Em outubro de 2008, o paulista Rodrigo Nunes, 28, deixou a cidade de São Roque (SP), onde mora, rumo a Patagônia, na Argentina. Porém, a viagem de moto não parou por aí. Seu objetivo era percorrer todo o continente Americano. E durante seis meses e meio, foi isso que ele fez, retornando ao Brasil em maio de 2008.
Esta é a segunda viagem deste nível, realizada por Rodrigo. No entanto, maior do que a primeira, em 2005, quando também passou por toda a América Latina. Segundo ele, a cada viagem, aumenta a vontade de expandir seus horizontes: “Depois que a gente começa a se aventurar, a gente sempre quer mais!”.
Rodrigo explica que a preparação para a viagem, é tão importante quanto ela própria, segundo ele, sem se preparar, não se vai tão longe. Portanto, o planejamento para esta aventura, começou com seis meses de antecedência.
Seu objetivo era percorrer todo o Continente Americano, e assim, apreciar os contrastes geográficos e sócio-econômicos entre as nações. Viver e sentir todas essa diversidade, para poder mostrar ao Brasil, o quanto somos ricos de felicidade.
Mesmo planejando a moto aventura, Rodrigo afirma que adequava o roteiro de acordo com informações obtidas, através das pessoas que encontrava no percurso. “Eu deixo que a viajem se faça ela própria, sou só o espectador” - completa.
Além disso, ele fala que, com exceção da data de partida, praticamente nada foi pré-estabelecido. Tanto que, em alguns dias, pilotava por duas ou três horas, e em outros, chegou a pilotar por 14 horas.
Quanto à preparação física para uma aventura como esta, ele afirma que esta vem de berço. Desde criança anda de bicicleta de competição, e desde os 14 anos, de moto.
Ele acrescenta que, sem dúvida, a preparação psicológica é a mais importante, porque não se pode estar em um determinado ponto do planeta, pensando em sua casa. “Tem que equilibrar a mente e saber viver o momento com a maior plenitude para amenizar a saudade” - reforça.
A motocicleta que utilizou é uma Honda Tornado 250 cilindradas. Antes de partir, ele conta que se preocupou em adaptar ao veículo, os suportes para os baús lateral e traseiro; a bolha Motovisor na dianteira; a manopla com aquecimento; e um par de pneus Levorin, cujo dianteiro suportou 44 mil quilômetros sem ser trocado.
De acordo com Rodrigo, a moto se apresentou impecável durante a viagem, nem sequer afogou. Ela foi e voltou, original de fábrica, e o motor faz o mesmo barulho de quando saiu da loja. “É uma moto que recomendo, vou ficar com ela por um bom tempo” - enfatiza.
O aventureiro revela que a maior dificuldade física e mental durante a motoviagem, foi enfrentar o frio do norte do EUA e do Canadá. A temperatura estava em torno de 15 graus negativos, e como a moto ficava em média, a 100 km/h, a sensação térmica era de quase 50 graus negativos, ele explica.
Após pilotar alguns dias sob essas condições extremas, Rodrigo percebeu que seus sentidos já não estavam funcionando como antes, de tanto ‘sofrimento’ que o corpo estava enfrentando. Quando viu que a vigem estava se tornando perigosa, desistiu de chegar ao Alaska por motivos de segurança.
A responsabilidade do piloto é um aspecto muito importante, tendo em vista que a prioridade é se aventurar, porém sempre dentro de seus limites. Ele pensa dessa maneira, e reforça, que não adianta atingir o “cume” a qualquer custo, deixando a vida como opção secundária.
Além das temperaturas, ele destaca que foi muito difícil deixar as pessoas com que ele conviveu lá: idosos, jovens, crianças, bombeiros, enfim. “Pessoas especiais, que talvez eu jamais volte a ver; isso sem dúvida foi o mais difícil” - confessa.
Segundo ele, essa convivência com os locais foi o um dos aspectos mais interessantes da viagem. “Eles te brindam só pelo fato de você estar viajando pelo país deles, isso é algo fantástico” - recorda.
Rodrigo confessa também, que prefere viajar a sós, pois assim se responsabiliza por ele mesmo e testa seus limites. Ele afirma que já viajou com a esposa durante três meses, da Bolívia até a Guatemala. Foi uma experiência muito bacana, ele diz. No entanto, acredita que a esposa tenha sofrido um pouco com as condições drásticas que enfrentaram algumas vezes.
Ele complementa: “Para mim, sofrer assim é um ‘prazer’, imagino que para outros motociclistas também seja bacana. Mas acho que em grupo, os conflitos podem ser maiores, as opiniões são muitas, e esse tipo de aventura coloca o ser humano no limite, e isso altera nossos pensamentos e ânimos”.
Após todas as experiências que se agrega em uma viagem como esta, Rodrigo declara que jamais será a mesma pessoa. Ele conta ainda, que o melhor momento, é a volta pra casa, pois é quando pode contar todas as histórias, sobre as culturas que conheceu, alegrias, tristezas, frio, calor, pessoas, e tudo mais.
Entre tantos momentos, Rodrigo relata uma situação inusitada, que vivenciou quando estava no México:
“No México, enfrentei ventos muito fortes. Em um momento, tive que parar a moto, pois seria impossível enfrentar a ventania. Quando achei que dava para continuar, montei na moto e fui surpreendido com uma rajada fortíssima que me arremessou de cima dela, foi impressionante. Para continuar naquele trajeto, tive que contar com a ajuda de um representante de salgadinhos, que me protegeu com um furgão, fazendo uma barreira contra o vento”.
“Mais um diploma na faculdade da vida” foi isso que a aventura pelas Américas representou para Rodrigo. Depois de tudo que viveu, ele garante que o Brasil é a nação mais rica e feliz de todos os países por onde passou. E que mesmo não tendo grandes construções, carros e estradas, o Brasil tem uma bela cultura e simpatia natural. Afirma que todos sonham em conhecer nosso país, aprender a dançar samba, e jogar futebol como os brasileiros.
Em sua memória, levou muitas coisas, como a alegria de certos países, e a rigidez de outros. Rodrigo cita os Estados Unidos, como um país que apesar do dinheiro, é muito pobre em sentimentos. Foi essa frieza que ele sentiu, em todos os locais que freqüentou, quando estava lá.
Rodrigo Nunes deixa uma mensagem para todos os brasileiros, para que nunca se esqueçam de sorrir e passar adiante toda a felicidade e alegria que o povo tem. Em sua opinião, o Brasil é o melhor país do mundo, e transmitindo essa felicidade natural, tudo o que é bom, voltará para nós.
Veja alguns dados sobre a MotoViagem:
Partida: 22 de outubro de 2007
Retorno:: 10 de maio de 2008
Km percorridos: 44 mil kms
Moto: Honda Tornado 250cc
Duração: 6 mês e meio.
Locais: 17 países, cruzando as Américas de norte a sul.
Equipe INEMA.