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Carnaval 2008 em São Francisco de Paula/RS

No período do carnaval, de 03 a 06 de fevereiro de 2008, Rodrigo Hart fez um belo pedal e caminhada por São Francisco de Paula/RS.

Seguindo os planos de passar o Carnaval na Serra, longe do agito que a data sugere, havia pensado em ir pára São Francisco de Paula, na serra gaúcha. Avisei alguns amigos, entre eles, o Cleber que mora na cidade e além de ciclista, trabalha no Corpo de Bombeiros local, com o qual me informei sobre a possibilidade de conseguir pernoite.

Havia combinado com a Marly, com quem venho pedalando há algum tempo da possibilidade de irmos juntos, já que ela também pegou gosto de pedalar na região serrana.

Como o tempo não ajudou, a saída, prevista para sexta acabou sendo adiada até a melhora do tempo. Inicialmente, sairia domingo cedo, mas como na noite de sábado ainda chovia, resolvi sair depois do meio dia.

Já no domingo, esta me informa que está pedalando com uma amiga na região de Novo Hamburgo e mais tarde, que está a caminho de São Francisco. Eu, como dependia apenas de mim mesmo, aproveitei para limpar e lubrificar e Mountain Bike e saí de Porto Alegre então, domingo, por volta de 17:30, passando antes no Gasômetro, rapidamente.

Segui sem paradas até Sapiranga, onde no posto Ferrabrás, encontrei dois amigos, um deles, o Tag e mais um conhecido, que também têm participado de provas de ciclismo e moram em Novo Hamburgo.

A conversa foi boa e ainda segui um pedaço com o Tag até outro posto de gasolina, onde estava seu carro. Na parada, ajustei os faróis e ficamos a conversar, sendo que me dei conta já era mais de 21:30.

Cheguei em Taquara por volta de 22:00 e após um lanche iniciei a subida para São Francisco por volta de 22:40. Minha chegada se deu por volta de 01:00, sendo que a serra, devido às nuvens e ausência de lua, estava mais escura que de costume. O movimento foi de 14 carros em 39 km e pouco mais de duas horas. Mais uma vez fica o registro que a subida de São Francisco, feita à noite, é uma das mais belas pedaladas noturnas para se fazer, pois além do pouco movimento, o lugar, em função da natureza e seus sons, torna o ato de andar ali, àquela hora, uma sensação única.

Quanto mais me aproximava da cidade, mais eu sentia esfriar. Chegando lá, constatei que deveria estar algo em torno de 10 graus ou menos. Dali, segui para o corpo de bombeiros, onde para minha surpresa, tanto a Marly, como sua amiga, a Luciana, que havia ido de carro já dormiam. Havia mais um viajante, que seguia para Cambará do Sul que também havia pedido pouso e seguiu viagem no dia seguinte.

Na manhã seguinte, após breve passeio pela cidade, seguimos para Canela, mas como a Luciana acabou recebendo chamado do seu trabalho para regressar à Porto Alegre mais cedo, esta nos deixou e nós acabamos trocando o roteiro, preferindo entrar na Barragem do Salto, que fica pouco antes do pedágio, há ns 20 km da cidade. Lá, compramos frutas e pão em um mercado local e retornamos no meio da tarde, quando encontramos mais dois ciclistas que saíam de uma trilha.

Como também voltavam para São Francisco, seguimos juntos. Um deles, o Álvaro, sugeriu que voltássemos "por dentro", passando pela trilha da Balança. Eu, com pneus finos, tive mais dificuldade em passar por alguns trechos, sendo que em muitos, só empurrando mesmo. O pessoal classificou a trilha como "leve", e de fato, pelo que conheço da região, deve haver outras de grau bem maior. De qualquer forma, ao final da tarde, estávamos na cidade novamente.

À noite, banho e caminhada pelo centro, onde jantamos. A programação para terça estava em estudo. Ou iríamos em direção à Tainhas ou sairíamos a caminhar pelo interior da cidade. Ficando com a segunda opção, saímos por volta de 09:00 e tomamos café fora, que foi complementado com pão integral, iogurte, nata e geléia. Após, saímos em direção ao Lago São Bernardo, seguindo pela Estrada da Serra Velha, onde seguimos em direção ao parque das Oito Cachoeiras.

O acesso ao parque é feito por estrada de chão, saindo atrás do Hotel Cavalinho Branco, situado junto ao Lago São Bernardo. São dois quilômetros, quase tudo de descida, nos quais podemos contemplar uma cachoeira e os belos visuais dos morros ao redor. Chegando no parque, que conta com camping e cabanas para aluguel, tendo boa estrutura e restaurante que serve refeições, optamos por não entrar, já que o ingresso para visitante é R$ 7,00 (para acampar é R$13,00 por pessoa).

Acabamos seguindo pela estrada, sempre descendo. Logo adiante, nos deparamos com uma corredeira, que formava pequenas quedas d'água no meio do mato. Mais adiante, uma ponte, onde por baixo dela, havia acessos para a água, onde ficamos algum tempo. A água era fria, porém limpa, com fraca correnteza. Vinha do topo dos morros e seguia seu caminho, dentro de um leito de pedras, cercadas de vegetação. Destaque para as multicoloridas borboletas.

Descemos pela estrada um bom tempo a pé. Havia pouco movimento, um carro ou outro e volta e meia um caminhão, geralmente carregado de toras. O corte de madeira e plantio com essa finalidade, tem feito com que a mata atlântica, gradualmente, venha sendo substituída por madeira para corte. Observando a encosta dos morros, podemos ver nitidamente as áreas de replantio da madeira e os buracos abertos na mata, para após plantar árvores específicas para o corte, como o pinus. Muitas vezes, a preparação dessas áreas para plantio é feita incendiando a mata existente no lugar...

Caminhamos até mais ou menos 18:30, iniciando o retorno calculando o tempo disponível até umas 21:00, quando a luz do dia acabaria. A estrada em que estávamos nos levaria a Rolante, cerca de 40 km abaixo, de forma que não teríamos como ir até seu fim naquele dia e a pé (de bicicleta, quem sabe...)

Iniciamos o retorno, desta vez, grande parte subindo, enquanto a luz do dia se esvaía por entre os morros, chegando na cidade muito cansados, por volta de 21:15. Compramos pão, iogurte, frios e uma cuca em uma padaria no centro e essa foi nossa janta e café no dia seguinte. Nossa caminhada deve ter passado dos 20 km.

Na quarta, acordamos cedo, por volta de 06:30. Tomamos café e nos despedimos do pessoal. Iniciamos a descida da serra por volta de 08:30, retornando pela RS 239 até Novo Hamburgo e depois, pela BR 116, até São Leopoldo, de onde voltamos de trem, com aproximadamente 80 km rodados, já que à tarde, eu trabalharia.

Este foi meu terceiro Carnaval na região, cuja maior característica é o sossego., propício para o descanso, bem como o relevo e as condições do lugar, propícios para a prática de esportes de aventura e ao ar livre. Os belos recantos naturais e mesmo rústicos do lugar encantam seus visitantes.

Para não dizer que não ouvimos falar do agito do Carnaval, diariamente um bloco se reunia em uma das ruas próximas, tocando instrumentos em uma improvisada bateria, que trazia alegria aos participantes e demais expectadores do espetáculo, formando um bloco improvisado, que por algumas horas, era o responsável pela folia local. Nos demais momentos, muita paz, natureza e a beleza nativa típica de São Francisco de Paula.

Fonte: Rodrigo Hart Fagundes
Cidade: São Francisco de Paula-RS
Fotos: Rodrigo Hart Fagundes
Publicado: Thainá Costa da Silva
DATA: 08/02/2008 <%insert_data_here%>

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