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Como se organiza um enduro de regularidade - 2008

Em maio de 2008, o endurista Marcos Lazaretti explica a difícil missão de organizar um enduro de regularidade.

Segundo Lazaretti, organizador do Enduro dos Pampas - Taquara (RS), promover uma prova de enduro, requer esforço e persistência, pois é necessário ir atrás de dezenas de fatores. É preciso obter autorizações, patrocínios, pensar no trajeto, até mesmo o clima influi na prova, e uma série de outras coisas.

Ele explica que os primeiros passos, após definir a data do enduro, é obter a autorização das entidades relacionadas, como a FGM (Federação Gaúcha de Motociclismo) e CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) para o evento acontecer.

Com esses órgãos, o organizador obtém o alvará para receber o evento e ajusta a data do acontecimento no calendário dos mesmos. Porém, não basta apenas o alvará do FGM e CBM, Lazaretti afirma que nada acontece sem o aval das autoridades locais.

Com esses fatores acertados, a equipe organizadora pode começar a planejar o roteiro da prova. Mas o endurista alerta que muitas vezes, com o roteiro já pronto, é preciso fazer alterações ou até mesmo fazê-lo.

Isto pode acontecer por diversas razões, ele dá um exemplo: "Às vezes temos que mudar o roteiro porque, num final de semana qualquer, alguém não fechou a porteira da propriedade, e o dono, resolve não deixar mais motos passarem por ali".

O enduro de regularidade é uma prova muito determinada em função das condições do tempo, logo, isso torna mais difícil o planejamento do seu roteiro. O organizador conta que, a cada momento, é verificada a previsão do tempo para o dia da prova.

Ele explica a dificuldade: "Se você faz uma prova pra chuva, e faz sol, o piloto vai reclamar que ficou fácil demais; Se você faz uma prova pra sol, e chove, também vão reclamar pelo trajeto ter ficado muito perigoso".

A procura por patrocinadores também não é nada fácil. Lazaretti revela a equipe de responsáveis vai atrás do maior número de organizadores possíveis. No entanto, após cerca de quinze dias aguardando uma resposta, descobre-se que, de cem, conseguiram apenas três patrocinadores para o evento.

Além do alvará, outros documentos são necessários para o evento acontecer, e segundo o organizador, este processo é bem burocrático. São feitos os documentos para oficializar o patrocínio; é preparado um ofício para a Polícia Militar, timbrado pela prefeitura; um ofício para a Polícia Rodoviária Federal, também timbrado pela prefeitura, e outro ofício para as ambulâncias que ficarão de plantão no evento.

Lazaretti ressalta que, muitas vezes, a prefeitura nem mesmo recebe quem vai até lá a procura de alguma coisa. Portanto, além de confeccionar todos os papéis, este trabalho requer tempo e paciência, até tudo ser homologado. Enquanto isso acontece, algumas pessoas têm que definir o leiaute do troféu e camiseta, e confeccionar a planilhas utilizadas pelos enduristas.

Lazaretti alerta que as planilhas devem ser feitas com muita atenção, grampeadas folha por folha, sem ter folhas repetidas ou faltando numerais ou jalecos. Antes do dia da prova, também é realizado um simulado, para certificar que tudo está realmente pronto para a prova.

Lazaretti explica que além de organizadores, visitantes e enduristas, o evento conta com a ajuda do trabalho importantíssimo dos PCs. São pessoas selecionadas, que se propõe a fazer um trabalho voluntário de cronometristas durante a prova. Esses voluntários são transportados até o local da prova, pois o lugar normalmente é um pouco deslocado, e de difícil acesso.

Os organizadores devem convidar os pilotos para sua prova, e sempre contar quantas inscrições foram feitas até o momento, tudo muito bem planejado "pois o fiasco anda sempre de mãos dadas com o organizador", brinca ele, sobre a possibilidade de algo dar errado.

Existe atambém a preocupação com a hospedagem dos pilotos e visitantes do evento, portanto, é papel da comissão organizadora, fazer contato, de preferência com o proprietário do hotel, para ver quais são as melhores condições de hospedagem.

O mesmo acontece em relação aos donos de lancherias, tanto a da largada, como alguma neutra. Representantes do enduro sempre tentam convencer as cantinas a fazer preços promocionais.

E enquanto ocorrem todas essas preparações, "vamos sempre observando se ainda não estourou o cheque especial" - brinca Lazaretti. Depois de muito esforço, com tudo pronto para o enduro, ele diz que só resta torcer.

Segundo ele, os organizadores torcem para que não ocorram imprevistos, e que tudo transcorra bem, sem ninguém machucado; para que nenhum 'espertinho' corte uma cerca para encurtar o caminho, ou não faça 'zerinho' nas casas dos moradores locais.

Durante a apuração, o evento também sorteia alguns brindes. O organizador conta que, mesmo com tudo muito planejado, sempre acontecem certos contratempos.

Como por exemplo, quando alguma moto estraga no meio do caminho, e enquanto isso, muitas pessoas vão justamente até o promotor da prova, para pedir notícias do piloto e saber por que ele ainda não voltou. Ou então, quando algum piloto cisma que não perdeu determinado PC, e que não tomou adiantado.

Lazaretti caracteriza o enduro, como uma prova que tem todos os atributos para dar errado, no entanto, conta que na maioria das vezes "quase que por milagre" praticamente tudo sai conforme o planejado. A cada prova organizada com sucesso, a satisfação é imensa, conta ele.

E a cada enduro, os organizadores tentam acertar os erros cometidos no enduro anterior. Segundo ele, tudo isso é dedicado principalmente aos pilotos, para que tenham uma prova, com emoção e segurança.

Marcos Lazaretti agradece todos que contribuem para a realização e divulgação de enduros de regularidade, e completa: "Só então a gente compreende o que é ser viciado em alguma coisa, no meu caso, em enduros de regularidade".

Fonte: Marcos Lazaretti
Cidade: Taquara-RS
Fotos: Nei Eugenio Maldaner
Publicado: Ananda Franco Garcia
DATA: 15/05/2008 <%insert_data_here%>

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