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De 17 de dezembro de 2005 a 14 de janeiro de 2006 Alexandre Sampaio e seus amigos viajam pelo coração da América do Sul, rumo ao Caribe. Confira como foi o 26° dia de viagem contado pelo aventureiro:
26º Dia - 11 de janeiro de 2006 - Torre Aristóteles - Humaitá - 363 Km
De manhã, aos primeiros raios do amanhecer, recolhemos o acampamento, tudo está um pouco molhado, pois a floresta é muito úmida durante a noite. Logo estávamos seguindo em frente pela estrada, ente buracos e degraus, pontes precárias e trechos em perfeito estado de conservação tomados pela floresta.
È a travessia de um deserto verde, ao contrário dos desertos de areai ou sal, este deserto tem muito verde e árvores, mas continua sendo um deserto, vazio de pessoas e civilização, apenas a natureza exuberante por todos os lados. Havíamos fervido água no acampamento, mas com o calor do dia ensolarado, rapidamente termina, nos rios cristalinos pegamos mais água, que purificamos com cápsulas a base de água sanitária.
No meio da manhã encontramos um Jipe Land Rover de São Paulo, trocamos informação sobre o caminho e seguimos em frente. Não encontramos mais pessoas de manhã, apenas carcaças abandonadas de carros que não conseguiram completar a viagem. As motos do Edson e do Geraldo acavalam no barro mais algumas vezes, mas o barro é ainda do dia anterior, já meio duro, já que hoje não choveu. O barro mais duro também é ruim, pois tranca as rodas, dificultando o trabalho do motor, as vezes é preciso tirar as partes mais grossas de barro com um pedaço de madeira, para livrar o movimento das rodas. È muito estranho atolar em uma poça de barro entre dois pedaços de bom asfalto. Coisas da BR 319.
Perto de 14 horas, chegamos a outra ponte em obras, onde encontramos os catarinenses, eles vieram a muito tempo da região de Rio do Sul, e chamam a tensão por seus cabelos loiros em meio ao castanho dos nativos. Eles estão arrumando uma ponte para a Embratel e serão nossa salvação para o almoço do dia. Pedimos se tem comida, eles estão na hora do descanso depois do almoço e respondem:
- Olha ai encima do fogão, deve ter arroz, carne de Anta e Paca.
Como estamos com fome, aquilo é perfeito.
As carnes de animais nesta região são conservadas em óleo, logo após abater o animal, a carne é semi-cozida em pedaços, e colocada imersa em óleo vegetal ou animal dentro de latas de 18 litros. Na hora das refeições retiram o necessário e cozinham. Assim não utilizam geladeiras. Após o almoço e um pouco de prosa, avançamos por nosso caminho, faltam pouco mais de 150 kms.
Os catarinenses são uns dos poucos fazendeiros que vieram na época da abertura da estrada e continuam por lá, criando gado, na época da cheia, o gado é retirado para ser vendido em Humaitá, segue até o destino caminhando pela estrada. Alguns Kms a frente, encontramos outra turma da empreiteira do cabo de fibra ótica, com um jipe e um caminhão Ford 4x4 guincho carregado de bobinas, eles nos contam que arrumaram pepino, pois algumas centenas de Kms de fibra ótica instaladas estão com defeito, e eles precisam entrar na floresta para trocar.
Uma obra difícil nesta época do ano. Quando começaram a obra em agosto setembro, era época da seca, uma das mais fortes da década, mas a partir de outubro para novembro começa a chover quase todos os dias, um pouco por dia, situação que estávamos enfrentando diariamente, e a partir de fins de janeiro até fins de março vai chover o dia todo, quando as pessoas que estão na floresta ficam isoladas pelas cheias o barro nas estradas. Depois entre abril e junho chove todos dias um pouco, para fechar o ciclo com nova seca em agosto setembro. È a vida no ritmo das águas na Amazônia.
A tardinha chegamos ao primeiro sinal de civilização, um bar na beira da estrada, onde entramos e tomamos 2 litrões de guaraná, mas ainda faltam 47 Km de estrada ruim, para finalmente chegar a um trecho de 55 Km de asfalto impecável, novinho em folha. Neste trecho é possível andar tranqüilo, sem buracos, mas cai a noite, e começa uma garoa fina, avançamos com precaução pois a pista é mal sinalizada.
Quando chegamos no cruzamento com a BR 230, uma surpresa, termina o asfalto e começa de novo a estrada de chão, 23 Km bem precários e molhados. Tomamos a esquerda em direção a Humaitá. No caminho topamos com uma ponte caída, em seu lugar alguns paus amarrados com um cabo de aço. Aquilo parecia um pesadelo, depois do cansaço do dia, devíamos ter pego algum caminho errado, mas confiro no GPS e não há dúvidas, o caminho era mesmo por ali, faltavam menos de 15 kms para Humaitá.
Juntamos coragem e iniciamos a travessia da ponte precária de troncos encharcados pela chuva e barro sobre um vão de mais de 6 m de altura, aquela travessia na noite escura e com garoa fina foi muito emocionante, e após passarmos bem para o outro lado, avançamos lentamente para evitar surpresas na estrada de chão encharcada. Quando chegamos no trevo de Humaitá a chuva para, e avançamos os 9 Km de asfalto até a cidade com facilidade. Logo na entrada um posto de combustíveis, onde encostamos e mandamos encher o tanque. Eram 22h30.
No posto uma surpresa, encontramos o Tito, um camioneiro de Bento Gonçalves, a bordo do seu Mercedez Benz trucado com baú, ele traz móveis e outros produtos da Serra Gaúcha para a região de Humaitá e Porto Velho. Quando começamos a falar com o frentista, de pronto reconhece o sotaque e vem falar conosco, fica impressionado com a nossa história, e nos dá a dica de um bom hotel.
No Hotel El Chadai, somos bem recebidos em um quarto limpo e seco, a exemplo de outros locais por aqui, no quarto não tem vidros nas janelas, apenas venezianas e telas mosquiteiro, e para os que gostam, ganchos para colocar uma rede. Saímos para comer numa lancheria próxima, como só tinha xis, e estávamos cansados para procurar outro lugar, comemos xis, cerveja tivemos que pedir para o garçom buscar em outro bar próximo, pois o proprietário não servia bebidas alcoólicas neste estabelecimento.
Alimentados, capotamos o sono dos viajantes.
Fonte:
Alexandre Sampaio Cidade:
Humaita-AM-Brasil Fotos: Alexandre Sampaio Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 11/01/2006
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