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Últimos momentos em Kugluktuk - 12 de abril de 2008

Veja como foi o último dia de Nei Maldaner em Kugluktuk na província de Nunavut, norte do Canadá, região do Artico, no dia 12 de abril de 2008.

Olhei para fora e vi que não tinha sol, com isso, não tive tanta pressa em sair, até por que as atividades seriam mais tarde. Aproveitei para conversar com a gerente do hotel a Gina Laliberte, falamos muito e entendi um pouco mais sobre o lugar.

Foi bem interessante, pois peguei um ponto de vista particular dela. Tomei café e liguei para o biólogo Luigi Torretti, pois havia combinado ir a sua casa tomar um café e falar sobre o lugar e os animais principalmente.

Deixei tudo pronto para viagem, limpei as lentes e verifiquei as baterias. Depois era só pegar a máquina. Verifiquei a programação do festival para o dia. Às 11h aconteceria uma feira de artesanatos locais no Multiplex até o meio-dia, e ao meio-dia e trinta, haveria duas atividades, como a caça às focas, onde seria as mulheres que caçariam.

No dia anterior tinha acontecido a caça as focas dos homens. Outra atividade é uma corrida de velocidade para snowmobile. Seria na colina mesmo lugar onde construiram os Iglus. Eu poderia cobrir a corrida antes de voar, pois meu vôo seria somente às 15h, eu pegaria duas horas de corrida e antes poderia ver a feira no Multiplex.

Fui visitar o biólogo, mas sem levar a máquina. Estava feliz porque ele seria uma boa fonte de informação e eu poderia aprender algumas coisas e tirar dúvidas. Por exemplo, como os animais viviam, se andavam em bando, quando procriavam, as espécies, diferenças entre o Elf, o Caribou, entre outros. Para mim isso ainda estava um pouco confuso.

Assim que cheguei lá o cão latiu, e logo o Luigi abriu a porta todo sorridente e me convidou para entrar. Tirei as botas, é sempre um trabalho para atá-la e desatá-la, mas ela me serviu bem, não passei frio, apesar de viver caminhando e enterrando os pés na neve.

Ele me apresentou sua esposa, uma americana que também era bióloga. Também cumprimentei a mãe, que já estava em função de cuidar do neto mais novo. O outro era um menino de quatro anos, bem ativo, uma graça. E o pequeno nem se fala, como senti falta da minha máquina!

Conversamos um pouco sobre a família e o porquê de viverem em Kugluktuk. Ele me explicou que faz mapeamento dos animais da região, um trabalho muito legal, com isso minhas dúvidas se esclareceram. Entre explicação técnica e da família, eu soube que ele conheceu a esposa na Universidade de Michigan. Perto de onde veio o pessoal que correu no Diavik 150 de Yellowknife.

Também falou sobre a origem italiana, e ter morado em Monreal, onde se fala francês. Contou sobre como está sendo viver no norte, onde se fala inglês ou aborígene. Aprendi as diferenças entre o Caribu, o Elk e outros. Farei uma matéria explicando isso.

Ele também me mostrou outros animais, como raposa, Wolverine, que eu conhecia como espécie Hard Disk. É um animal muito forte e histórico, olhando-o de frente, se parece um pouco com um macaco, mas de lado não tem nada a ver. Muito legal o animal, nunca tinha ouvido falar.

Sobre a procriação, Luigi explicou que no inverno os caribous ficam perto de Yellowknife, nos matos, e no verão eles sobem e ficam nas tundras do Ártico. Neste caso, eles procriam e vivem agrupados.

Isso me provocou a voltar no verão, para ver milhares de bichos, vai ser legal. Pena que o custo de estar no norte é caro, hotel mais de 200 CAN$ por dia, passagem aéria de Vancouver mais de 2000 CAN$ que hoje tem o mesmo valor do dolar americano. Fora comiga, aluguel de snomobile , ATV , avião ou helicoptero, pois no norte do Canada não existe estradas.

O tempo estava correndo, com o papo bom logo já eram quase 11h e queríamos ir ao Multiplex. Então sua esposa se preparou e colocou o filho nas costas, como de costume no local. Todos se vestiram para o frio de quase -20. A cada momento, eu aprendia mais coisas. Por exemplo, sobre o tipo de casaco, que é mais largo, para poder acomodar o bebê.

Há também a mochila, que é um tipo de camisa onde o bebê fica, é quase como uma sacola que fica nas costas, e a corda na cintura não deixa ele cair. Era a primeira vez que a vovó da criança assistia à cena, portanto, também ficou apreensiva, eu percebi. Acho que ficou um pouco constrangida por ver aquela situação com seu netinho.

Depois disso, eu corri até o hotel, peguei minha máquina e fui atrás deles no Multiplex. Eles estavam quase chegando e tirei umas fotos de Luigi puxando o menino de trenó, e da esposa com o filho nas costas.

Eles continuaram me explicando sobre os manuseios com os bebês. Falaram sobre como mexer o braço para dar ar, ou como embalar a criança mexendo o corpo. Vi muitas cenas assim, e já estava entendendo muito melhor as coisas.

Na frente do Multiplex havia um estacionamento de snowmobiles. Entramos no local, que estava bem aquecido. A feira já estava pela metade, dei uma volta rápida por lá, para ver o que tinha, a maioria era artesanato. Os trabalhos manuais eram vendidos para os próprios habitantes do local.

Vi muitas coisas lindas e interessantes, como luvas, botas, peles, tapetes e vestidos. Pena que tudo estava caro. Me apaixonei por um vestido de criança todo feito com tecidos coloridos e de peles, quase comprei, de tão lindo que ele era. Não para eu usar né! Mas sim para dar à minha afilhada, porém, como não voltarei ao Brasil tão cedo, acabei não comprando.

Na Multiplex eu aprendi sobre as diferenças entre as peles dos animais, mas não tirei todas as minhas dúvidas, pois eram muitos detalhes. Vi uma luva que adorei, de pelo branco, com desenhos bordados, mas quando fui comprá-la, outra pessoa comprou antes de mim. Que pena, mas levei algumas lembrancinhas, como botinha para crianças e luvas coloridas.

Ali também perguntei por que caçavam este ou aquele animal, se comiam ou não. Me ensinaram o porquê de usar certos tipos de pelo, como o de raposa, por exemplo. Este se coloca em torno da cabeça, pois quando o vento sopra, a pele cria um deslocamento de ar, e assim cria uma área de conforto em frente à face, protegendo-a do frio.

O Luigi explicou sobre a função certa de cada pele, mas foi rápido, pois quando vimos, já era hora de almoçar. Por mim, nem iria almoçar e já iria para a prova, mas como tinha deixado no hotel, a filmadora, baterias e outras coisas, resolvi ir almoçar.

Almocei rapidamente, minha mala já estava pronta. Combinei de me levarem até o aeroporto, queira q me levassem até a prova eles não podiam, pois o carro não era 4X4 e era melhor não arriscar. Então fui a pé, levei duas lentes, filmadora e a máquina fotográfica, mas estava sem o tripé. Pois queria agilidade para voltar a tempo do vôo. Pensei seriamente em adiar, mas seria muita coisa, os voos locais, os de Yellowknife, Edmund, Calgary até Vancouver. Também o Hotel em Yellowknife, o carro alugado em Yellowknife e o compromisso com Kate e Warren que eu queria comparecer.

Como almoçei perdi um tempo e já era 13h e eu teria menos de duas horas para fazer a cobertura da corrida. Enquanto eu estava caminhando, uma mulher de snowmobile me ofereceu carona, eu aceitei.

Quando subi, vi que tinha um bebê em suas costas, por dentro do casaco. Então procurei me afastar, para não bater no bebê. Quando estávamos na colina, pedi para parar o snowmobile, que eu gostaria de fazer algumas fotos de cima. Eu fui descendo, tirando fotos e filmando, e todos q cruzavam por mim vinham falar comigo, dando sugestão ou oferecendo carona.

Teve um que se ofereceu para fazer o cê tá louco.

Neste momento ainda estavam preparando a pista, em outra ocasião eu teria gostado, mas por causa do meu vôo, queria que a prova começasse logo. O avião sairia dentro de duas horas e eu teria apenas uma hora e meia para acompanhar a competição.

apriveitei e falei com um monte de gente, a cada um que eu tirafa fotos puxava um papo. Explicava de onde eu era e também perguntava sobre eles, que faziam. Todos muito gentis.

Enquanto esperava, fui falando com o pessoal e tirando fotos. Fui conferir os snowmobiles potentes, e vi os diversos pilotos, pelo jeito a corrida ia ser um show. O tempo passava, e já era 14h30min, infelizmente como a prova não havia começado, comecei a ir em direção à colina.

Os demais estavam lá embaixo esperando começar a prova, e eu comecei a escutar o barulho do avião chegando. Registrei aquele momento, me filmei enquanto caminhava, dizendo que tinha gostado muito de estar ali e por isso estava triste por ir embora. Comecei a apressar o passo, enquanto seguia até a estrada, eu suava muito.

Muitas vezes com neve até o joelho, eu suava, corria o suor pelo esforco, apesar de ser muito frio, e nevando levemente. Tirei a toca e abri a jaqueta até chegar ao hotel. Lá, a gerente já me esperava, inclusive disse que o pessoal do aeroporto havia ligado, perguntando por mim, isso me tranqüilizou. Queria lavar o rosto, mas não tinha tempo. Sequei o suor com a manta, me ajudaram a colocar a bagagem na camioneta e fomos para o aeroporto.

O veículo tinha correntes nos pneus, isso eu ainda não tinha visto no Canadá. Chegamos logo no aeroporto, estávamos em tempo. Estava chegando uma tempestade para a noite no dia seguinte.

Logo que cheguei ao aeroporto fiz o checkin, o atendente foi muito simpático e disse que eu ainda tinha tempo, mas mesmo assim eu corri. Deixei um lugar que vai me marcar muito, pois foi um dos locais que eu mais gostei de conhecer.

24 horas intensas. Marcadas para toda vida.



Dicas para chegar em Kugluktuk:

First Air
www.firstair.ca


Air Canada
www.aircanada.com


Hotels

Gina & Kevin Laliberte
ENOKHOK Inn
enokinn@qiniq.com
Phone: 867-982-3197
Fax: 867-9824291
PO Box 162, Kugluktuk/Coppermine, Nunavut, Canada


Coppermine Inn
Phone: 867-982-3333
PO Box 282, Kugluktuk/Coppermine, Nunavut, Canada


Fonte: Nei Eugenio Maldaner
Cidade: Kugluktuk, Nunavut, Canada-EX-Canada
Fotos: Nei Eugenio Maldaner
Publicado: Ananda Franco Garcia
Date: 12/04/2008 <%insert_data_here%>

biólogo Luigi Torretti e familia

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Casal muito legal.

Luigi e Familia

Ajudei desatolar o mini snowmobile

Todas muito queridas

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85 anos e andando de snowmobile

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Pilotos da competição

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  Evento 9189 - Norte do Canada - Artico - Inverno - 2008

   Albuns e Fotos



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English Version: The last moments in Kugluktuk - April 12th, 2008
 
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