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Nei Maldaner esteve no Diavik 150, que aconteceu de 28 a 30 de março de 2008 em Yellowknife, NT, Canadá. Confira as impressões dele sobre a prova, além da descrição de como foi a preparação e a largada dos competidores.
Nós muitas vezes não temos idéia do que realmente seja uma corrida de cães. No Brasil, já se viu corrida de cavalos, carros, motos e de outras máquinas. Mas na corrida de cães, assim como na de cavalos, existem limites, pois existe vida, que mesmo o piloto ou o musher, têm que administrar.
Mesmo assim, é uma prova de superação, de bater recordes. Para mim, um iniciante nesta área, apesar de já ter andado em passeios com cães, aprendi muito neste tipo de corrida. Começando com o cuidado que devemos ter com os animais, a preparação que não se vê, mas que demanda atenção. Não somente no dia da prova, como também durante o ano inteiro ou durante toda a vida do cão. Observei o cuidado e atenção com os cães, o carinho dado a eles, como o de um pai, distribuindo atenção aos diversos filhos.
A alimentação, o conforto, o aquecimento e o alongamento durante uma manhã fria, de -27°C ou mais. Inicialmente se prepara os animais colocando proteções em suas patas, como botinhas ou pasta. Após preparar o trenó, chega a vez de selecionar os cães. É preciso administrar a escolha, para que a corrida seja eficiente, sadia e sem sofrimento, tanto os cães quanto para os mushers.
Esses cães, diferente do que eu havia pensado, são muito afetuosos. Porém, latem muito e não ficam quietos um minuto. Por isso, são deixados em suas casinhas até a hora de partir para a corrida.
O público chega em cima da hora e de uma hora para outra. As crianças pequenas vêm muito agasalhadas, para enfrentar o frio rigoroso de -20°C. Mesmo assim, elas ficam felizes da vida ao ver os animais, e seus pais estão sempre a postos com câmeras fotográficas.
Aqui, vejo todos com seu cão de estimação, até mesmo no hotel, onde é um entra e sai de cães. Desta forma, eles acabam fazendo parte da vida das pessoas. Porém, os cães usados no trenó, são mais "funcionais", ou seja, utilizados para corridas. Só há cães leves, normalmente, de caça.
Assim como lobos e raposas, os cachorros de corrida se adaptam muito bem no frio, aliás, eles precisam de ambientes frios. Mesmo assim, os competidores têm a preocupação em preservá-los de um frio muito intenso.
Chega a hora da largada. O diretor da prova sobe no palanque e mostra uma bandeira preta, onde está escrito "10 minutos". O público começa a se mover para a pista, após o encontro de cada um dos competidores. Cada musher possui a sua pista, que ao todo, parece um funil, pois no final, todas se unem em uma só.
Surge a bandeira vermelha, isso quer dizer que faltam cinco minutos para a provo e os cães já estão prontos. Quando entra a bandeira verde, falta apenas um minuto para a corrida começar. O diretor da prova pega sua espingarda e se prepara para dar os tiros de largada: Pupupum - saem todos. Neste momento, só se ouve o barulho dos trenós deslizando e de alguns cachorros latindo.
O silêncio do público mostra a expectativa para ver quem vai chegar primeiro na saída do funil, e logo começam a surgir os primeiros trenós. No primeiro dia de competição, um dos trenós deitou e foi puxado, mas agilmente o musher conseguiu levantá-lo. Enquanto todos passavam, vi um dos trenós ainda vindo, era o número 9 Lola Rancher, seu trenó foi travando e largou em último.
Os trenós vão fazendo o contorno no Frame Lake - um lago junto à Prefeitura, todo congelado, com carros e a pista sobre ele. O desenho da pista foi muito bem feito, pois permite o público ver o circuito de vários ângulos. Assim, conforme os trenós andam, todos se movem para a pista ao lado, onde os trenós chegarão em minutos.
Em seguida começa a disputa pelas posições, vi até quatro trenós juntos - uma visão lindíssima. Haviam crianças posicionadas ao lado da trilha, pais e mães com filmadoras e câmeras fotográficas, todos tentavam enquadrar os filhos e os cães. Também havia muitos turistas japoneses observando a prova, eles vem à cidade principalmente para ver a aurora boreal.
Passam muitos trenós por nós e por último, um dos juízes, que estava de snowmobile ou snowmachine - como também é conhecido. Desta maneira, todos saem do lago muito calmamente, e felizes, comentando sobre a prova. Três hotas depois, o público voltava ali para ver a chegada.
Como eu havia dito, a pista era muito bem feita, por isso, praticamente sem sair do local, as pessoas conseguiram ver os trenós passando de quatro a seis vezes, na estrada de gelo, que é no meio do lago. Quem se movimentava um pouco, era capaz de ver os competidores de oito a nove vezes.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Yellowknife, NT, Canadá-EX-Canada Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Ananda Franco Garcia Date: 01/04/2008
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