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Confira o relato de Juliana Jumg sobre o pouso no meio de uma plantação de bananas, durante o Festival Internacional de Balonismo de Torres, que aconteceu de 17 a 21 de Abril de 2008, em Torres/RS.
Enquanto os pobres mortais ainda trabalhavam, eu já estava de folga, curtindo uma tarde com céu azul, sol gostoso, sem vento, perfeito para curtir um vôo de balão. Desta vez vôou, além do piloto, eu e minha cunhada Joice. Assim sendo, começamos com os preparativos: desembrulhar o balão, ajeitá-lo e inflá-lo.
Tudo certo, autorizada a partida. Lá fomos nós, nos afastando do chão, suave, silencioso, inesquecível. Muitos risos e abanos. A prova constava em jogar a nossa marca o mais próximo possível do local sinalizado pelos organizadores. O vento calmo e a saída perfeita nos deixaram no rumo certo. Faríamos uma ótima pontuação. O clima estava excitante, lá em baixo as pessoas nos acenavam, as crianças corriam enlouquecidas. Observamos a caminhonete da equipe seguindo o nosso trajeto para o resgate.Tudo muito lindo, tudo muito perfeito.
Sim, este ano tudo seria diferente. Lembro do ano anterior, do pouso forçado e traumático, quando amortecemos na cerca de arame e fomos arrastados por metros, até pararmos definitivamente. Mas este ano não, o vento estava super calmo, o balão quase não se movimentava, seria impossível algo sair errado.
O visual era inacreditável, 45 balões a nossa frente, já que fomos os últimos a decolar, criou-se um visual magnífico. Não paramos de tirar fotos, muitas poses. O pôr do sol estava esplêndido, tudo era alegria. Com certeza iríamos descer depois do morro. Seria um vôo perfeito. Sobrevoamos o monte e houve um imprevisto, ou melhor, um grande imprevisto.
Depois do morro existe uma enorme lagoa e também existe um pântano, ou seja, não tinhamos local para pousar. Teriamos que descer naquela hora, não tinhamos opção, só tinha uma plantação de bananas, nada de descampado. O pouso teria que ser no bananal. Não houve tempo para pensarmos, a noite já estava chegando. Pensei: "Outra vez, o que é isto, hein. Sempre comigo?"
Fomos batendo nas árvores, bananeiras, até que paramos. Foi menos traumático do que imaginei. Nos olhamos, todos bem, e agora? A pessoa mais leve deveria descer e empurrar o balão para fora da plantação. Que engraçado, todos os olhos fixos em mim. Ninguém era mais leve do que eu no balão. "Viu, quem manda ser magra?", pensei.
Sem alternativa, desci e puxei o cesto com todo o equipamento, todo o peso, com todos os cilíndros. Me segurei nas bananeiras para dar impulso, empurrei com os pés e então, veio a cena lastimável. Cai de bunda, todos riram, começei a rir também. Muitas gargalhadas, mas consegui, enfim, chegar na estradinha. Enfim, salvos!
Fiz contato com a caminhonete, pelo rádio. Tentei passar a nossa posição, ninguém se achou, pois aquilo era um labirinto, tinha muitos acessos. Nos salvamos, mas provavelmente, iriamos passar a noite no meio dos mosquitos. "Se ao menos eu gostasse de bananas não morreria de fome", imaginei.
Decidi caminhar até a estrada principal da fazenda, pensei melhor, pois não sei usar o GPS. De repente, um sinal, surgiu um garoto, com uns 10 anos, super querido, falante e com sotaque catarinense. Ele era filho do caseiro, conhecia todos os trajetos, o segui até a entrada da propriedade, mais ou menos uns 3km no meio da mata. Como sou positiva, pensei logo no lado bom, estava fazendo um ótimo exercício para as pernas.
Logo após, encontrei o resgate e a Equipe. Porém, a aventura não havia acabado. Tinha um caminhão no meio da estrada, trancando a passagem da caminhonete. Sem exitar, meu marido entrou no caminhão e o manobrou. Assim, já noite, voltamos para casa com mais um história para contar, muitas mordidas de mosquitos e dores no corpo.
Texto: Juliana Jung
Fonte:
Jairo Gewehr Pereira Cidade:
Torres-RS-Brasil Fotos: Adriano Daca Publicado: Ana Lúcia do Carmo Saldanha Date: 18/04/2008
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