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Conheça o escalador e documentarista, Márcio Bortolusso, de 33 anos, morador de São Paulo/SP. Em entrevista ao INEMA, em fevereiro de 2008, ele conta sobre suas experiências e pretensões com a prática de escalada.
Nascido em Carazinho/RS, o escalador e documentarista Márcio Bortolusso, aos 33 anos, após morar em uma dúzia de lugares, se considera apenas brasileiro, e atualmente vive, como ele mesmo diz, na "caótica São Paulo". Em entrevista ao INEMA, ele conta sobre suas experiências e pretensões com a prática de escalada.
Desde criança, Márcio teve a oportunidade de viver em contato com a natureza. Normalmente acompanhando seu pai, em garimpadas por escarpas mineiras, pela floresta ou em pescarias no Centro Oeste ou em alto mar. O escalador pode experimentar as sensações dos altos das montanhas, da beleza das florestas e do alto mar, no entanto, a prática esportiva que mais lhe chamou a atenção foi a escalada.
A paixão pelo montanhismo teve início nos anos 90, porém, ele se tornou escalador em 1995. Segundo Márcio Bortolusso, o que mais o fascina no montanhismo é o fato de não haver platéia, regras esportivas e de ter no alto das montanhas, o ambiente propício para testar seus limites e revitalizar suas energias.
Em 1995, quando Márcio começou a escalar "pra valer", teve parceiros como Marcelo Medeiros, Márcio Takishita (de Guará), Mário César e Alexandre Conde (Lorena) e Leandro (Cruzeiro) - alguns dos primeiros escaladores do Vale do Paraíba - SP. Começou também, junto com os irmãos Hugo Shimazu, Rodrigo Rebouças e Frediano Teodoro. Mais tarde em sua carreira, Márcio teve a oportunidade de escalar junto com o veterano da escalada na Serra dos Órgãos, Adalberto Seiblitz .
Segundo Márcio, esses escaladores eram muito atentos a todos os cuidados que deveriam ser tomados na escalada, como ética e segurança. Coisa que, de acordo com ele, não encontrou em algumas equipes de escaladores de grandes centros, Onde o conhecimento e as preocupações eram tão limitadas, que comprometiam o prazer e a segurança da escalada.
Falando sobre suas dificuldades, o atleta conta que no começo de sua trajetória, foi difícil adquirir equipamentos e informações de qualidade, como: livros, vídeos, etc. Mesmo em frente às adversidades, ele evoluiu no esporte graças ao grande amor que tinha pelas escaladas: "fazendo milagre com Kichutes, usando cadeirinhas emprestadas com mais de 15 anos, abrindo as primeiras trilhas em novas pedras, fabricando proteções fixas, cliffs e batedores". Mas "foram bons tempos" - conta Márcio, quando fala dos dias longos à base de pão com mortadela e água, além das caminhadas em busca de pedras, que às vezes contabilizavam dezenas de quilômetros noite à dentro, regados é claro, de muito companheirismo dos colegas.
Em relação aos desafios enfrentados em alguma de suas aventuras, ele não esconde, que em várias, surgiu medo a ponto de desistir, como por exemplo, algumas que duraram de 8 a 10 dias, em que as adversidades foram muitas.
Durante a escalada da Pedra riscada/MG, ele teve que passar por situações de fome e sede, além de lances muito expostos, com constante risco de morte. "Na Pedra Riscada, após um longo esticão de corda a quase 1000 metros do solo, percebi que estava em meu limite e iria cair, com a pedra escorregando após chover e com as pequenas agarras quebrando constantemente. A única solução era saltar para uma touceira que se encontrava presa com suas finas raízes ao fundo de uma canaleta. Gritava ao segurador que ia saltar e ele berrava para eu não fazer, em meio à desesperada gritaria, dei o salto mais aterrorizante de minha vida". A distância média entre os grampos era de 25 metros, ele e seus companheiros passavam por riscos que deixavam seus nervos à flor da pele, não eram aceitos erros, pois poderiam ser fatais, caso houvesse uma queda, esta poderia ultrapassar os 120 metros.
"Já houve de tudo, pedras que passaram zunindo em minha orelha, esticões de corda aonde sabia que não podia cair pois as conseqüências seriam graves, ataques de marimbondo justamente quando estava pendurado em um instável cliff para bater um grampo, ou mesmo, uma vez em Brejetuba, no Vale do Paraíba, a apenas uns 15 metros do chão, que quase fui para o saco quando o parafuso da chapeleta que estava fixando estourou e me deixou em dois precários cliffs".
Os lugares que mais fascinam Márcio, para a prática do montanhismo, são: Patagônia, Serra dos Órgãos, Pernambuco e Maciço dos Marins. Na patagônia, além do povo, clima e paisagens, o que mais lhe atrai, são as adversidades que exigem o máximo do escalador. A Serra dos Órgãos também é uma de suas favoritas para a escalada devido à imponência de suas montanhas e de uma densa mata tropical. No Nordeste do Brasil, o estado mais marcante para ele, é Pernambuco. Devido ao carisma do povo e pelas formações Pedras do Cachorro e Bicuda, onde teve o privilégio de abrir vias. "Cada escalada registrou momentos ímpares" - justifica Márcio.
Quando perguntamos sobre quais foram as aventuras mais marcantes, ele destaca uma experiência forte e recente, enfrentando as temperaturas invernais da montanha Capitol Peak, uma das maiores montanhas americanas, localizada no Colorado. Após uma nevasca, teve que escalar com neve nas fendas, mãos congeladas e com pedras rolando por entre seus pés.
Outra aventura que lhe marcou muito, foi a abertura da "Vai, mas não cai não", é a maior via do Brasil, com grau máximo de exposição (E5). Com os escaladores Marcello Vazzoler e Ricardo Borbon, abriu a via "Ilusão do Sertão", na época a maior rota do Nordeste. Sobre os planos futuros, Márcio Bortolusso conta que está mais interessado em escalar grandes cumes nevados, como por exemplo, as montanhas dos Andes. Mas eu "combustível" é abrir novas rotas, melhor ainda, se for montanhas de difícil acesso.
Ao falar sobre sua participação em competições, o esportista brinca: "Não me agrada competir, brinco com os amigos que eu não ficaria bem com calça de lycra colorida". O atleta diz que seu principal objetivo no esporte, é contribuir para o desenvolvimento do montanhismo tupiniquim. Seja por meio de seus documentários, seja por suas ações como escalador, abrindo vias, realizando apresentações gratuitas e ações de limpeza. Há também, um projeto em andamento, de transformar a região dos Maciços dos Marins/SP e do Itaguaré (Mantiqueira)/MG, em um dos principais pólos de escalada tradicional do Brasil.
Assim como ele, existem outras pessoas e empresas que contribuem para o desenvolvimento do montanhismo realizando campanhas, fazendo mutirões de limpeza ou manutenção de vias. Márcio citou alguns grupos e pessoas, como as Federações de Esportes de Montanha do Rio de Janeiro e de São Paulo: FEMERJ e FEMESP e pessoas como o engenheiro florestal Edson Struminski, além de Sergio Tartari, Bito Meyer, Alexandre Portela, Eliseu Frechou, José Luiz Hartmann, Edmilson Padilha, etc. Sem falar em outros, que já abriram uma infinidade de vias para a comunidade, como Antônio Carlos "Tonico" Magalhães, André Ilha, Eduardo Vianna, etc.
O significado do montanhismo na vida de Márcio Bortolusso no momento, é simples:
"Pessoalmente, apesar dos bons anos que passaram, acredito que minha vida nas montanhas está apenas começando. Caso eu não morra, ainda pretendo escalar, fotografar e viajar muito, pelo Brazilzão e pelas principais cadeias de montanhas do mundo, em busca de novos cumes e de momentos felizes".
Formado em publicidade e propaganda, Márcio Bortolusso decidiu largar a vida publicitária e criar a empresa PHOTOVERDE. Justificou-se, dizendo que a necessidade de viver do que ama, falou mais alto, e que não consegue viver longe dos ambientes naturais, que hoje, são seu atual escritório, brinca.
Márcio caracteriza a PHOTOVERDE, como uma máquina que viabiliza seus sonhos, e os de sua esposa, que além de sócia, também é fotógrafa e "companheira de roubadas".
A PHOTOVERDE é uma empresa especializada em desenvolver projetos de cunho sócio-ambiental e desportivo. Desenvolvendo e apoiando expedições de caráter exploratório e divulgando imagens de montanhas. Também realizam documentários, coberturas fotográficas e assessoria de foto, vídeo e técnicas verticais, em parceria com grandes nomes nacionais e internacionais da mídia e da aventura.
Sua empresa é pioneira na produção de imagens temáticas de aventuras, natureza e cultura regional. A produtora assina inúmeras produções ao ar livre, possuindo um dos maiores acervos do gênero, no Brasil. Em suas produções constam milhares de imagens de escaladas, canionismo, espeleologia, rafting, montain bike, canoagem, biodiversidade, regionalismo, entre inúmeros temas.
O objetivo da PHOTOVERDE é "Consolidar o mercado brasileiro e contribuir com o mercado latino-americano de documentação da temática Vida Ao Ar Livre - em especial de atividades extremas e Montanhismo, praticamente inexistentes no Brasil até alguns anos atrás".
Em suas façanhas como produtor de documentários Márcio conta que realiza as coberturas de foto e vídeo no local, correndo, pedalando, remando, ao lado dos atletas. "Em 2 dos 3 documentários sobre o Desafios de los Volcanes que participei (na Patagônia, 14 horas em Rede Mundial), como cinegrafista-atleta contratado pela AXN - Sony Entertainment Television, fui capaz de cruzar a linha de chegada acompanhando os líderes das provas, após correr pernadas seguidas de até 60 quilômetros cada". Durante as provas em que faz cobertura, enfrenta dificuldades como: o peso dos acessórios que carrega, o pouco tempo que tem para dormir, falta de treinamento específico, juntamente com a obrigação de captar boas imagens.
"No final acaba rolando fotos e entrevistas, puxões para cima do pódio, aplausos, medalhinha, convites de grandes nomes estrangeiros para montar uma equipe e outras coisas que ao analisarmos percebemos que só servem como massagens no ego...continuo sem querer competir, mas fico feliz pelo sucesso com o resultado final de minhas imagens, que acabaram rodando mais de 50 países com menções especiais sobre o meu trabalho como documentarista, e ao descobrir o quanto posso estender os meus limites físicos e psicológicos".
Agradecimentos: Gratidão especial aos meus patrocinadores GORE-TEX®, WINDSTOPPER® e SOLO®, parceiros fundamentais para o sucesso de minhas ações, empenhados em contribuir diretamente com o desenvolvimento coerente do Montanhismo nacional. Para quem quiser conhecer um pouco mais de nosso trabalho, podendo enviar críticas ou sugestões: www.photoverde.com.br
Equipe INEMA
Fonte:
Márcio Bortolusso Cidade:
São Paulo-SP Fotos: Márcio Bortolusso Publicado: Ananda Franco Garcia DATA: 21/02/2008
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Bortolusso e Fernanda Lupo, esposa, sócia e companheira, nas ruínas de Tiwanak/Bolivia
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Mãos ainda destruídas, um mês após uma escalada de 7 dias de parede
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Travessia traiçoeira nas Montanhas Rochosas
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Fazendo oque mais gosta em plena Cordilheira Real
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Documentário sobre a escalada na Pedra Riscada
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Durante exploração de cavernas em Sengés
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No cume do Alpamayo Chico, Bolivia
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Cruzando a Cordilheira dos Andes, da Argentina até o Chile, em 2005
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Uma de suas diversões, salto de pontões sem proteções
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A máquina que realiza os sonhos de Bortolusso
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Dez dias de árdua documentação na Face Leste do Pico dos Marins
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14 horas de portagem de equipos pelas encostas do Maciço dos Marins
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Durante abertura de vias em solitário no Maciço dos Marins
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Abertura do Teto de Mambucaba, 15 metros negativos em Angra dos Reis
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A dupla de documentaristas Márcio Bortolusso e Ferndanda Lupo
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Após escalar a instável crista inicial do Capito lPeak
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Entre as torres de arenito do Monument Valley
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Trabalhando nas águas de Prudentópolis, a Terra das Cachoeiras Gigantes
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Ancoragens móveis e naturais na Serra do Cipó(MG)
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Última proteção da via Pata de Guaiamun, primeira da cidade de Angra dos Reis
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Um dos escritórios da PHOTOVERDE - Gruta da Pratinha(BA)..
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Após dez dias de esforços, no cume da Face Leste do Pico dos Marins
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Em casa... na Serra da Bocaina
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Base de trabalho... interação e respeito pela Comunidade Local
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Paraná... um clique, uma tomada, um clique
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Márcio e sua companheira, a também fotógrafa Fernanda Lupo
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