|
Veja como foi a passagem de Nei Maldaner por Behchoko, NT, Canadá, ele esteve lá no dia 5 de abril de 2008, fim do inverno.
Após a corrida de cães realizada entre 28 e 30 de março, em Yellowknife, eu fiquei por mais uns dias na cidade. Procurei conhecer a parte urbana do local, e fui a cada centro de compras, para ver se tinha alguma loja interessante.
Como falei antes, os shoppings daqui nem se comparam com os das cidades grandes, até porque, aqui é uma província que só possui 18 mil habitantes. Não achei nada de interessante lá.
Quando entrei em um dos centros, encontrei um pessoal dos EUA fazendo o mesmo que eu. Rimos sobre isso, e perguntei quando eles iriam voltar. A Wendy me disse que ficariam para mais uma corrida, que seria a 100 km dali, o local se chamava RAE.
Pedi para escreverem em um papel a localização, e me organizei para ir pra lá. Mas eu estava confuso, pois no mapa o Rae Lakes ficava a uns 250 km.
Então pedi ajuda para o John St. Louis, que era o organizador da prova de treno com cães Yellowknife. Ele me deu as dicas e também me passou o contato do organizador do evento. Também me disse que deveria dormir em Yellowknife e ir lá e voltar pois não tinha acomodações por lá, quer dizer hotel.
Na tarde deste mesmo dia, acabei indo visitar a empresa Diavik, que é uma empresa que explora uma das minas de diamantes, que além de patrocinar, dá nome à corrida de trenó de Yellowknife "Diavik 150".
Ali tive contato com a Cindy Gilday, que é gerente de relações com a comunidade aborígene. Pedi dicas para ela sobre que lugar interessante eu poderia visitar, já que ficaria mais uns dias na cidade.
Ela comentou sobre algumas cidades, e eu falei que estava pensando em ir para Rae. Aí ela me apresentou um líder da comunidade de Behchoko, ficamos de nos ver em Rae. Mas fiquei sem entender direito, pois ele disse que vivia lá, e eu tinha entendido que ele morava em Behchoko.
Com isso, acabei mudando o dia do meu vôo, que seria na sexta, dia 4 de abril. Optei por ficar mais dias, pois estava gostando muito do lugar, estava muito frio sempre mais frio que 20 negativo, e como gosto de lugares diferentes, nesta região teria muitas coisas apra ver e aprender, fui para o hotel e troquei a passagem pela internet. Me preparei para ir à Rae e descobri como chegar lá.
Só então fui entender que Rae era o nome antigo da cidade, que e agora se chamava Behchoko, nome aborígene. Eu também sabia que na estrada seriam 100 Km de asfalto e poderiam aparecer búfalos na estrada. Procurei ver se tinha hotel para ficar, mas como o John St. Louis disse que não teria hotel, assim iria e voltaria de carro ate lá.
Estudei na internet mais sobre o lugar, é conhecido por ter a maior comunidade de pessoal da primeira nação, que pelo que entendi são os aborígenes.
Também recebi um e-mail da Cindy Gilday, que disse que eu poderia ficar na cabine do líder da comunidade local. O evento aconteceria sábado e domingo. Eu resolvi ir sábado de manhã bem cedo, mesmo q o evento so começaria ao meio dia, para durante o caminho, tentar ver alguns búfalos na estrada.
Saí cedo, às 8h eu já estava na estrada. Passei no Tim Hortons para pegar algum lanche, uns donuts, como o Honey dip, que eu adoro. E segui em direção a estrada, passando pelo aeroporto. Logo na saída vi um haras, com os únicos cavalos que vi já tinha visto por aqui.
Pelo caminho eu ficava observando, para tentar ver os búfalor, mas nada apareceu. Parei algumas vezes para fazer fotos das casas e dos carros cobertos de neve. Eu ficava pensando, como essas pessoas podem viver assim? Até que cheguei ao trevo para Rae, que é Behchoko, mais 10 Km. Nada de búfalos.
Eu estava adiantado, pois o evento só começaria durante à tarde. Quando entrei na cidade adorei, era simples e pequena, foi a primeira cidade do norte que conheci, após Yellowknife.
Eu estava adorando, passeei de carro em diversos lugares da cidade e vi uma placa dizendo que a corrida de cães seria para tal lado, tudo bem organizado. Enquanto isso, um homem veio falar comigo, ele estava muito bêbado, e acompanhado de seu cão.
Eu não entendia o que ele falava, então disse que eu iria à corrida de cães e continuei dirigindo pela cidade, que fica à beira de um lago que estava congelado.
A temperatura não estava tão baixa, era em torno de -20°C ou menos, mas como tinha vento, a sensação era de bem menos que isso. Enquanto andava, encontrei uma senhora vestindo trajes tradicionais e também o carro da policia rondando a cidade.
Nesta cidade vi muitas casas com uma tenda de índio ao lado, e o símbolo da cidade, que é uma estrela. Havia um sol, um horizonte de nuvem ou neve e quatro tendas de indígenas. Depois de girar pela cidade, que adorei conhecer, fui ao lugar da corrida.
Quando cheguei lá, estava deserto. Vi que saíram umas crianças lindas em frente a um pavilhão. Em seguida, apareceu um homem de Snowmobile, usando uma touca de pelos. Ele me perguntou se eu queria ver a corrida, me deu as dicas sobre como ela seria, perguntei onde poderia alugar um snowmobile para fazer a cobertura. Ele me disse que poderia me levar para a prova. Era tudo bem organizado, tive muita sorte.
A senhora que eu tinha visto caminhando pela cidade, apareceu. Fui conversar com ela e tirar umas fotos, era um amor de pessoa. Quando disse que eu queria tirar umas fotos dela, ela sorriu e quase me deu um beliscão.
E fomos juntos até um pavilhão, que ficava na frente, era um supermercado, entrei lá e vi coisas interessantes. Percebi que lá estava quase todo mundo da cidade, inclusive os mais velhos sentados, era um lugar de encontro para todos.
Fiquei impressionado, dei um giro pela loja e vi que não tinha muito original, mas havia muita coisa para o frio. Procurei ler as etiquetas de algumas coisas para eu tentar entender mais para entender e logo saí da loja.
Chegou um carro da polícia da comunidade, e falei um pouco com o policial. Peguei informações sobre a cidade e dos búfalos. Ele me disse que a todo momento, aparece um, mas infelizmente não vi nada. Logo vi que também apareceu uma camionete com cães, que eram os competidores, então fui lá conferir como era.
No caminho encontrei um cara sendo puxado por dois cães, era muito engraçado, a forca que tinham os cães
, ele me falou que usa o cão para puxar um trenó com o filho dele. Quando cheguei na camionete, vi que era o Brent Beck, que também tinha corrido na Diavik 150.
Ouvi eles falando sobre caçar no próximo fim de semana e o pessoal local estava dando dicas de onde estariam os caribous (tipo alces). Segundo o povo local, os animais estariam a cerca de 30 milhas ao norte.
Os cães da camionete foram colocados para fora, para fazer as necessidades e se alimentar. Também chegou uma camioneta com enorme reboque, era de Michigan, US, e falei com eles rapidamente. Eles estavam em função de dar comida e tratar dos cães.
Fui conversar com o pessoal que havia montado uma barraca. Alguns eram franceses e outros vinham de Montreal, mas moravam em uma casa flutuante em Yellowknife, na casa azul, ao lado do castelo. Eu tinha tirado muitas fotos de la. Eram pessoas muito legais.
Vi que havia chego mais camionetas de competidores, inclusive o da Carol e John Beck, fui lá dar cumprimentá-los e fazer umas fotos. Cada carro tinha um desenho diferente na porta dos cães, achei isso muito interessante. As crianças que estavam ali usavam toucas e roupas que as deixavam uma graça. Também tinham que estar bem protegidas do frio.
Logo começou a chegar o pessoal da comunidade, a maioria vinha de Snowmobile. Normalmente o pai e mais dois filhos, com ele sobre o Snowmobile ou com um trenó rebocado.
Decidi colocar o carro perto da largada, para melhor obter meu material. Na descida com o carro, havia um buraco e umas valetas, apesar de ter um carro 4x4 fiquei preocupado, mas consegui embalar e passei bem. O pessoal já começava a colocar os cães na frente do trenó, sinal que em poucos minutos seria dada a largada.
Corri, peguei a filmadora, o tripé e a câmera, e fui para frente da largada, onde as pistas de cada trenó se unem, procurei fazer umas imagens nessa parte do trajeto.
Em poucos minutos se deu a largada. Tudo é muito rápido e silencioso, os cães nem latem mais, e só se escuta o barulho dos trenós deslizando pela neve.
O pessoal passou por mim e após minha posição, não havia mais pista, apenas uma sinalização de galhos de pinheiros, que foram colocados para indicar o caminho. Quando eu estava recolhendo minhas coisas, vi que um novo trenó estava largando atrasado, era o número nove.
Voltei tranqüilo para onde estavam os carros, pois teria que esperar uma ou duas horas até eles voltarem. Entao conversei um pouco com o pessoal. Inclusive tirei uma foto de três gerações, a menina, a mãe, e a avó, que estavam ali no carro.
Após isso, pensei: vou passar o dia todo aqui? Então decidi ver se não tinha um caminho sobre o gelo para eu percorrer. Eu já tinha perguntado isso ao policial, mas não obtive resposta positiva, provavelmente eu não perguntei certo.
Andei os 10 quilômetros até a estrada principal, ali dizia "Edzo 5 kms", segui até lá. No caminho, havia uma ponte de ferro, e através dela, entrei na vila de Edzo. Era bem pequena, logo chegeui no final da vila e ali um monte de trilhas de snowmobiles entao voltei e sai para estrada novamente, logo eu vi um estacionamento de máquinas de manutenção da estrada, todas cobertas de neve.
Fui lá tirar fotos, continuei o caminho da estrada e vi uma placa contendo nome de duas cidades: Rae Lakes e Whati, e outra que dizia Winther Road Open. Oba! Esse deveria ser o caminho. Eu deveria poder encontrar os cães por lá. Que sorte, sempre tenho. realmente não da para ficar esperando a sorte pintar em nossa frente. Me lembro do livro que li: A Boa Sorte. que diz isso mesmo que tem sorte quem vai atráz.
Comecei a andar pela estrada, que era coberta de neve e por ela se entrava nos lagos, cruzando-os. Quando isso acontecia, ela se alargava, eles retiram a neve e fica só o gelo. Eu estava muito feliz, e eu comecei andar rápido pela estrada, nas partes de terra tinha muitas odulações que davam solavanco. Ai ao entrar no lago, onde havia uma curva, o carro deslizou.
Foi uma loucura, não sei como controlei ele, pois foi um zigue- zague. O gelo estava exposto não tinha nada de neve, então ficava muito liso. Depois de controlado, baixei muito minha velocidade e senti aquele frio nas pernas.
Avistei uma camioneta com grande reboque estacionado, e adiante vi dois Snowmobiles rebocando trenós cheios de coisas. Seguiam pela estrada, primeiro achei que fosse competidors com trenó depois vi que eram pessoal da camioneta, e os trenós iam cheio de coisas. Tentei alcançá-los com cuidado, mas eles logo saíram da estrada.
Eu olhei no GPS e mostrava que eu estava no meio do lago. Eu estava muito feliz, parei o carro e vi o gelo com uns dois metros de espessura, todo rachado. Eu deslizava caminhando sobre o gelo. Fiquei ali um pouco, pensei na possibilidade de ir até a cidade de Whati, seria uma boa experiência de andar sobre o gelo e poderia conhecer uma comunidade remota que só tem estradas no inverno. Imagine as pessoas ficam felizes com o inverno, da possibilidade de transporte e de poder, de visitar pessoas e amigos.
Dirigi mais. Passaram alguns carros por mim, eu já tinha andado bastante, e vi que vinham os trenós com os cães, que sorte. Tá ai a minha boa sorte. Bom, tirei a filmadora, a posicionei no tripé e deixei gravando, enquanto isso, tirei fotos dos cães. Era tudo muito rápido, e eu ouvia os mushers orientando e estimulando os cães. Alguns deitados e outros de pé.
Assim que o primeiro passou por mim, logo parou. Os cães se enrolaram, o segundo colocado que tava proximo cruzou por ele. Foi incrível ver ele correndo e pegando os cães, e depois correndo atrás do segundo colocado, que antes estava em primeiro, mas acho que ele logo ultrapassou, pelo que eu vi.
Após todos passarem por mim, fiz a volta com o carro e acompanhei a corrida filmando e tirando fotos, passava por eles pois eles corriam pela beira da estrada. Até eles entrarem no meio do lago, saindo da estrada de gelo.
Para eles desviarem da estrada, o pessoal fazia uma barreira. Então eles seguiam a sinalização de galhos de pinheiro que estavam fincados pelo caminho do lago. Imagine isso tudo no meio de uma lagoa.
Assim que todos saíram da estrada, voltei à cidade tranquilamente. Era uma linha reta de cerca de três quilômetros, mas pela estrada de gelo e depois pelo asfalto daria uns vinte quilômetros. Quando cheguei de volta, estava acontecendo o Caribou Carnival, um festival local que acontece sempre entre o final do inverno e início da primavera.
Era um festival com várias atividades, entre elas de quem serrava mais rápido um tronco; homens e mulhres e jovens competiam; crianças descendo de trenó ou de tobogã; algumas desciam por declives em que nem eu, com minha altura, não desceria; eles adoravam se juntar em dois, três ou quatro e ir todos juntos. Eles caíam e riam muito.
Havia outra prova, em que era para andar de sapatos de neve. Havia outra, para andar de esqui Cross Coutry, nesta se anda como se fosse de patins, e ele é solto na parte de trás do pé.
Também aconteceu uma corrida onde todo mundo anda no mesmo sapato, só que o sapato é uma tábua, andam juntas cinco pessoas, é muito divertido de assistir. Quando um caia todos caiam.
Tinha alguns Quadriciculos, conhecido aqui por ATV All Terrain Veicule. Que levavam as crianças para passear, mas em uma velocidade incrível, outros levavam em Snowmobile, também andando muito rápido.
Na barraca onde ficava o pessoal de Yellowknife, tinha um doce, tipo puxa-puxa, mas era feito de maça, mas era a resina retirado da macieira. O pessoal colocou neve sobre a mesa e compraram palitos para colocar o doce, que era vendido.
Eu experimentei e adorei, prometi ir visitá-los e comer mais doces em Yellowknife. Também me explicaram como fazer, eu gravei tudo para depois fazer uma matéria. O doce era delicioso, e como a neve o esfria, o gosto fica ainda melhor.
As camionetas da corrida de cães já iam embora, e amanhã seria um novo dia de corrida. Eu também iria para Yellowknife, pois seriam 100 km hoje e mais 100 km amanha.
Não consegui ver o líder da comunidade que tinha ficado de nos encontrar. E também o organizador do evento. Mas ainda haveria mais outros eventos acontecendo no festival, como um jogo de Hokey e atividades à noite.
Bom, já estava na hora de eu ir embora, para não pegar noite no trajeto. E eu sabia que iria parar mutias vezes no caminho.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Behchoko, NT, Canadá-EX-Canada Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Ananda Franco Garcia Date: 05/04/2008
<%insert_data_here%>
|
Bufalos na estrada
|
.
|
Rae é o mesmo q Behchoko
|
.
|
.
|
Em frente ao lago congelado.
|
.
|
.
|
Símbolo da Cidade
|
Lindinha
|
Coordenador
|
Um amor de pessoa
|
Reunião no super.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
Wendy de Michigan - USA
|
Pessoal da casa flutuante.
|
.
|
.
|
.
|
Carol
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
Largada
|
.
|
.
|
3 gerações
|
.
|
.
|
Americano
|
Organizador
|
.
|
|