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Confira a Pedalada até a localidade de Bom Retiro do Sul realizada no dia 26 de maio de 2008.
No domingo, dia 26/05/2008, saí de casa por volta de 07:30 com a intenção de ir até Arroio do Meio acompanhar a 10ª Etapa da Copa União de Ciclismo, que ocorreria em Arroio do Meio, cidade próxima a Lajeado. Ao sair de Porto Alegre, pela BR 116, passei pelo laçador e me juntei a um grupo de ciclistas que estava saindo para treinar rumo à Scharlau. Acompanhei o grupo até a saída da BR 386, sendo que em um dos ciclistas chegou a comentar comigo, quando falei que pegaria a BR 386, que eu passaria trabalho com o vento contra.
Bom, mas o fato é que, logo que entrei na estrada, já senti que seria complicado chegar ao meu destino até o meio-dia, que era minha previsão inicial de chegada. E assim, fui prosseguindo, mesmo com forte vento contra. Era difícil passar dos 20/25 km/h em alguns pontos e mesmo os pequenos aclives se tornavam pesados, em função do forte vento contra.
Assim, fui seguindo pela BR 386, fazendo uma pequena parada para lanche pouco antes do acesso de Montenegro e após, não parei mais. O vento, porém foi o fator decisivo deste dia. Tornou o pedal sonolento e cansativo. Aí, fiquei pensando no dia anterior, quando justamente tinha cogitado a possibilidade do vento complicar a minha vida. Mas por outro lado, eu contava com a volta e com esse mesmo vento, mas a favor, e na boa média que poderia fazer...
Bom, mas enquanto a volta não chegava (e nem Lajeado), eu seguia pedalando, já passando por algumas localidades como Fazenda Vila Nova e Bom retiro do Sul. Isso já era em torno de 14:00. Pouco antes, para ajudar, um pneu furado... Logo, começam a passar os carros por mim, transportando bicicletas. A corrida havia acabado. Passava das 14:00, quando um amigo, o Tag, passou de carro e parou na estrada. Comentários breves sobra a prova, perguntei quanto faltava para Lajeado (eu já tinha feito 110 km). Este me disse que faltavam 20 km, aproximadamente, mas que se eu quisesse parar, há pouco mais de três quilômetros, havia onde almoçar.
O fato é que achei o referido posto, onde ficava a Churrascaria Laguinho. Chegando ali, ainda havia almoço e assim, resolvi interromper a viagem e após o almoço, retornar. Enquanto estou me servindo, vejo que chega o Eduardo e todo o pessoal que trabalha na organização a Copa União, também com intenção de almoço.
Feitas as devidas negociações, já que o almoço estava se encerrando e muita comida já tinha acabado no buffet, o pessoal do restaurante providenciou mais macarrão e alguns pratos extras e todos acabamos almoçando juntos. Só que no meu caso, como havia chegado antes, peguei mais churrasco e saladas, já que o macarrão e alguns outros pratos estavam acabando. Assim, meu almoço foi bom, mas impróprio para a pedalada, me obrigando a ficar por ali descansando.
O fato, é que iniciei o regresso por volta de 16:00. A estrada estava muito cheia, com muito movimento e o vento que antes era contra e deveria estar a favor, era lateral e até mesmo, em alguns casos, novamente frontal. Pedalando em ritmo entre 28 e 30 km/h, fui mantendo esse ritmo consciente que pegaria noite na estrada.
Neste ponto, um fato me chamou a atenção. Quando fui pela manhã, passei por um senhor na estrada andando muito lentamente em uma Barra Forte. Quando voltei, passei pelo mesmo senhor, cerca de 40 km depois, passando pelo pedágio de Lajeado. Imaginei que ele estaria dando seqüência ao pedal da manhã. Detalhe, o mesmo pedalava dentro da pista e foi alvo da impiedosa buzina de uma carreta, que lhe tirou um fino. Agora, o mesmo ainda pedalava, mas sem manter uma linha reta, e cogitei a hipótese de estar embriagado. Ciclistas assim contribuem para a imagem que a bicicleta é perigosa e para a proibição do seu tráfego em certas estradas. Complicado...
Próximo á Montenegro, o trânsito foi aumentando mais ainda e a noite foi caindo. O acostamento em muitos trechos, no sentido da capital, quase não existe. Assim, pedalar ali se torna perigoso. Diante dessa situação, fiz uma parada em uma tenda de comércio á beira da estrada, que vendia flores e vasos cerâmicos. Nisso observei uma van, que aparentemente, era tripulada por apenas um cara. Após alguns minutos e observação, não hesitei em ir falar com o motorista e pedir se, este tendo espaço, não aceitaria me levar à Porto Alegre, ou pelo menos, Canoas. O mesmo não quis saber de valor, apenas perguntou se eu estava bem e logo foi dizendo "Não esquenta, e sobe logo aí, cabeça!". E assim, colocamos a bike na van e logo embarcamos e saímos. O casal viajava desde a fronteira do estado de santa Catarina.
De fato, a partir dali fiquei tranqüilo e fui me dedicando a relaxar enquanto trocávamos alguns comentários sobre a estrada ou alguma coisa de ciclismo. Acabei cochilando. A estrada, mais perto de Porto Alegre, ficou congestionada e na saída para Canoas, com trânsito bem lento. Para minha sorte, a minha carona passaria na Salvador França, para ter acesso ao seu destino, mais ao sul da cidade. Acabei sendo deixado no portão da minha casa.
Meus agradecimentos ao Luciano, grande camarada que me deu essa carona. Fazia muito tempo que eu não voltava de carona para casa e foi a primeira vez que pedi carona dessa forma. Lembro de relatos de amigos que viajaram o Brasil de carona, coisa que era comum na década de 70 e início dos anos 80. Hoje em dia, é complicado tanto pedir, como dar carona. Mesmo assim, o pedal ficou em pouco mais de 146 km e a média perto dos 25 km/h. Não foi o melhor dia para pedal, mas certamente uma experiência que nos dá subsídio e autoconhecimento, além de preparo físico e psicológico para lidar com situações extremas.
Já havia ido duas vezes à Arroio do Meio e Lajeado. Desta vez, foi mais complicado e não deu, mas valeu por pelo fato de rever velhos amigos pelo fato de conquistar novas amizades. Acima de tudo, é bom saber que ainda tem muita gente solidária compartilhando dos nossos dias.
Fonte:
Rodrigo Hart Fagundes Cidade:
Bom Retiro do Sul-RS Fotos: Rodrigo Hart Fagundes Publicado: Berenice Correa DATA: 06/03/2008
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