|
Ligia Fascioni de Honda Falcon NX4 e seu marido Conrado de BMW 1200GS realizaram uma grande aventura entre dezembro de 2007 e janeiro de 2008. Saíram de Florianópolis e cruzaram o continente, rumo ao Oceano Pacífico. Confira a 4° parte dessa viagem!
[3 jan 2008] Rumo à Iquique
Saímos de manhã de San Pedro de Atacama como o objetivo de cruzar todo o deserto até bater na praia. Mais especificamente na cidade de Tocopilla, que nunca mais vou esquecer. De lá, a gente pretendia subir pela costa litorânea até Iquique (uns 250 km beirando o mar). Pretendia.
Para se ter uma idéia, Tocopilla faz San Antonio de los Cobres parecer New York. Visualize: uma planta industrial de beneficiamento de minério, um porto e algumas minas abandonadas, tudo isso permeado por um favelão. Essa é Tocopilla! Chegando no posto da cidade, descobrimos que a estrada da costa estava sendo dinamitada (tinha sofrido danos no terremoto de novembro e aproveitaram para fazer uma ampliação) e só abriria para circulação às sete na noite (era meio-dia quando chegamos).
Ante a possibilidade de passar tantas horas naquele lugar sinistro, demos meia-volta e picamos a mula. Nossos 500 km acabaram virando 700 km por causa dessa visita, digamos assim, turística. Mesmo assim, valeu o passeio pelo deserto.
[3 a 6 jan 2008] Iquique
Iquique, litoral norte do Chile, é surpreendentemente linda! A chegada já é um espetáculo, pois a gente sai de uma curva a uns 1.000 metros de altitude e vê a cidade lá embaixo, lambida pelo mar, com uma duna enorme na frente. Observação: a visão é legal quando se chega de moto - de carro, os guard-rails ficam à altura da janela e estragam tudo.
Por causa da exportação de nitrato durante a guerra, comecou a jorrar dinheiro em Iquique. Casas lindas foram construídas, clubes sofisticados, casas de chá, bancos internacionais, e a cidade floresceu. A arquitetura lembra um pouco o velho oeste americano e tem bastante charme. Acontece que lá por meados da segunda guerra, apareceu um alemão invocado e inventou um substituto perfeito para o nitrato? dá para imaginar o baque...
A cidade parece estar se recuperando agora, com várias construções luxuosas em andamento e a restauração da parte antiga, que prima pelo capricho. Eles tiveram a manha de refazer as calçadas totalmente em madeira (uma parte está até envernizada) e as ruas de pedra, ainda com os trilhos do bonde. A cidade é toda colorida, mesmo nos bairros mais pobres da periferia.
A cidade comecou pertencendo ao Peru e era apenas uma colônia de pescadores. Com o advento das guerras mundiais, a vila comecou a enriquecer por causa das jazidas de nitrato da região (elemento essencial para a fabricação de pólvora), que comecaram a ser exportados pelo seu porto. Só que os peruanos não tinham tecnologia nenhuma, as empresas de extração, beneficiamento e transporte eram todas chilenas. A Bolívia tinha Antofogasta, um pouco mais ao sul, e estava na mesma situação.
Ocorre que o Evo Morales da época teve a brilhante idéia de nacionalizar as empresas chilenas (e você pensava que esse filme era inédito?) e romper com os contratos vigentes. O cara era muito persuasivo, e acabou convencendo o Peru a entrar na jogada também.
Os chilenos, é claro, não gostaram e partiram para a ignorância. Houve uma guerra e é claro que os bolivianos e peruanos (aqueles que não investiam em educação nem tecnologia) perderam.
Iquique e Antofogasta passaram a fazer parte do Chile, a Bolívia perdeu sua saída para o mar e, pelo que parece, tudo indica que o Evo Morales da vez não estudou história.
Em Iquique dá para assisitir a uma sessao de Animal Planet ao vivo e sem cortes! É só ir ao terminal marítimo de passageiros e presenciar um show de pelicanos e lobos marinhos.
Esses últimos mais parecem cachorros se pegando. Os bichos não páram de se cutucar uns aos outros, é uma festa (com som, pois eles ficam conversando em uma língua que parece mais com uma série de arrotos!). A vista do porto também é muito bonita.
Fonte:
Ligia Fascioni Cidade:
Iquique-Chile-EX-Chile Fotos: Ligia Fascioni Publicado: Berenice Correa Date: 19/02/2008
<%insert_data_here%>
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
|