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Aconteceu de 11 a 20 de janeiro de 2008, a 9ª Cavalgada Cultural da Costa Doce, com saída de Guaíba até Pelotas/RS. Confira a participação de Sandro Oliveira na Cavalgada da Costa Doce 2008.
Sandro Oliveira, 38 anos, gerente de locações em uma administradora de imóveis, nasceu em Porto Alegre. Viveu boa parte da infância em Soledade, terra de sua mãe e lá aprendeu tudo sobre lida campeira, o que lhe fez gostar de cavalos desde pequeno.
Há 8 anos possui um cavalo mestiço crioulo, de 17 anos. Antigamente, quando sentia muitas saudades de andar a cavalo, Sandro viajava para o interior, certa vez, seu primo convenceu-o a comprar um cavalo para laçar nos rodeios. Depois, por intermédio de amigos se associou ao CTG Estância da Azenha e lá se sentiu em casa, pois o CTG sempre teve uma campeira muito forte e sempre faz cavalgada.
Desde então, o cavalariano não parou mais, já participou de várias edições da Cavalgada do Litoral norte, Cavalgada da Serra, Cavalgada de Viamão ao litoral, Família da Costa Doce, Linha Pomerano em São Lourenço. Além disso, participa dos passeios a cavalo dentro de Porto Alegre.
Sandro, sempre ouvia seus amigos comentar sobre a cavalgada da Costa Doce, relatando suas belezas naturais, os desafios e a estreita relação com a lida de campo, como percorrer trechos de antigas tropeadas. No entanto, ele sempre optava por fazer a Cavalgada do Mar, não sendo possível fazer as duas pela proximidade das datas. Mas, com o passar do tempo, ele foi seduzido pelas histórias contadas e resolveu aceitar o convite de Carlos Gonçalves para participar da cavalgada da Costa Doce. O evento superou suas expectativas, tanto que ele já está no seu segundo ano de participação e ansioso para que chegue a próxima.
O cavaleiro avalia a Cavalgada da Costa Doce, como a melhor cavalgada para aqueles que gostam de andar a cavalo, pois ela é interativa. "Você não só anda a cavalo por um roteiro, você interage com a natureza e com os outros participantes. Há um clima de profundo companheirismo entre todos, em certo momento, parece que você sempre conheceu aquelas pessoas, ali realmente todos se despem das formalidades para vivenciar um ambiente familiar fraterno, em comunhão com as coisas da terra da natureza. Existem lugares na Costa Doce que somente quem anda a cavalo tem oportunidade de conhecer e são lugares de belezas naturais indescritíveis.", conta emocionado.
Durante o percurso, o lugar que considerou mais fascinante foi a Ilha da Feitoria e posteriormente, a travessia da Lagoa Pequena. "A travessia é de uma hora e meia. Você olha para todos os lados e só vê água e o horizonte bem distante, não há dinheiro que pague esta paisagem.", revela.
Sandro considerou o roteiro da Cavalgada da Costa Doce surpreendente e encantador. "Entre as cavalgadas que já participei, com certeza essa é a que oferece o melhor roteiro, a campos matos, água, estrada, cidades, em alguns momentos se sente completamente de voltas aos tempos de guri no meio do campo. Além disso, a natureza exuberante da costa da Lagoa dos Patos, as travessias dos arroios por dentro da lagoa, a travessia do Rio Camaquã e o pouso nas fazendas foi o que mais chamou minha atenção na cavalgada", lembra ele.
Segundo Sandro, a cada ano que passa, sente-se mais integrado aos participantes do evento e ao espírito da cavalgada. "Sempre há uma nova história a ser aprendida, um novo lugar a conhecer.", relata.
Em relação à organização, considerou a de 2008 mais organizada que a anterior. "Os organizadores, realmente, se propõe a fazer com o nome sugere: "Cavalgada Cultural da Costa doce", o empenho deles é para que tenhamos uma experiência única", conclui.
Sandro participou da cavalgada com a campeira do CTG Estância da Azenha, pois o propósito das cavalgadas é sempre reunir grupos, fazer amigos e estreitar relações. "Não há motivo para fazer uma cavalgada sozinho", conta.
Na cavalgada da Costa Doce, a equipe de apoio é fornecido pela organização, de qualquer forma o grupo levou um capataz para cuidar do acampamento, junto com o motorista do caminhão de apoio, que também é muito campeiro. "Até o nome é campeiro e "macanudo": seu Nilo Gato.", diverte-se. Em um evento como esse, os cuidados com os cavalos ficam nas mãos de seus cavaleiros, para que o campeiro e o cavalo tornem-se um conjunto, onde um depende só do outro. "Você precisa vivenciar o dia a dia junto com seu animal.", enfatiza.
Desde setembro de 2007, Sandro e seu grupo vinham se preparando, primeiro com a formação do próprio grupo, depois os veículos para o transporte dos animais e para o apoio. Como neste ano o grupo formado era mais homogêneo, ou seja, com um pessoal mais acostumado com a lida campeira, optou-se por um apoio sem muito conforto, só com um caminhão boiadeiro para transporte dos animais. "A maioria dormia no lado de fora, em cima dos "haperos" e a lua como cobertor", conta rindo.
O cavaleiro ressalva que as dificuldades fazem parte de uma cavalgada tão extensa como essa, "São 330km, não é para qualquer um, alguns dias de trechos longos (de 52km), é normal o cansaço tomar conta. O sol forte e os corredores de campos e estradas empoeiradas, também favorecem a indisposição, nada que dois Dorflex não resolvam. Não é muito recomendável para iniciantes, aqueles que não estão acostumados, aconselharia a fazer a cavalgada em parceria (um dia para cada um)."
Para Sandro, as cavalgadas representam em sua vida um meio de resgatar a cultura gaúcha, como as antigas tropeadas, um meio de conhecer novas pessoas e fazer novas amizades, um meio de reafirmar os laços de amizade e parcerias daqueles que se propõem a participar junto com o grupo, Um meio de conhecer lugares deslumbrantes, um meio de tornar realidade a máxima do campeirismo, que o gaúcho e o cavalo são uma coisa só, um meio de retornar as coisas simples da vida.
Oliveira considera-se o maior incentivador para que as pessoas participem de cavalgadas. "Sou até meio suspeito de falar, pois sou apaixonado por cavalgadas. Nos 355 dias do ano a vida passa voando diante dos seus olhos, sem que você possa ver e refletir sobre a vida e nos 10 dias da cavalgada você encontra-se consigo mesmo. Tudo passa lento diante dos teus olhos e por breves dez dias, você pode apreciar as coisas belas da vida, é uma emoção e sentimento que te acompanham pelo resto do ano, é um oásis em meio ao turbilhão da vida cotidiana.", reflete.
Empenhado em manter o tradicionalismo gaúcho, Sandro faz mais uma reflexão: "Fundamental é tentar manter a simplicidade do homem rústico, sem invencionismos, é manter o amor a sua cultura sem fanatismos, antes de impor agregar, é saber que o tradicionalismo não é uma religião ou credo, não é um direito de uns e sim preservar o passado para conhecer o futuro é ter identidade, coisa que a cada dia temos menos. Em um mundo globalizado, somos sombra de outros que se sobrepõe. Resgatar o orgulho de um povo não é defeito e sim uma virtude."
EQUIPE INEMA
Fonte:
Sandro Augusto Silva de Oliveira Cidade:
Porto Alegre-RS-Brasil Fotos: Sandro Augusto Silva de Oliveira Publicado: Ana Lúcia do Carmo Saldanha Date: 19/03/2008
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