para isso precisávamos passar por Cumaná, logo na entrada de Puerto la Cruz tomamos a direita uma estrada que acompanha o litoral, costeando as montanhas, cheia de curvas e estreita como a nossa Rio-Santos. Mas com lindas paisagens e o belo contraste do verde da mata com o azul do mar.
Numa das centenas das curvas, fiquei admirando a paisagem, alguns locais lavavam carros, a beira da estrada, com a água que descia a costa da montanha. À cerca de 60 Km/h, esqueci de olhar para o asfalto a frente, que apresentava uma emenda longitudinal, um lado da pista estava recapado e outro não. Erro fatal, a roda da frente ficou bem sobre a transição e começou a oscilar, para um lado e outro, antes que eu tivesse reação estava vendo as estrelinhas com a batida do capacete ao chão. Meus colegas de viagem se assustaram com a cena, segundo eles o tombo foi bem feio, mas eu de pronto levantei, e estava tranqüilo, apenas meio tonto. Após 1 minuto, eu mesmo levantei a moto, subi, fiz pegar e segui viagem. Nessas horas valeu a pena todo o cuidado que pratico na minha segurança defensiva:
Capacete bem afivelado, folga zero na cinta jugular, com isso o capacete não caiu da cabeça no momento do impacto. Além disso, roupa de couro completa, com protetor de joelho, cotovelo, coluna, e botas fechadas, Bannypel de couro bem grosso. Mais luvas fechadas. Na moto protetor de manete, guidão de alumínio reforçado, além de pedal das marchas com a ponta articulada. O que poderia ser o fim da viagem, foi apenas mais um detalhe da viagem, episódio de rotina, não fosse o orgulho ferido de levar um tombo tão bobo, com isso comecei a prestar mais atenção no asfalto, deixando a paisagem um pouco de lado.
Ainda demos uma parada em Mochima, uma pequena vila junto ao parque de conservação de mesmo nome. Mas achamos o lugar muito calmo, para passar uma noite ali, voltamos para a estrada. Chegamos no meio da tarde em Cumaná, onde ficamos em um agradável hotel de frente para o mar, o Minerva. Com um bem armado segurança particular na entrada. Ainda deu tempo para um passeio no calçadão e banho de piscina antes do jantar.
No jantar saímos de moto pela rua mais movimentada do lugar, logo achamos um restaurante interessante, onde notamos que a TV sempre estava sintonizada em partidas de Beisebol. Outros restaurantes antes e vários depois também tinham esta característica, os garçons paravam de atender para ver os lances decisivos, azar do freguês, que tinha que aguardar o fim do lance para ganhar a atenção do garçom.
Não tem grandes estádios de futebol por aqui, mas em contrapartida, os de Beisebol são grandes e bonitos, é o esporte nacional. Desde o Pará vínhamos tendo problema com o Coentro, um tempero que o pessoal por aqui usa demais, e que devido ao seu sabor forte, esconde os demais sabores da comida, mas em Cumaná foi demais, a comida só tinha gosto de Coentro, era incrível, para eles deve ser bom , mas para nós, faltam os outros sabores do alimento. Depois dessa lição, começamos a pedir a comida em todos os lugares sem Coentro, para que fosse servido a parte.
A virada do ano é uma data para comemorar em família entre os Venezuelanos, eles não fazem grandes festas ou foguetórios, apenas ficam em casa e confraternizam com os familiares. A meia noite fomos até a praia, mas este é um costume Brasileiro, ali em Cumaná, na virada do ano a praia permaneceu deserta, como outra noite qualquer, até porque não estamos na época mais quente do ano, para eles é inverno agora. Estamos no paralelo 10º norte.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Cumana-EX-EX Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 31/12/2005
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