Desde criança aspirava conhecer a terra dos nossos antepassados e, felizmente, mesmo com meus 66 anos de idade, pude ter esta felicidade. Observar de perto e interagir com os alemães, conhecer um pouco mais das tradições, usos e costumes deste povo maravilhoso!
Iniciamos a viagem com um passeio de barco. Enquanto passeávamos, avistávamos em toda a margem do rio, pequenas e modestas casas de harmonia e beleza especial.
Em Munique, nos hospedamos no hotel Rosengarden. Nesta cidade também testei meu alemão, percebi que todos me compreendiam e atuei como intérprete junto aos excursionistas.
A noite aproveitamos e fomos participar de uma festa tradicional do chopp, animada por uma bela banda. O povo estava muito empolgado e o nosso grupo mais ainda. Foi muito legal! Faltou muito pouco para a "Claci" substituir um músico.
Tal era a vontade de tocar, porém tive que me controlar, pois sempre há regras a serem cumpridas. Como eu poderia tirar a gaita do gaiteiro se nem sei tocar? Talvez apenas dançar. Mas onde estaria meu parceiro para executar esses movimentos elegantemente?
Percebi que na Alemanha, o povo prima pelas tradições, participando das festas e bailes. No Brasil também valorizamos as festas típicas alemãs, algumas cidades e estados se destacam; principalmente a região sul, até por possuir um grande número de imigrantes alemães. Após registrar estes momentos inusitados, nos recolhemos.
Na bela manhã seguinte, as paisagens nos absorviam: rios caudalosos ou riachos de águas tranqüilas eram um belo retrato da natureza, fazendo do nosso passeio, um alvorecer mais agradável e risonho. Víamos tapetes verdes e um belo gramado era sempre convite a rolar e brincar.
Aqui e acolá, ovelhas pastando. O trabalho do homem se destacando pelas enormes lavouras que agradecidas germinavam mostrando assim a compensação da labuta árdua do agricultor.
Continuamos a viagem, a paisagem começa a mudar. Agora o verde vai sendo gradualmente substituído por matizes mais claros e pequenos flocos brancos surgiam em nossa frente. Um zum zum no ar acorda quem está dormindo. As máquinas fotográficas e filmadoras tomam o seu espaço. Muitos passageiros ainda não estavam cientes dos novos acontecimentos e da beleza que havia lá fora.
Agora sim! Já valia a pena se entusiasmar ainda mais. Era só emoção! Loucura! Gritos! Vibração. Não se sabia para que lado olhar, ficamos radiantes, extasiados! Era a neve no seu apogeu, um lençol branco deslumbrante. Parecia o Natal dos pinheiros ilustrados em cartões.
Ali não era uma cópia, mas a beleza real e verdadeira. Um espetáculo impar da natureza. Nenhum escritor do mais rebuscado estilo, poderá transpor no papel a visão incrível desse cenário.
E alguém poderia questionar: Por que tanta emoção? Tanto auê? Tanta empolgação em ver a neve? E eu posso afirmar, escrever com tranqüilidade, porque como gaúcha, vi uma única vez flocos de neve, ainda na minha juventude, quando ainda era menina e lembro-me como se fosse hoje.
Chamava as colegas, na verdade as tirei da cama e gritava: Flocos! Flocos de neve! Vendo esta maravilha, fui ao pátio do colégio para apreciar mais. Jamais me esqueci disso, então viver novamente a emoção da neve era inexplicável.
Rumamos a Füssen, entusiasmante passeio, onde constatamos mais um prodígio da natureza e do trabalho do homem. Era fantástico e sublime ver no alto do rochedo o majestoso castelo de Neuschwanstein, considerado um dos mais belos já construídos na Europa e no mundo, e que serviu de inspiração ao Castelo da Cinderela.
Parecia inacreditável: esta deslumbrante obra se encontrava no ápice da montanha e foi necessário subir de charrete. Lá fomos nós, todos empolgados para mais uma aventura! Pobre dos cavalos, uma subida tão árdua, mas ao mesmo tempo tão mágica. Ao nosso redor, mata verdejante, e através dela, pequenos fachos de luz do sol, a neve acumulada ao redor de todo percurso se derretia.
Era emocionante! Entre as árvores se avistava pequenas correntes de água que formavam sulcos, abrindo lindas cachoeiras. Ao chegar ao topo inatingível, visitamos o majestoso castelo que fazia o lugar ainda mais romântico, repleto de objetos de arte, os tetos lindíssimos, estávamos pasmos e encantadas com a beleza!
Voltamos às charretes para descer a montanha. Ainda nos deliciávamos com a bela vereda por onde passávamos, e com aquela imagem branca pálida que se decompunha, revelando os pequenos riachos e o verde. Deixamos a terra dos meus antepassados.