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Além dos Limites 2008 - A aventura de Miguel Martinez Junior

No dia 03 de fevereiro de 2008, o motociclista Miguel Martinez Junior quebrou o Record brasileiro de longas distâncias em motocicletas, em menos de 24 horas. Confira:

Qual é uma grande distância a percorrer em uma viagem de um dia nas nossas estradas: 500 kilômetros ? 600 ou até 1.000 ?

Pois foi com espírito de desafio que Miguel Martinez Junior, morador há mais de 8 anos do São Conrado, experiente motorista e piloto de motocicletas, resolveu quebrar o Record brasileiro de longas distâncias em motocicletas, em menos de 24 horas, proposto pela Iron Butt Association, uma associação de motociclistas baseada nos Estados Unidos, que tem como lema de seus associados os "pilotos de motocicleta mais durões do mundo".

Após um planejamento detalhado da viagem, onde até os postos de abastecimento no percurso foram escolhidos, a data definida foi o domingo de carnaval, por possibilitar menor trânsito nas estradas.

Ás 2:12h da madrugada de domingo, com todo o equipamento necessário para uma pilotagem segura e confortável, contando inclusive com equipamento de GPS para oficializar o percurso e tempo, da portaria do São Conrado Miguel deu a partida de sua motocicleta Suzuki, V-Strom de 1.000 cilindradas, moto de grande porte, do grupo das big touring, que permite percorrer com segurança e rapidez grandes distâncias. Relâmpagos na direção da rodovia indicavam que o desafio ia ser difícil.

Moto na estrada, madrugada fria no verão e as primeiras sensações: incerteza de que o corpo ia conseguir suplantar a extensa maratona sobre a moto, a chuva iminente e um possível sono, pois quem consegue dormir na véspera de uma viagem destas?

Em Limeira começa a chuva, forte, mas os equipamentos de proteção isolam o corpo. A moto, grande e pesada mostra uma estabilidade impressionante, enfrentando o asfalto molhado como se estivesse seco. Não há perigo de aquaplanagem, a tocada continua firme e veloz. A visibilidade só é prejudicada quando a velocidade diminui, senão, o vento limpa as gotas da viseira do capacete.

Quatro horas da manhã, depois de Ribeirão Preto, o primeiro problema. A adaptação elétrica para o GPS começa a falhar, o que obriga a uma parada rápida para cortar e isolar os fios, evitando problemas maiores. As baterias do GPS vão ter que agüentar até o fim. E agüentaram.

Apesar de estar com mp3 player, com centenas de músicas escolhidas para o percurso, não quis usá-las, para não perder a concentração, disse Miguel. Não estava passeando, estava competindo.

As marcas do asfalto passam rápido. O dia chega. Chegam também Uberaba, Uberlândia, Catalão e antes do meio dia Brasília, que neste dia, de feriado, parece estar pura das denúncias dos jornais.

O ponto da viagem mais extremo para o norte, é alcançado. Em quinze minutos, algumas paradas para fotos. A Catedral, a Praça dos três poderes e o Palácio da Alvorada ficam para trás. 927 quilômetros percorridos e começa a viagem de volta. Mais chuva, forte ou fraca, mas companheira de todo o percurso.

As botas cheias de água, o corpo molhando aos poucos, pelas entranhas da roupa impermeável, o frio nas mãos, obrigam a uma parada para um rápido banho quente e troca das roupas. 45 minutos depois e cheio de coragem, a viagem continua. Um susto: caiu o pedal de freio. Por sorte ficou pendurado. Uma parada rápida para pegar as ferramentas e está de novo no lugar.

Na passagem de volta por Ribeirão Preto, a família de Miguel, que vive lá vai de encontro a ele em um posto de Gasolina no caminho, para uma rápida homenagem. Devem ter pensado "tem gosto prá tudo neste mundo", mas apoiaram. Um beijo de despedida e estrada de novo. Tchau, vai com Deus. Cuidado, são os conselhos que ficaram na memória.

Perto de chegar em Campinas, o odômetro dizia que ia dar um total de aproximadamente 1.900 km, insuficientes para quebrar o Record de 2.025 Km. A decisão foi rápida: Não parar. Depois de quase 2.000 Km, passar pela rodovia D. Pedro I, perto de casa e não vir para casa para um banho gostoso e uma cama quentinha e macia foi difícil. Parece que agora o corpo sentiu: vieram as dores nos ombros, na bunda, frio e cansaço.

O ritmo diminuiu, precisava ser mais cuidadoso. A viagem durou até Jacareí, na Dutra. Ponto final. Podia voltar prá casa. Os últimos 120 Km passaram voando. Contagem regressiva: 119...118...117..., só se pensava na parada final.

1:07h da madrugada da segunda feira e moto e piloto chegavam em seu ponto de partida. Os seguranças do condomínio, na portaria, saíram para ver a chegada do aventureiro. Dolorido, cansado, mas cheio de orgulho. Não ia ganhar nada com isso, mas venceu um desafio a que se propôs: 2.150 Km em 22h e 55 minutos.

Record Brasileiro, segundo os dados da associação americana.

Ia entrar pro seleto grupo de motociclistas mais durões do mundo.

Ninguém ia ficar sabendo, mas ele sim..... Parabéns!!!

Faça realizar seus sonhos. Ou pelo menos tente !!!

Fonte: Miguel Martinez Junior
Cidade: Campinas-SP
Fotos: Miguel Martinez Junior
Publicado: Thainá Costa da Silva
DATA: 21/02/2008 <%insert_data_here%>

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