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Acampamento no cânion Malacara 2008

Confira o relato de Sérgio Maia sobre o acampamento realizado, em abril de 2008, no cânion Malacara em Cambará do Sul/RS.

Era início de um sábado, madrugada agradável e que prometia um belo final de semana, quando um tio (eu - Sérgio Maia) e dois sobrinhos (Norberto Noskoski e Edenilson Noskoski) resolveram atirar as mochilas no carro e partir rumo a uma das mais belas regiões aqui do sul do país chamado: Parque Nacional da Serra Geral, que combinado com o vizinho Parque Nacional dos Aparados da Serra compõem uma magnífica formação onde imensos campos com vegetação rasteira, açudes límpidos, gigantescos cânions e a crescente proteção e intervenção do Ibama fazem desta região um lugar espetacular composta de uma rica fauna e uma exuberante flora que formam um ambiente peculiar que atrai turistas das regiões mais distantes deste país e do mundo.

Foi neste cenário que chegamos, exatamente às 6 horas da manhã, onde um taxi nos deixou a frente de uma porteira onde ali inicia uma trilha de uns 5 km campos a dentro até se chegar ao lado do cânion Malacara. Você deve estar se perguntando, "-táxi?"- Deixe eu explicar:

...Esses parques ficam em torno de 1000 metros de altitude em relação ao nível do mar e localizam-se numa região onde nada existe, nem casas, nem restaurantes, nem sequer uma paradinha de ônibus. O acesso a esse local é feito por uma precária estrada de terra totalmente sinuosa e num aclive assustador até mesmo para alguns jipeiros . Então, o jeito é viajar até a cidade que fica ao pé da serra chamada de Praia Grande (SC) , ali deixar o carro em um local seguro e , a não ser que se queira subir os mais de 20 km da serra do Faxinal a pé, aconselhamos o uso do transporte local, que é o "táxi".

"Voltando..." - Chegamos à borda do cânion ás 09h30min da manhã e como a semana tinha sido exaustiva no trabalho e tínhamos viajado a noite inteira, acabamos por parar para descansar ali mesmo no chão fazendo as nossas mochilas de travesseiro e o gramado como colchão. Foi tiro e queda, nós três caímos no sono e só acordamos lá pelas 2 horas da tarde, pois, nosso cérebro já não estava batendo muito bem, por isso, não achamos esse descanso um tempo perdido.

Montamos nosso acampamento ao lado do cânion Malacara, a beira de um pequeno mato que nos proporcionou alguma sombra e proteção do vento e logicamente escolhemos um local que houvesse água por perto. Ali tinha um córrego com água tão limpa, pois a vertente não fica muito distante, que se podia apenas estender as mãos e beber uma água de verdade, digo assim, pois, na cidade que moramos nem sei como definir o que bebemos.

À medida que a noite se aproximava a tarefa de buscar água e lenha ganhava caráter prioritário e então lá fomos nós, um para cada lado, conseguir o maior número de galhos possíveis, óbvio, apenas os caídos ou quase podres, pois, não estávamos lá para em hipótese alguma causar depredação.

A fogueira que montamos foi perfeita, pois o local que chamamos de cozinha era limpo, composto apenas de grama baixa, sem galhos nem bosta de vaca que, diga-se de passagem, é rica nessa região. Ali saiu o churrasco, o arroz, o café da manhã e a atípica feijoada, feito que até então, pelo que nós sabemos, nunca foi feito em acampamento de borda de cânion algum.. .-

Bem! Comida é que não faltou, acreditamos que voltamos uns 5 kg mais gordos, foi tanta comida que até um graxaim, uma espécie de lobo que habita a região, não saía do nosso lado, comendo o que atirávamos para ele (carne) e acabou se tornando o nosso mascote no acampamento. Acordamos cedo no domingo e tiramos o dia para as fotos, reconhecimentos de terreno e marcações de pontos para o GPS.

No meio da tarde levantamos acampamento e partimos em direção a estrada, para ali conseguirmos uma carona de volta a cidade. No meio do caminho ainda encontramos um casal que estava chegando para acampar e trocamos algumas informações sobre a situação do local etc.

4 km depois, já na porteira e na estrada deparamos também com três ciclistas que vindos da praia de Tramandaí estavam a aventurar-se por aquelas subidas nada agradáveis da serra. Trocamos meia dúzia de palavras e a sorte realmente mostrou que estava ao nosso lado... Um morador da cidade de Praia Grande num fiat Strada que passava por nós simplesmente parou para nos oferecer carona .

Pronto, a missão estava cumprida.
Embarcamos na carroceria e descemos serra a baixo....tudo foi perfeito.

Deixamos o local já com saudades e com a promessa de retorno. Desta vez será junto com a patroa e os meus baixinhos que há muito pedem para ir junto e acredito que devem, pois, não sei se quando eles forem adultos eles terão essa oportunidade de conhecer esse lugar. Um local totalmente natural e ao mesmo tempo condenado, pois, pelo que vimos desta vez, as estacas de marcação para construção da estrada asfaltada que cruzará os parques já estão cravadas.

Acredito que os dias daquele lugar já começaram a contar... -É uma pena!

Fonte: sergio maia
Cidade: Cambará do Sul-RS
Fotos: sergio maia
Publicado: Berenice Correa
DATA: 19/04/2008 <%insert_data_here%>

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