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Uma viagem de moto à Patagônia empreendida entre 14 de janeiro a 25 de fevereiro de 2008, onde José Freitas teve o privilégio de conhecer outras culturas.
Segunda-feira, dia 28 de janeiro, fui trocar dólar em um Banco, roubada para quem está na estrada: demora demais e a burocracia é grande. Como se não bastasse, cobram taxa.
Por conta disso, comecei a viajar às 11h. Rumo a Rio Gallegos, 700 km de distância, me informaram que não havia onde abastecer na estrada, levei então, 15 l de reserva. Entretanto, em uma parada chamada La Cabaña (este lugar me lembrou o oeste americano), a 120 km, o restaurante vendia gasolina e eu comprei. A poucos quilômetros, encontrei um posto, ou seja, mentiram para mim. <br> <br>
Segui mais 230 km até San Julian, onde abasteci. Continuei mais 140 km. Outro posto, novíssimo, o que tornou a gasolina reserva desnecessária neste percurso. Às 21h, cheguei a Rio Gallegos ainda com sol, o que ajudou a aliviar o frio intenso da região sul. Encontrei minha esposa no hotel e fomos jantar, que alívio pro meu traseiro e braços.
Dia 29 de janeiro, me permitiram guardar a moto e bagagens no hotel, aí fomos de ônibus para El Calafate, onde fica o Parque Nacional dos Glaciares. Ficamos no Hotel Elan por dois dias, novo e com quartos grandes, ótimo. A cidade vive do turismo dos glaciares e têm se preparado com empenho para abrigar mais turistas, têm boa infraestrutura, boas empresas de serviços do setor e é linda!
Para visitar os cinco glaciares, desembolsa-se US$120 (dólar) por pessoa, optei por visitar somente o Glaciar Perito Moreno, que me custou US$80 eu e a Fátima. Consegui filmar a queda de parte da geleira e tiramos muitas fotos. El Calafate é uma cidade muito aconchegante, tranqüila e acolhedora, aproveitamos e dormimos muito.
Dia 31, regressamos para Rio Gallegos para então irmos ao Ushuaia. Ao chegarmos o frio estava intenso, marcando 5 ºC e muito vento. Para piorar, choveu, é possível que a temperatura tenha chegado a 0 ºC. Fui ligar a moto e nada, não pegou mesmo. Chegamos à conclusão, eu e o atendente do hotel Costa Rio, o Luiz, que a bujia ( a vela) já era. Problemas: era feriado na província.
Dia 01 de fevereiro, na autorizada da Yamaha, trocaram a vela. E outro problema, a bateria quase em curto. Uma carga lenta resolveu, troquei os pneus paguei $800,00 geral e hotel, às 21h30min.
Dia 2, cedo, com muito frio, segui os 40 km até à aduana argentina. Ali, durante os trâmites, conheci um casal inglês, o John e a Márcia, viajando de BMW GS650. Convidaram-me para ficar na casa deles em West Lodge, próximo de Londres. Mais 1 km e a aduana chilena, foi tudo OK. Rumei para a balsa, mais 40 km até Punta Delgada, no Estreito de Magalhães. A travessia foi ótima. Do outro lado conheci um mexicano, de Harley Davidson, que fazia dois dias que estava esperando o mar se acalmar, para atravessar, pois as balsas estavam paradas.
Depois roda-se 40 km até Cerro Sombrero em pavimento (asfalto) e mais 125 km de rípio atá a Argentina novamente. No início, parece que se vai cair, mas, depois, se acostuma e dá para andar a 80 ou 100 km/h. Optei pela Ruta em direção a Porvenir, pois trafegam pouquíssimos caminhões. No meio do caminho, um dos galões reserva furou, parei pra colocar a gasolina na moto e apareceu um brasileiro, paulista, que estava na estrada fazia um ano, voltando do Ushuaia. Fotos, conversa fiada e estrada. Aduana chilena e argentina, onde existe um posto de serviço (gasolina). Dali, até Tullim são 197 km em asfalto, parada para gasolina, lanche e fui. De lá para o Ushuaia são somente 100 km. Chegueiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Vitória! GRAÇAS A DEUS!
O Ushuaia é uma cidade bem eclética, devido à grande quantidade de estrangeiros que residem ou visitam a cidade. Pequena, tranqüila e fria, o clima pode variar em questão de minutos. Dos 22 ºC, ou 25 ºC, com um simples vento, a temperatura cai para 7 ºC ou 5 ºC. Aí, só com touca de lã e casacos bem fechados. Fiquei um bom tempo com dor de cabeça, por conta do frio. A Fátima comprou uma touca e pronto, curado! Visitamos o Parque Nacional Tierra Del Fuego, entrada $30,00 por pessoa, onde sacamos (tiramos) muitas fotos. Os Lagos Escondido e Fagnano, são muito lindos! Dá vontade de ficar hospedado à sua beira, por dias.
Dia 4 de fevereiro, às 19h, segui viagem para Rio Grande, a 200 km, voltando. No posto, percebi a almofada de gel furada, que perda. Os primeiros 100 km foram debaixo de temporal, a roupa IXON segurou numa boa. A partir daí, os ventos estavam a, aproximadamente, 70 km, lateral direito, com muito frio, mas cheguei.
Dia 5, madruguei e no posto, saindo de Rio Grande, encontrei a galera que estava no Ushuaia: 3 americanos, 2 canadenses, 1 inglês e 1 holandês - gente finíssima. Conversamos muito, em espanhol, é claro. Estrada até à aduana argentina, 87 km, gasolina. Aí, conheci um alemão, Faeck, numa XT 660, européia, ano 93 - meio Ténéré, meio Superténéré - e andamos juntos por 2 dias.
Já no Chile, fomos até Porvenir, 150 km de Rípio, uma cidadezinha de pescadores, extremamente fria, onde se pega a balsa para Punta Arenas. Previa-se 2h30min de navegação, mas devido aos fortes ventos e ondas de 3 metros de altura que pareciam querer quebrar a balsa ao meio (medo, oração e paz), levamos 4h30min. Por conta do atraso, não achamos hotel com vaga e fomos dormir, com as motos, dentro de um restaurante de uns caras que se apiedaram de nós, o Maiko e o José, “que nos sacaram de la chuvia”, DEUS os abençoe por isso!
Continua......
Fonte:
José Ary Leite de Freitas Cidade:
Ushuaia-EX-Argentina Fotos: José Ary Leite de Freitas Publicado: Ana Lúcia do Carmo Saldanha Date: 14/01/2008
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