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Confira o relato da viagem de Rogério Schröder do Paraná ao Rio de Janeiro de lancha realizada em final de março e início de abril de 2008.
Já na madrugada nos recolhemos aos camarotes e devido à empolgação, pelo que nos esperava no dia seguinte, o sono não foi dos melhores. Às 5 da manhã o despertador toca e todos de pé e prontos para a partida. Ainda escuro colocamos os barcos de proa para o rumo de Santos e fomos mar adentro. O mar estava bastante picado e sentimos logo que o tal "passeiozinho" não ia ser tão simples assim.
Eu o Tércio começamos a enjoar e tive de me concentrar o tempo todo na paisagem para evitar o famoso chamar o "Hugo". Já o Tércio não agüentou e como ele mesmo dizia chamava o "Joel", vomitando 3 vezes durante a primeira parte do percurso. Isto logo virou a brincadeira da viajem uma vez que ele só então ficou sabendo que Joel é o nome de meu pai, daí perguntava a ele: "Onde tá o Joel?".
Conforme o estado de enjôo ele respondia: "Já está em Camboriú" ou quando melhorava "Voltou pra Porto Alegre". Aliás, meu pai, experiente navegador, nos monitorava constantemente pelo celular a busca de notícias.
A visão da do litoral paranaense me impressionou bastante, apesar de nos distanciarmos da costa, era visível as diversas enseadas e praias que embelezam a região. Afinal como bom gaúcho estamos acostumados a nossas extensas praias em forma reta.
Aproximando-nos ao porto de Paranaguá pude contar mais de 30 navios manobrando e a maioria com destino ao sul do Brasil. A movimentação de cargas é muito grande na região. Fato pelo qual se deve ter cuidado para evitar acidentes com navios, principalmente por barcos de baixa velocidade como veleiros e também à noite.
Após 7 horas ininterruptas de navegada, chegamos a Santos por volta das 13:00 horas, nos dirigimos a Porto Marina Astúrias, uma enorme e bem estruturada Marina com vaga para 600 embarcações. Ponto negativo foi para a forte poluição das imediações da Marina, principalmente em seu canal de acesso. Não serve de consolo, mas as condições do nosso Lago Guaíba estão bem melhores.
No quesito consumo o barco na velocidade que empregamos a torno de 30 milhas por hora estava em torno de 80 litros por hora por motor. Quando assumi o comando pude sentir a diferença em reduzir um pouco a velocidade. Baixando para 27 MPH, o consumo reduziu consideravelmente ficando em torno de 60 litros por hora por motor, o giro dos motores ficou em 2200 RPM.
Estes dados são fornecidos instantanemante pelo ótimo e completo sistema de computador de bordo da Mercury, o Smart Craft. Outro recurso disponível é o de sincronização dos motores, através do acionamento de um botão o barco mantém os dois motores trabalhando em giro idêntico.
Antes de sair saboreamos um belo "banquete", hambúrgueres de microondas da Sadia. Por incrível que parece foram a salvação do restante da viajem dando fim a sensação de enjôo constante. Como não tínhamos tomado café de manhã, comprovamos que: definitivamente barriga vazia não combina com navegação.
Mais duas horas à frente e chegamos à magnífica Ilha Bela, na baía de São Vicente, onde fomos muito bem recebidos no Iate Clube onde jantamos no belo restaurante, fizemos um breve passeio a pé pelo centro da charmosa ilha e passamos a noite.
Novamente 5 da manhã todos de pé e mar afora. Foram mais 5 horas de navegada e conforme começava a aparecer à baia de Angra dos Reis a sensação do quase lá aumentava. Passamos por duas vezes por grupos de golfinhos, que pareciam não se importar com a presença de nossas possantes lanchas.
Sem dúvida a visão mais empolgante foi avistar o morro do Corcovado e o imponente Cristo de braços abertos a nos receber, sacamos as máquinas fotográficas e como bons turistas pudemos fotografar a Cidade Maravilhosa de ângulos disponíveis a poucos, do mar pra terra. Passamos pela Tijuca, praias da zona Sul e ao contornarmos o Pão de Açúcar avistamos o aterro do Flamengo e a Marina da Glória, nosso ponto de chegada.
Atracamos as lanchas e podemos ver a grande movimentação da equipe do Sr. Ernani Paciornik, proprietário da Revista Náutica, e de diversos expositores que preparavam os stands para o Rio Boat Show. Sem dúvida um evento impressionante que muda a paisagem da Marina da Glória e movimenta todo o mercado náutico brasileiro.
Rapidamente, juntei minhas "coisitas", me despedi do pessoal e rumei para o Galeão, voltando imediatamente para Porto Alegre. Ficaram as lembranças de uma magnífica experiência náutica a qual agradeço ao Tércio e ao Anderson que me convidaram e propiciaram inesquecíveis momentos.
Fonte:
Rogério Schröder Cidade:
Santos-SP-Brasil Fotos: Rogério Schröder Publicado: Thainá Costa da Silva Date: 04/04/2008
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