|
Aconteceu, nos dias 7, 8 e 9 de março de 2008, o VIII Enduro dos Pampas em Taquara/RS. Confira a participação de Ronésio Cascaes no evento:
Eu sempre digo que a turma dos enduros é como uma família. Encontramo-nos de vez em quando para rever os amigos e muitas vezes aumentar esta família.
No VIII Enduro dos Pampas, tive a oportunidade de rever os amigos e fazer novas amizades. Tive a oportunidade de conferir de perto o verdadeiro espírito dos trilheiros que não abandonam um parceiro nas condições mais difíceis.
Como o segundo dia de prova não valia para a minha categoria, me propus a fazer todo o percurso com o objetivo de fotografar e registrar as imagens para o Inema (ver fotos no site). Larguei no meio dos máster e fui fotografando a galera nos trechos estratégicos.
Entrei no canyon Josafá e passei por uma galera dos Trilheiros do Vale que estavam apoiando a prova e se posicionaram em um local perigoso para orientar o pessoal que descia.
Na descida do Josafá, achei um ponto estratégico e fiquei fotografando quem passava. É muito interessante ver a prova por este ângulo diferente, e de lambuja, brincar com a galera que está se ferrando na descida.
Depois que muitos passaram, o piloto 134, Jorge Santos, de Santa Cruz do Sul vinha se arrastando descida abaixo. Em um tombo leve na entrada do canyon, sua moto bateu com a tampa do filtro de óleo em uma pedra, quebrando a carcaça e perdendo o óleo do motor. Ele vinha trazendo a moto na raça, e já estava muito cansado. Parou logo à minha frente para descansar e eu disse para ele aguardar os limpa trilhas que deveriam chegar logo.
Desci alguns metros com minha moto até uma cascata para fazer umas fotos. Depois de algum tempo surge a galera dos Trilheiros do Vale, Sirlon Hofmann, popular Chico, Jaisson Andrade e Luiz Aso, dando apoio para o Jorge, uma vez que tinham terminado o trabalho de apoio à prova.
Pararam justamente na cascata, pois à frente tinha uma subida de uns cem metros, que a moto desligada não iria subir. O Jorge, já esgalepado, deitou no córrego para se refrescar.
Foi neste ponto que começou nosso martírio e pude constatar a fibra da galera que não se entrega por qualquer motivo. Peguei a corda na minha moto e amarramos na frente da Suzuki DR350. Improvisamos uma canga com pedaço de madeira e subimos o trecho puxando a DR.. Eu e o Chico na canga, o Jaisson mais no meio, o Jorge tentando segurar o guidom da moto e o Luis apoiando a traseira.
Feito bois de canga, fomos subindo lentamente pelo meio do barro e das pedras, ainda sobrando tempo para uma brincadeira ao estilo dos antigos colonos.
- Anda Mimoso, "vorta" Fumaça, Mimoso, seu desgraçado - gritavam os parceiros como se fôssemos bois de canga na lida do campo.
Entre um grito e outro fomos até o topo onde o Jaisson amarrou a DR na traseira do Tornado e com o Chico assumindo a DR se foram trilha afora, de reboque.
Voltamos e pegamos as motos e fomos atrás. Encontramos os dois nos aguardando, pois nova subida nos esperava. Voltamos de novo ao ritual, porém os gritos já eram mais espaçados, pois estávamos ficando cansados. Novamente no topo, o Jaisson e o Chico assumiram e foram embora.
Voltamos mais devagar para as motos e seguimos em frente até encontrá-los junto do riacho no topo da cascata. A esta altura do trabalho já estávamos todos cansados, literalmente na "capa da gaita". Demos um tempo e nos refrescamos no riacho para começar tudo de novo. Foi quando me lembrei de tirar umas fotos, pois todo este esforço não seria em vão. Após as fotos dos bois, digo, dos guincheiros, fomos para mais uma subida penosa. Esta parecia maior e mais íngreme (só parecia).
As pernas não obedeciam ao comando do cérebro e teimavam em tropeçar. Para complicar, havia vários degraus de pedra onde a DR trancava, e a subida era lisa que nem sabão, e escorregávamos o tempo todo. Tínhamos que firmar os pés e puxar a moto pela corda. Nos deslocávamos de novo, firmávamos os pés e subíamos morro acima, até o topo. Desnecessário dizer que o restinho de forças que me sobraram mal dava para descer e pegar a minha moto, quanto mais enfrentar a subida. O Jaisson amarrou a DR na Tornado e gritou para o Chico.
- Não pede para eu parar - e lá se foram pela trilha, aos trancos e barrancos.
Voltamos para as motos, junto ao riacho e neste momento apareceram o Frutinha, o Farelo e o Sandro, dos Trilheiros de Canoas fazendo o limpa trilhas. Tenho que cumprimentar estes três. A moto do Maurão, líder dos limpa trilhas, pifou. Eles levaram o Maurão de volta para o posto, pegaram a planilha e se foram Josafá abaixo, cumprindo o papel deles, mesmo um tanto atrasados, mostrando que compromisso assumido é compromisso cumprido, para não deixar ninguém para trás, e mostrando o verdadeiro espírito dos trilheiros.
Pedimos para eles irem em frente e apoiarem o Jaisson e o Chico. Foi ai que estes dois deram um show a parte, que infelizmente não pude registrar, mas pude imaginar pela dificuldade que tive de passar sozinho com a CRF 230 por trechos de barro e pedras, descidas íngremes e cotovelos, só imaginando como foi que eles passaram por estes locais. Com dificuldade, pois as pernas não se governavam mais, cheguei até um trecho de estrada onde uma camionete enviada pela organização esperava para resgatar a moto quebrada.
Numa última brincadeira, me ajoelhei aos pés do Chico e Jaisson, e fiz uma reverência ao ato de heroísmo dos dois por descerem o resto da pirambeira amarrados um no outro e fomos em direção à cidade de Três Forquilhas.
Só então pude relaxar a curtir a beleza do local, passando pela beira do rio e chegando por último na praça da cidade e vibrando muito com a chegada. O Luiz Aso decolou na rampa e fez uma chegada digna de motocross para o delírio da galera que assistia a tudo.
Sem dúvida, este Enduro dos Pampas vai ficar para a história e vou contar para os netos como tudo aconteceu.
Aos pilotos limpa trilhas, Frutinha, Farelo e Sandro o meu abraço e a honra de fazer parte do Trilheiros de Canoas.
Ao Jaisson, Chico e Luis Aso, a minha homenagem ao narrar esta história, pelo esforço, dedicação e por mostrarem o verdadeiro espírito dos trilheiros, onde não se abandona um irmão do barro em dificuldades.
Temos a certeza que agora, também podemos chamá-los de GUINCHEIROS DO VALE.
Um grande abraço a todos e até a próxima.
ronesio@superig.com.br
Fonte:
Ronésio da Silva Cascaes Cidade:
Três Forquilhas-RS-Brasil Fotos: Ronésio da Silva Cascaes Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 24/03/2008
<%insert_data_here%>
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
|