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Veja como foi a ida de Nei Maldaner à comunidade de Ulukhaktok (Holman) , NT, Canadá em abril de 2008. Local considerado um dos mais remotos e originais do Canadá. Temperaturas de menos 20 célcius negativo.
Eu estava empolgado, tinha ouvido falar de lugares remotos no norte do Canadá. O Gnnar meu grande amigo que já viajou por todo mundo me falava destas região, de a gente fazer uma hora pulando de uma comunidade para outra de avião, já que não tem estradas. Muito se falava deste povo, que conseguia sobreviver numa região sem estruturas, sem arvores, sem frutas, sem legumes. Que a maior parte do tempo tem ate o mar e os lagos congelados. Tinha muito interesse de um dia visitar estes lugares e ver como realmente é.
Já tinha sido muito legal ter conhecido Yellowknife, que é a capital da província chamada Northwest Territories, localizada na parte central norte do Canadá. O Norte do país fica no Ártico.
Outra razão que me levou à Yellowknife foi o frio. Quando eu estava em Vancouver, sempre que ouvia as previsões de tempo para Yellowknife, via que lá fazia mais frio do que em qualquer outro lugar do Canadá, e eu queria experimentar este frio. Frequentemente chegava aos 40 e as vezes passava do 50 negativos.
Mas também tinha outras razões, como a aurora Boreal, chamada aqui de Northern Lights; as estradas de gelo, corridas de cães, e a corrida aventura no gelo. Tudo isso me levava à Yellowknife. Realmente fim de março é uma boa conhecer a região.
Agora, estando aqui, e realizado todos estes desejos, também vi a oportunidade de conhecer novos lugares no norte, bem ao norte. No restaurante Burlok onde jantei várias vezes, um otimo lugar para conhecer pessoas, entre uma e outra conversa ouvi falar destes lugares. Então procurei no mapa e vi opções de vôo.
Tudo era caríssimo, eu gastaria 2000 dólares para ir até lá. O outro problema seria hospedagem, nada ajudava, pois não havia informações na internet.
Conversei com o pessoal das minas de Diamante e pedi dicas de lugares. Um Piloto da Air Tindi, também me deu dicas. No final, trocando idéias com o Giani e a Ayumi por email e MSN, eles me deram força para fazer a aventura, e eu decidi ir.
Pela internet, vi que se eu comprar dois tickets seria mais barato do que ir direto a Holman. Assim eu já resolveria a questão de conhecer Kugluktuk, que ficava no caminho. Como estava muito em cima da hora, fui ao aeroporto tirar dúvidas e ver se o preço da internet era bom.
Deu tudo certo, seria o mesmo avião. Pela internet eu consegui comprar a passagem por 1300 $CAN, mais as taxas. Dois dias antes eu tinha visto uma promoção para estes lugares, mas ela sumiu, provavelmente já havia terminado.
Comprei um ticket até Kugluktuk e marquei a ida para o dia 08 e a volta o dia 12. E outro ticket para o dia 08 até Holman com volta dia 10, meio confuso né? Mas assim eu poderia ficar dois dias nos dois lugares. Seria suficiente para conhecer as regiões. Até por que eu ja tinha avião marcado para voltar a Vancouver.
Consegui achar hotel de Holman através das dicas que recebi la no restaurante de uma moça que trabalha para uma empresa Brasileira/Japonesa em pesquisa de cancer em mulheres do norte do canadá. Ela uma Inglesa, conhecia muito ali no norte, e me deu umas dicas. Tambem afirmou que o lugar para mim visitar seria a comunidades de Holman e outra a de Kugluktuk.
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Procurei por estes lugares na internet e acabei achando um telefone e email. O hotel era arcticchar inn. Também vi o preço, a diária era 199$CAN. É caro, mas fazer o que? O avião pequeno e uma viagem rápida, procurei levar menos coisas. Assim me preparei levando parte das coisas e deixei três bagagens no hotel Capital Suites.
O gerente foi super gentil comigo, colocou minhas coisas em um STORAGE particular: a lente grande que tinha 300-800 mm; minha maleta Pelican com baterias etc; e o case de golfe, onde levo o capacete para Snowmobile, que suporta até -60°C e onde guardo também o tripé. O hotel é bom, pena que a internet ficou fora uma semana. E não tem ninguém na recepção durante a noite.
Desta forma, minha bagagem seria ainda grande, mas um pouco menor. Levei uma mochila com as lentes e maquina; outra com baterias e carregadores; uma mala com roupas quentes para o frio de -40°C; uma mala que era o tripé; e a filmadora, que levei a tiracolo. Quantas tralhas né?
Meu e-mail de confirmação de vôo não chegou, então tive que ligar para a companhia aérea First Air e pedir para mandarem novamente. Foi quando vi que a mensagem havia caído na minha lixeira, como spam. Mas a minha transferência de volta a Vancouver também não tinha vindo. Pensei deve ter sido considerado spam também.
Eu havia transferido o vôo do dia 04 para o dia 14, e no sistema estava aparecendo como cancelada. Tive que ligar para a Aircanada, e depois de muita e muita conversa, a moça criou um novo arquivo e fez a reserva.
Deixei o hotel Capital Suíte, de Yellowknife, reservado do dia 12 ao dia 14, e fui para o aeroporto. Chegando lá, não achei onde devolver o carro para a National. Então fui até o local de serviços perto do aeroporto aonde eu peguei o carro, nada tudo fechado. Com isso perdi mais de meia hora, comecei a me preocupar, não acreditava que em pleno expediênte lá não tinha ninguém. Eu já tinha notado que eles não tinham um bom serviço.
Voltei ao aeroporto já apavorado e liguei para a National, mas só dava para deixar recado. Desliguei, fiquei como um tonto, imagine que vou fazer. Bom, então decidi deixar o carro no estacionamento, e um recado, avisando que eu deixaria a chave dentro do carro e o fecharia. É obvio q eles tinham a outra cópia. Foi o que eu pude fazer. Más por outro lado, eles poderiam dizer q o carro tava batido, ou que tinha andado muito, pois se paga kilometragem, ou sei lá, não gosto de fazer as coisas assim. Vi que ali so tinha escritorios da Budget e da Hertz. Nacional, nunca mais.
Fui fazer o checkin já em cima da hora, tinha a meia hora normal antes do vôo, chegando la me atenderam super bem e avisarm que eu seria o ultimo passageiro, não teria mais vagas e o checkin estava fechado. Que sorte, isso que eu saí bem mais cedo, mas em função do carro quase perdi o vôo.
Fui para sala de espera ali não tinha muitas pessoas. Então pensei o aviao é bem pequeno. Me lembrei da Ayumi que não gosta de voar de avião ainda mais um pequeno. Mas eu estava feliz da vida, até tinha esquecido do estresse da National RentCar.
Procurei conversar com alguns passageiros e um senhor disse que ele esperava que alguem faltasse ai ele iria. Logo chamarm para seguirmos para o avião. Ele entào se levantou despediu de mim e foi embora pois não tinha vaga.
No deslocamento para o avião sempre eh um estresse para mim, pois como levo as maquinas e lentes comigo em cima é um peso e também os aviões não tem onde colocar. Principalmente os pequenos. Eu com a filmadora a tiracolo, a mochila cheia de lentes e mais a maquina e mais a mochila das baterias.
Na entrada do avião, dei minhas bagagens de mão para a aeromoça, ela guardaria em uma area apropriada, já peguei esta experiência. Ela era uma moça muito bonita, porém bem séria. Nosso vôo para Kogluktuk antes de chegar a Holman foi tranqüilo, e eu estava empolgado demais. Durante o vôo, eu estava atento a observar o trajeto. Nosso avião, da First Air, foi com poucas pessoas à bordo, pois apesar de ser um avião pequeno ele estava voltado apra carga, tanto na frente como atrás.
Olhado para fora aos poucos, vi as árvores sumindo, e a neve tomou conta de tudo - era o Ártico. Filmei tudo o que pude, se bem que para filmar não havia praticamente nada, mas para mim, era tudo. Era um novo lugar, como poderiam as pessoas viver ali, no meio do nada? Isso me entusiasmava, iria aprender em loco.
Do alto, no avião, era possível ver depressões congeladas cobertas de neve. Provavelmente eram lagos, e as saliências com algumas partes escuras deveriam ser rochas. Eu sempre procurava não perder nenhum minuto da viagem.
Em Kugluktuk nós pousamos, e saímos todos do avião. O aeroporto era minúsculo, fui para lá filmando. Quando cheguei lá todo mundo estava ali, dentro de uma sala de 10x10m ou menor, inclusive o pessoal do local que veio receber passageiros.
Havia um casal vestindo roupas tradicionais. Lindos. Muito simpáticos, eles cumprimentavam todo mundo. Vieram até falar comigo, perguntando de onde eu era. Ele muito simpático e todo amoroso com a esposa.
Outras pessoas nativas da região também me chamavam atenção. Alguns eram mais quietos, eu procurava filmar discretamente, mas com toda empolgação que eu estava sentindo, era difícil.
Conversando com o caçador americano, perguntei comoera o checkin ali. Super gentil foi comigo até um canto do salão.
Havia uma porta com um balcão, onde se encontravam algumas pessoas. Perguntei a elas sobre como seria o meu novo trajeto. Um deles, muito simpático, disse para eu não me preocupar, pois dali a pouco, viria alguém para dar orientação. Ele, e mais outros dois que estavam juntos, pareciam até que já me conheciam, só pela forma como conversamos. Fiquei conversando com eles.
Logo chegou o responsável pelo checkin, disse que eu não precisaria pegar minha bagagem, pois ele já colocara no avião onde eu seguiria. Dentro de pouco tempo me chamariam. Fiquei feliz e tranqüilo, pois assim teríamos mais alguns minutos.
Então fui falar com uma mulher que estava com um bebê, ela também era da região, ficaria ali em Kugluktuk. Estava muito pálida, eu perguntei quantos dias tinha o bebê, ela disse tinha apenas dois dias.
Imagine só, apenas dois dias após o parto, caminhando, pegando avião, e viajando para uma região remota, tudo sozinha. Ela havia ido para Yellowknife para ter a criança, mas no segundo dia já estava de volta. Uau.
Conversei com um homem americano, que era caçador e iria para Holman. E com outro que era piloto de helicóptero e iria trabalhar nas minas. Além deles, também conheci um fiscal de segurança dos aeroportos, que iria trabalhar por apenas dois dias lá. O mesmo tempo que eu iria ficar.
Voltamos para o avião, seguiram menos pessoas do que vieram. Contando comigo, eram apenas seis. Quando entrei no avião, a aeromoça me falou num tom mais sério do que ela já costumava falar, que eu não deveria filmar dentro do avião. Ok, eu disse que tudo bem, e não iria filmar.
Acho que o piloto que tinha me visto filmando no avião. No caminho estava muito interessante ver o branco total e as rochas cobertas. Nenhuma arvore. O mar era congelado, o avião começou a baixar e o mar congelado abaixo de nos, era o mar do artico e uma parte dele era de uma cor diferente, havia água sobre o gelo.
Não resisti, peguei a filma e comecei filmar. Logo chegou a aeromoça, pedindo para eu parar, mas eu tinha pensado que não poderia filmar o avião e as pessoas, mas não para fora. Bom, mas tive que parar.
Em pouco tempo estávamos chegando a Holman, a vista para a cidade era incrível, ela ficava em uma meia lua, com tudo congelado em sua volta. Cruzamos sobre a cidade e eu rapidamente peguei a máquina e tirei umas fotos das rochas e do local.
Durante o vôo, conversei um pouco com o piloto de helicóptero, que trabalhava numa mina no artico, quando chegamos ao aeroporto, o piloto foi direto para o helicóptero preto, que estava ali parado. E o resto de nós, para uma casa, um lugar bem pequeno, tipo o aeroporto de Kugluktuk.
Ali fiquei sem saber o que fazer. Perguntei ao fiscal do aeroporto se ele iria para o hotel, e ele disse que sim, e que era o único, dando um sorriso. Perguntei se ele iria de taxi, e ele respondeu que sim, e deu outro sorriso, bem simpático.
Fiquei esperando chegar minha bagagem, e uma camioneta apareceu fora da estação, com todas as bagagens. Ao lado estava estacionado um micro onibus. Descobri que aquilo era um taxi coletivo, um mini ônibus, ouvi dizer que a passagem custava uns 10 USD padrão.
A cidade estava próxima, acho que a uns 2 Kms dali. Colocamos todas as bagagens na parte de trás do ônibus. Além de mim, todos que vieram no vôo com excessão do piloto de helicóptero, foram no taxi e mais uma gurizada que tava no aeroporto. O resto do pessoal ficou, voltariam no avião.
Eu ajeitei minha mochila, e a filmadora na mão, enquanto fomos para a vila. Fiquei atento por onde passamos. Neve por tudo. Vi cães presos ao longe. Uma placa de boas vindas. e nas casas da entrada da vila , vi uma pele de urso polar esticada ao sol.
Quando chegamos ao centro da vila, todos desceram. Aí percebi que havíamos chegado ao hotel. O lugar era como um grande container, de fora parecia um galpão. Peguei minhas coisas e paguei o taxi com 20CAN$, como não tinham troco, outra pessoa pagou com dólar americano, e ele me deu troco de $10 americanos.
Entrei no hotel. Foi uma função com malas, tripé, mochila das máquinas e mochila da filmadora. Lá dentro havia um menino, o Robin em um quartinho. Foi ele que me atendeu quando eu liguei para fazer reserva. O Robin me deu a chave do quarto 1, que era de frente, e todos os quartos eram no primeiro andar.
Fui direto ao meu quarto, adorei, pois era espaçoso, tinha duas camas, um bom banheiro e um quarto bem quentinho. Aliás, só ali pude notar como estava frio lá fora. Nem tinha notado os -20ºC de tão eufórico que estava por ter chegado àquele lugar.
Também vi que dentro do hotel havia um restaurante e um bar. Me ajeitei e fui ver como era o restaurante e o bar. O pessoal estava comendo, e descobri que muitos locais tomavam café da manha e almoçavam ali. Mas na verdade era uma sala de janta com a cozinha fechada e uma janela de atendimento. Uma geladeira do lado de fora e uma cafeteira e um microondas.
Conversei com algumas pessoas da região, e com o fiscal do aeroporto. Eles me explicaram que a comida ficava no freezer (geladeira) de noite, e era só esquentar. E que ali tinha café, que daria para preparar, caso não tivesse pronto.
Mas não prestei muita atenção nisso, pois queria dar uma volta na cidade. Como eu teria apenas 48 horas, fui ao meu quarto, peguei a máquina, me agasalhei bem, e fui para fora registrar todos os momentos e conhecer melhor o lugar.
Aqui a informação do hotel se um dia você quizer ir.
www.arcticcharinn.com/holman-hotel-services.htm
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Ulukhaktok (Holman) NT, Canadá-EX-Canada Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Ananda Franco Garcia Date: 08/04/2008
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Milhares de lagos.
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Linguagem local.
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Desenvolvimento do Norte, Mineração
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Riqueza do Canada.
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Termina as arvores
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Chegamos em kugluktuk
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Bebe de dois dias.
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Era legal ver ela ficar olhando o tempo todo para o bebe.
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Amoroso e Simpatico
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Seguindo apra Holman
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Voo vazio
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Eu estava radiante..
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Só Neve
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Aeroporto de Holman
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Bagagem na Neve
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Taxi
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Vista de Holman
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Holman no top, veja a marca
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400 pessoas vivem em Holman
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