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De 17 de dezembro de 2005 a 14 de janeiro de 2006 Alexandre Sampaio e seus amigos viajam pelo coração da América do Sul, rumo ao Caribe. Confira como foi o 17° dia de viagem contado pelo aventureiro:
17º Dia - 02 de janeiro de 2006 - Güiria - Punta Arenas - 407 Km mais 65 Km no mar.
Meio de ressaca, avaliamos nossa situação, se pretendíamos insistir no plano de conhecer Trinidad, seriam 4 dias de espera, a opção seria partir e passar a noite em Isla Margarita, onde poderíamos conhece-la bem com o tempo disponível.Decidimos pegar a estrada, decisão, que descobrimos depois, ter sido muito boa. Porque em meados de 2.005 tivemos a experiência de conhecer Ian Coates, inglês, em viagem de volta ao mundo, passou uma semana na nossa região, podemos travar uma boa amizade e percorremos alguns caminhos juntos, além de encaminhá-lo para outros MCs que ajudaram em sua viagem dento do Brasil.
Não é que no dia 28 de março ele me envia uma mensagem contando que no dia 23/12/06 pegara o barco em Güiria para Trinidad & Tobago, poucos dias na nossa frente. Correu tudo bem na travessia, mas a moto teve que ir em um navio de carga, e os passageiros em outro navio. E, ao desembarcar lhe foi solicitado para a moto: o Carnê de Passagem, um documento que é emitido para circulação principalmente em países da Ásia e da África, como a China.
Sem portar tal documento, já que o mesmo não é exigido no continente americano, restou esperar os responsáveis, que devido ao feriado de Natividad, só voltaram a trabalhar no dia 5 de Janeiro. O problema se resolveu com o pagamento de uma taxa de US$ 300,00 e outra de US$ 760,00, o dinheiro seria o problema menor, o pior são os dias parados, para nós que estávamos com pouco tempo. Ainda bem que chegamos atrasados para pegar o barco. Trinidad é uma ex-colônia Inglesa, habitada por descendentes de negros escravos que cultivavam a cana de açúcar para exportar a Inglaterra, onde existem muitos prédios do período colonial e muita musica típica. Suas praias são famosas. Ficou para uma outra viagem com mais tempo na agenda.
No caminho de volta a Cumaná, fomos brindados com tempo bom até que ficamos junto ao Golfo de Paria, porém quando passamos para a Baia de Cumaná, começou uma chuva fina intercalada com tempo seco, que nos incomodou bastante, parou próximo a Cumaná. A parada para o lanche, a exemplo de várias que fizemos durante os dias de viagem por aqui, foi em uma padaria, Panederia Marlenar. As padarias cumprem aqui o papel de lancherias e mercadinho ao mesmo tempo, não existe o bar ou bodega, o pessoal bebe nos restaurantes ou em casa, acho que aqui no Brasil não ia dar certo esse negócio de não ter o bar para a turma dar uma passadinha.
Quando chegamos ao porto, conseguimos rapidamente lugar no próximo navio, o Guaiqueri, que partiria as 18h00 , e chegaria as 21h30 na ilha. Enquanto aguardávamos o embarque, encontramos com integrantes do MC Classics Riders, esperavam por outro navio, utilizavam motos Honda Shadow, Suzuki Marauder e BMW R75, e se dirigiam com as esposas para a bela praia de Araya, umas das praias que ficou para voltar outra vez para conhecer. Na conversa contaram que um dos motociclistas era o proprietário da Cervejaria Polar, da qual tomamos centenas na nossa estada na Venezuela, muito popular.
Nos recomendaram algumas praias na ilha, e falamos sobre viagens de motos no Brasil e na Venezuela, motociclista troca o país ou o idioma, mas não o espírito fraterno e parceiro, nos despedimos quando nossos barcos chamaram para o embarque em direções diferentes. A travessia foi tranqüila e muito agradável, apesar do balanço do mar e da longa duração, havia boas poltronas em um auditório com televisões e lanchonete.
Edson travou amizade com alguns locais, e não sei por que, entendeu que o melhor lugar para irmos na ilha seria Punta Arenas, e não Porlamar ou Pampatar, que era o meu plano, de acordo com a pesquisa que fizera anteriormente. Rodamos muito, cerca de 75 Km, a noite, para chegar em uma praia deserta, sem hotéis, que só funciona de dia. Era uma das mais bonitas, mas a pergunta certa ele não fizera: Tinha hotéis ?
Naquela situação, perto da meia noite, Estávamos no extremo oeste da ilha, voltar 120 Km para o extremo leste não era razoável, optamos por seguir mais alguns Kms em direção norte até Macanao, onde, depois de girar um bocadinho, tiramos da cama a proprietária da Pousada L´Oasis. Que nos recebeu incrivelmente bem, com bons quartos e atenção. Fez comida para nós e acomodou as motos em sua varanda, junto a mesa de jantar. Além de boas cervejas geladas que acompanharam a comida servida ao som e brisa do mar na frente da varanda.
Resumindo, nosso lugar parecia que estava guardado, a nossa espera, coisas de viagem.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Isla Margarita-EX-EX Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 02/01/2006
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