|
A MotoViagem Rumo ao Pacífico e às Vinícolas, realizada por Daniel F. de Andrade, Vivian E. M. de Andrade, Altair França e Eloah Marcondes aconteceu de dia 29 de março a 16 de abril de 2008. Eles passaram pela Argentina e Chile.
29 de março de 2008 - 1° Dia
Enfim chegou o dia de iniciar a tão esperada viagem rumo à Argentina e ao Chile.
Estou planejando esta viagem há um ano. Inicialmente, prevista para novembro de 2007, a viagem foi adiada para esperar minha filha de 6 meses (em novembro) desmamar, e assim evitar problemas desta natureza com a nossa ausência.
É verdade. Estamos sendo cruéis o suficiente para viajarmos sem nossa neném (Carolina) no seu primeiro ano de vida.
A viagem foi planejada para durar 19 dias, sendo que para a minha esposa Vivian a viagem é de apenas 10 dias, pois ela vai e volta de avião para Córdoba, ponto em que se integra ao roteiro motociclístico.
Nesta viagem estou acompanhado pelo Altair, que perdeu a nossa última aventura motociclística até Buenos Aires e não poderia perder esta por nada. Sua esposa Eloah irá de avião com a minha esposa. As duas trabalham juntas, assim terão bastante papo durante o passeio.
O primeiro status da viagem não foi bom. Eu planejei sairmos às 5:30, mas arrumar as milhões de tiras dos altorges Nelson Riggs me tomou muito tempo. Efetivamente me encontrei com o Altair no Beco do Alemão na Dutra pouco antes das 7:00.
Combinamos que faríamos o primeiro abastecimento das motos em Penedo.
O primeiro trecho da viagem foi maravilhoso. Na serra das Araras havia uma neblina e a tyemperatura caiu para 18°C. Sei disso porque eu instalei um termômetro digital na moto. Curvas gostosas e um clima maravilhoso.
Acabamos nos distanciando um pouco durante este primeiro trecho, o que acabou ocasionando o segundo atraso da viagem, pois eu fiquei esperando pelo Altair em Penedo por mais de uma hora. Ele acabou passando direto por Penedo e só fomos nos encontrar novamente no km 38 de SP.
Vou deixar uma dica: Não confiem em celulares pré-pagos para realizar viagens entre estados. Muitas vezes eles não funcionam (ou não são habilitados para funcionar em roaming).
Não fizemos paradas para almoço, apenas abastecimento e pequenos beliscos.
Novamente em rota chegamos a Pardinho para abastecimento e lanche.
Estabeleci contato com o Julio Lima, amigo nosso de Londrina, Capitão do Grupo VStrom Brasil. O Churrasco estava pronto e nos esperando. Quando ele me perguntou aonde estávamos, nos informou que ainda estávamos longe, faltando mais de 300Km (previsão de chegada 19:00).
Aceleramos a partida e partimos rumo à Londrina.
Achei estranho todo este atraso na viagem. Já fiz este roteiro de 950 Km entre Rio e Londrina antes, saindo às 6:00 e chegando em Londrina às 15:30. Eu estava convicto que faria uma viagem igual ou melhor desta vez. O que notei desta vez é a diferença de ritmo entre o Altair e eu. Enquanto eu consigo manter uma média horária de 100km/h considerando abastecimentos, acho que o Altair faz 20% menos que eu.
Com pressa de chegar logo em Londrina acabei me distanciando novamente do Altair.
Havíamos combinado que sempre que houver um ponto de mudança de rumo, eu o esperaria para evitar pegarmos caminhos diferentes, assim, ao chegar na rotatória de Ourinho, ponto onde acaba a maravilhosa Castelo Branco, enquanto eu fazia o contorno buscando ver o Altair vindo na Castelo Branco, acabei me direcionando para o acostamento, considerando que ali esperaria por ele.
A partir daqui, quem tiver medo de palavras fortes pule para o diário do próximo dia.
Aí que tudo aconteceu. Não havia acostamento. Eu devia estar andando a uns 30Km/h e apesar de o canto do olho reconhecer o preto mais escuro do asfalto pouco utilizado do acostamento, não consegui perceber que tratava-se de um valão, construído para canalizar a água das chuvas. Só descobri tarde demais.
Quando acabou a pista de rolagem, o asfalto acabou com um pequeno ressalto e um declive acentuado em seguida. Acredito que a moto escorrecou, não sei se inicialmente com a roda traseira ou com a dianteira, ou com as duas simultaneamente, mas a moto logo tombou do lado esquerdo, quebrando o conjunto da pedaleira esquerda e o pedal de marcha.
Depois o protetor lateral da givi fez mágica segurando o impacto mas não evitou totalmente o arranhão na altura do adesivo VStrom. Em função do movimento de queda a moto capotou, arranhando a carenagem dianteira, e por fim girando no ar para então desgastar a outra lateral da moto. Quebrou a pedaleira direita e amassou o pedal do freio. Deste lado o protetor givi fez mais mágica ainda, não havendo arranhão na carenagem.
A minhas bolsas laterais da Nelson Riggs ficaram bastante comprometidas, parecendo aquelas calças jeans que vem rasgadas (desfiadas) de fábrica.
O meu bauleto Givi E45 ficou pouco arranhado, mas com o impacto ele foi arrancado e quebrou o pino (trava) que segura o baú.
Comigo nada aconteceu. Só roupas rasgadas. Recordações. E uma grande frustração pelos meses de planejamento com este desfecho.
Claro que tive que pensar em vários cenários, pois não sabia se a moto seria recuperada, e as esposas tinham as passagens aéreas compradas para a Argentina.
Pensei em cancelar tudo. Pensei em alugar um carro e prosseguir de carro. Pensei em acionar a seguradora (primeira vez que faço seguro de moto), mas os prazos seriam proibitivos para a continuidade da viagem.
Por fim entendi que tratava-se de mais um teste que eu teria que superar.
E seria mais uma lição de humanidade e amizade que eu teria.
Os amigos de Londrina e Curitiba já estão com vários terrenos no céu.
Primeiramente sempre surgem almas boas nesses momentos. Pessoas que surgem do nada para te ajudar. Sempre prestativos. Na verdade são anjos.
Dois carros e um caminhão pararam para me ajudar naquele momento.
Surgiu também uma patrulha (soldado Galan) e um carro reboque da Rod. Castelo Branco, que não poderia ajudar pois já tinha um chamado.
Como o caminhão era muito alto e não existia rampa, utilizamos o sistema de rampa do carro reboque para elevar a moto e colocarmos no caminhão.
Enquanto o Altair seguiu no caminhão com o motorista Bira e sua esposa, eu fui ao posto policial para registrar o ocorrido. Não me deram nenhum documento, apesar de eu insistir, dizendo que eu precisaria voltar para buscar num prazo de 10 dias úteis.
Em Londrina nos encontramos com o Julio Lima, que nos ajudou a achar uma logística para tirar a moto de uma altura de 1,6m.
Descer 230Kg de VStrom desta altura no braço é impossível, por isso achamos uma mureta para poder concretizar o desembarque.
Perdi o Churrasco, mas a admiração pelo povo de Londrina, pelo Júlio e pelo Ricardo Baggio de Curitiba só aumenta.
Fonte:
Daniel Frankowicz de Andrade Cidade:
Rio de Jnaeiro-RJ-Brasil Fotos: Daniel Frankowicz de Andrade Publicado: Berenice Correa Date: 29/03/2008
<%insert_data_here%>
|
|