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De 17 de dezembro de 2005 a 14 de janeiro de 2006 Alexandre Sampaio e seus amigos viajam pelo coração da América do Sul, rumo ao Caribe. Confira como foi o 16° dia de viagem contado pelo aventureiro:
16º Dia - 01 de janeiro de 2006 - Cumaná - Güiria - 310 Km
Lá pelas 9 horas pegamos a estrada, seguindo em direção a Rio Caribe pela bela estrada que costeia o mar e as montanhas, com muito verde e vários paradouros. Andar pelas estradas da Venezuela nestas regiões onde as pessoas estão de férias exige um certo cuidado, primeiro porque os carros, no geral, são muito velhos, apenas 10 % da frota nacional é moderna, na sua maioria utilizam "barcas" V8 importadas do EUA nos anos 70, que não funciona luz de freio ou pisca, culpa da gasolina barata.
Para se ter uma dimensão de quanto a gasolina é barata aqui, o Km rodado de moto no Brasil custou R$ 0,145, enquanto aqui custa R$ 0,005, 29 vezes mais barato, R$ 1,00 enche o tanque e dá troco, mas, dependendo do lugar, não compra uma lata de cerveja, é a socialização do combustível, política da Venezuela, a venda de petróleo para exportação custeia o consumo interno. Em contrapartida o óleo lubrificante e o pneu, custam o mesmo preço do Brasil.
Outra surpresa: Gaucho na Venezuela é Pneu, e uma Gaucheria, é equivalente a Borracharia, pode ?
Mas seguindo pela estrada, vamos topando com tudo que é tipo de motorista em férias, parando onde dá vontade, fazendo conversões estranhas e sem sinal, sorte que eles andam devagar, mas o pior é quando sai uma latinha ou garrafa voando pela janela, pratica comum aqui, quase fui atingido em algumas ultrapassagens. A parte central da pista em locais úmidos é um perigo total, montes de carro velhos vazando pelo caminho, deixando uma região de óleo misturado com a sujeira da pista na parte central, com a garoa que pegamos em alguns trechos, perigo constante.
Perto do meio dia, paramos em um agradável quiosque na beira da estrada, junto ao mar, onde comemos um prato típico a base de peixe frito e salada de frutas. A água do mar protegida pela baia de Cumaná tinha apenas pequenas marolas, e suas águas límpidas permitiam ver as pedrinhas do fundo. Após o agradável almoço, avançamos em direção a Güiria, logo após a estrada se afastar da Baia de Cumaná , começa um trecho de pequenas serras, onde atravessamos dezenas de pequenas comunidades. Como é Domingo, a beira de cada rio centenas de pessoas banham-se; a frente de todas as casas as famílias ficam sentadas a prosear.
Impressiona que em todos os colégios existem monumentos e pinturas cultuando a imagem de Simon Bolívar, em pose e uniforme militar. Numa intenção clara do governo de valorizar o exército e os militares. Conforme vamos avançando entre belos vales e muito verde, com algumas serrinhas, o tempo alterna entre sol e pancadas de chuvas esparsas. As comunidades vão ficando cada vez mais próximas umas das outras, caracterizando-se pelo minifúndio.
Agora passamos a rodar entre o Golfo de Paria e as montanhas. Na entrada em Güiria encontramos uma cidade conservada, com um belo casario do século 16, pequena e simpática, a população não tem mais o tom de pele moreno, como das outras cidades que passamos. Aqui, em sua maioria, são negros.
O Golfo De Paria e o território de Güiria entraram para a história em agosto de 1.498, quando pela primeira vez Cristóbal Colón, Cristovão Colombo em português, chegou pela primeira vez ao continente, em sua terceira viagem de exploração, 6 anos depois da descoberta. Até então ele havia percorrido diversas ilhas do Caribe, mas foi em Macuro, distrito de Güiria, que ele finalmente pisou no continente, no Novo Mundo. Apenas 2 anos antes da descoberta oficial do Brasil pelos Portugueses.
No porto, nos informam que o Navio para Trinidad & Tobago partira na sexta-feira, antes de ontem, e o próximo só na sexta-feira. Ficamos meio decepcionados, mas como ainda era cedo, nos informamos onde era a praia, e fomos aproveitar as águas quentes do Golfo de Paria. Na chegada fomos presenteados com audição em primeira mão dos Tambores de Trinidad, uma banda típica que fazia uma festa a beira mar. Formada por jovens, com a orientação de um maestro, seu ritmo era quente e dançante.
Já havia ouvido falar deste tipo de música, mas só vendo e ouvindo para sentir a sonoridade destes tambores metálicos, que mais parecem grandes bacias, mas que produzem um ritmo e harmonia, únicos. Ali entre as palmeiras e habitantes locais. È necessário dar um desconto para o estilo do povo, que espalha garrafas e embalagens por todo canto, não existe um latão para o lixo, e aquele monte de carros velhos no estacionamento. "Tri doido", principalmente depois de alguns mergulhos no mar, e algumas cervejas "Polar", para entrar no ritmo dos locais.
Detalhe, o povo bebe muito, principalmente vodka, uísque e conhaque, e a polícia fica de olho, um rapaz que começou a se passar com uma moça local, foi levado pelos policiais de plantão para dar uma voltinha. Embora sejam na sua maioria de origem negra, as tampinhas da cerveja tem fotos, de busto e rosto, de vários modelos, de pele branca e de biquíni, será que fazem coleção ? Depois de passar uma agradável tarde na praia, fomos para um hotel que havíamos visto no caminho, bem no começo da praia, com boas instalações, de frente para o mar, e com preço bom.
A noite pegamos as motos e fomos jantar no centro, onde comemos um prato típico a base de peixe assado, acompanhado de cervejas. Na seqüência fomos a um bar com música ao vivo, onde a cantora local cantou dezenas de boleros, mambos e salsas.
Devemos ter tomado quase 50 cervejas entre os 5, pois a cerveja tem só 250 ml por embalagem e pouco teor de álcool, que animados pela boa música, descia muito bem.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Güiria-EX-EX Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 01/01/2006
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