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Em abril de 2008, a canadense Bárbara Cameron envia um relato ao INEMA, sobre seu forte envolvimento com o trenó e sua obstinação em preservar a cultura de sua região. Antes do relado, acompanhe uma breve biografia.
Bárbara Cameron (Ontário, CAN) é professora especializada em cultura e linguagem. Há dezoito anos trabalha no museu de Yellowknife e realiza trabalhos em escolas, promovendo a linguagem aborígine, a cultura e o patrimônio deixado pelos nativos da região Noroeste. Cameron já viveu e trabalhou em Fort Smith e em Inuvik, ambas em Northwest Territories, atualmente reside em Yellowknife.
Vivo em Yellowknife desde 1983, e ando de trenó com cães há mais de vinte anos. É um excelente hobby de inverno, eu amo isso, pois me mantém ocupada durante o ano inteiro e me permite apreciar a beleza do inverno que temos aqui no Norte.
Ao longo de anos, viajei por muitos lugares de trenó, acampando pelo caminho, e explorando variados lugares ao redor da região do Great Slave Lake. Para mim, o mais interessante nisso tudo, é poder sentir o mesmo gosto da vida que os nossos antepassados sentiam antes da invenção das máquinas para esquiar, como snowmobile.
Os habitantes do Norte utilizavam trenós para viajar, caçar, pescar, e para transportar lenha. Era um auxiliar em toda sua sobrevivência do povo nórdico. Mesmo tendo esse estilo de vida, infelizmente desaparecido, eu continuo vendo muito orgulho nas pessoas e nas famílias que continuam com a tradição de andar de trenó com cães por vários lugares, seja competindo, seja por divertimento.
Meu filho, Charlie Umigluk Cameron-Sills, tem três anos de idade e já é parte do meu envolvimento com cães de trenó desde que nasceu. Ele ajuda a alimentar os cães, colocar palha em suas camas, e gosta até mesmo de recolher as necessidades dos animais, que ficam no jardim. Charlie vai comigo para passeios curtos e fica muito feliz quando está no trenó.
Nessa primavera estou ensinando ele a pilotar sozinho um trenó de apenas um cão. Eu fico atrás dele segurando o trenó com uma longa corda. Ele é muito confiante e ansioso, mas é claro que lhe falta muita experiência e força física. No futuro sim ele poderá correr com sua própria equipe. Eu espero que ele continue gostando dos cães, pois é uma maneira de ele permanecer conectado à herança história e cultural do povo nórdico.
Fonte:
Bárbara Cameron Cidade:
Yellowknife, NT, Canada-EX-Canada Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Ananda Franco Garcia Date: 04/04/2008
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