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Moto Viagem Deserto de Atacama 2007 - 5° Dia

Entre 28 de setembro de 2007 a 15 de outubro de 2007, os motociclistas João Carlos Comin e Evandro Cademartori, realizaram mais uma aventura sobre duas rodas cujo destino foi à cidade de San Pedro de Atacama - Chile. Confira 5° Dia

5° Dia - 02 de outubro de 2007 - San Salvador de Jujuy/ Tilcara/ Purmamarca/ Susques - 255 km rodados

Agora com animo renovado devido ao conserto da moto do colega Evandro, estávamos iniciando neste dia a grande aventura de subir a cordilheira dos Andes rumo a San Pedro de Atacama.

Seguimos em direção ao norte pela Ruta 9 rumo a Tilcara, outra pequena cidade no coração da Quebrada de Humahuaca, com oito mil habitantes, a uma altitude de 2.484 m.a.n.m. Considerada a capital arqueológica da província de Jujuy e um centro cultural de importância regional, Tilcara é o lar de muitos artistas que aqui mantém seus ateliês.

Sua popular praça central é palco de apresentações folclóricas à noite. A cidade também é residência de veraneio de muitos moradores de San Salvador de Jujuy e de outras localidades maiores, o que significa que na época do verão o povoado pode lotar.

As ruas do povoado são quase todas de terra com poucas ruas calçadas, minha impressão na chegada é que estávamos entrando num cenário cinematográfico

Apesar de pequena, Tilcara tem uma boa oferta de lugares legais para ficar, mas quem pretende conhecer a quebrada de Humahuaca é bom reservar hotel, pois a cidade lota em feriados e em alguns finais de semana.

Visitamos La Púcara, uma fortaleza no alto de uma montanha, antigamente utilizada pelos índios para se protegerem de invasões. Fica a 1 km do centro de Tilcara, conectada a cidade por uma ponte antiga de ferro com passagem para um veiculo por vez, e com piso de madeira, com grandes frestas, que tivemos que fazer malabarismo para poder passar com as motos.

Outra visita foi ao Jardim Botânico de Altura, onde são cultivados os Cactus gigantes chamados de Cardon, protegidos por lei Federal, seu corte está suspenso em toda a região. Esta reserva é administrada pela Universidade de Buenos Aires. Visitamos também o Museo Arqueológico.

Após as visitas seguimos em direção a Purmamarca, um pequeno e desolado povoado indígena, com ruas de terra e poeirentas, que não parece ter mudado muito desde sua fundação em 1594.A igreja, na praça central, data de 1648, e é feita de adobe pintado de branco, com teto em detalhes em cardon. Para quem não conhece adobe são tijolos de tamanho grande feitos com barro e palha, sistema bastante primitivo utilizado até hoje em larga escala na região Nordeste.

O cardon é um cactus gigante cuja madeira é bastante dura e com um aspecto muito bonito devido a sua aparência de uma grande renda que são as fendas por onde circula e é armazenada a água para sua sobrevivência. Este espécime cresce um centímetro ao ano e pode atingir 25 metros de altura.

Em frente ao pequeno templo religioso , encontra-se um imponente algarrobo árvore da região (de popular madeira para moveis e esculturas), que dizem ter mais de mil anos. A área da praça se completa com um atraente mercado indígena. Purmamarca é um lugar bastante tranqüilo, com menos de 500 habitantes, pitoresco e agradável para algumas horas, antes ou depois de passear pelo Cerro da Siete Colores, uma das maiores atrações da região.

Chegamos a esta cidade por volta das 12,30hs., o calor estava insuportável, e fomos procurar um lugar para almoço e pausa para um descanso. Entramos no restaurante Los Morteros, com ambiente finamente decorado, com boa comida mas com deficiência no atendimento.

O cardápio é bastante desconhecido fugindo radilcamente de nossos abitos brasileiros. Arrisquei e pedi um falso risoto de quinoa com verduras da estacion, crocante de quesos e hongos de volcan. Traduzindo nada mais era do que uma espécie de carreteiro só que em vez do arroz utilizam um cereal parecido com trigo , fungi ou cogumelos e verduras. Sinceramente não gostei.

O Evandro pediu um prato parecido com ala minuta , bife, arroz, ovo etc..

Almoçamos , descansamos um pouco, caminhamos pela pequena vila e estávamos prontos para iniciar a subida da Cordilheira dos Andes, em direção a Susques , nossa próxima parada para pernoite.

A estrada com um ótimo asfalto, bem sinalizada mas que exige atenção total do piloto pois as curvas são incontáveis, o vento muito forte e as proteções laterais inexistem devido a grande extensão do trecho. Outro fator que devemos cuidar são as pedras e pedregulhos presente no asfalto devido a pequenos desmoronamentos. O cuidado deve ser grande pois qualquer desatenção pode resultar em um tombo ou descer a cordilheira pela lateral provavelmente sem retorno.

Esta viagem até Susques exige tempo pois os lugares para fotos são inúmeros e a paisagem deslumbrante. Neste trecho inexiste gasolina e qualquer outro tipo de serviço.

Após curtir esta bela viagem , embora um pouco cansados, devido à energia dispensada na pilotagem, chegamos a vila de Susques, também chamada "Portal dos Andes".

A cidade , ou o vilarejo resume-se em uma rua, com canteiro no meio, onde estão localizados os principais prédios comerciais e serviços. O lugar é bucólico e transmite aos visitantes uma energia positiva , transformada em tranqüilidade, Seus habitantes são todos indígenas. É comum visualizar perambulando pelas ruas lliamas, animal comum em toda região da cordilheira.

Optamos em ficar hospedados em uma pequena pensão localizada na rua principal, embora um pouco adiante de Susques em direção ao Atacama existe um bom hotel, restaurante e uma bomba de gasolina.

Ao cair da tarde começou a esfriar rapidamente , e os efeitos da altitude começaram a ser sentidos por mim e pelo Evandro. Estávamos a 3.500 m.a.n.m. e tínhamos mais uns 1. 300 metros de subida até atingirmos a fronteira com o Chile "Paso de Jama".

Circulamos pela vila, de mais de 400 anos, e fomos até o único local com gasolina para abastecer as motos, mas não tivemos sorte pois o motor da bomba estava estragado. A solução seria abastecer no dia seguinte no outro e único posto em direção ao deserto.

A principal atração de Susques é a pequena igreja , toda construída de adobe com madeirame todo em cardon, e o piso de chão batido. Nesta igreja existe um conjunto de pinturas em murais nas paredes semelhante a outras existentes nas igrejas del antiguo Alto Peru colonial.

Estas pinturas, segundo alguns pesquisadores, foram realizadas em 1.872, por um artista denominado Gregório Solis.

À medida que a noite avançava aumentava o mal estar , principalmente do meu colega. A altitude modifica todos os órgãos vitais do corpo humano devido à falta de oxigênio no sangue. O proprietário da pensão Sr. Aníbal Gustavo, recomendou que evitássemos comer muito, pois o principal efeito da altitude age sobre o metabolismo.

O Aníbal é cozinheiro profissional com diploma estampado em um quadro sobre a parede. Estava terminando as obras do primeiro restaurante a ser implantado em Susques cujo nome será "La Vicunilla".

Conforme as recomendações, nossa janta foi um caldo feito com legumes, servido em uma tigela de barro.

No meio da noite meu colega começou a passar mal, não conseguia dormir e se queixava de uma pressão no peito que dificultava sua respiração. Combinamos, que se não houvesse modificação no quadro, no dia seguinte voltaríamos em direção ao Brasil .

Constatamos que a pressão sobre o corpo humano, na altitude, se intensifica durante a noite.

O frio na madrugada era muito forte acredito que em torno de - 15°C, eu literalmente enforquei o banho pois o chuveiro não esquentava devido à temperatura da água. Entre enforcar o banho ou contrair uma gripe ou pneumonia optei pelo primeiro.

Pela manhã o Evandro já estava melhor, pois a pressão ocorrida durante a noite, no meio das montanhas da Cordilheira havia diminuído um pouco, e nossos organismos estavam começando a se adaptar a altitude.

Fonte: João Carlos Comin
Cidade: San Salvador de Jujuy-EX-Uruguay
Fotos: João Carlos Comin
Publicado: Thainá Costa da Silva
Date: 01/04/2008 <%insert_data_here%>

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  Evento 7712 - Moto Viagem Atacama 2007

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