Às nove horas de uma manhã muita fria de inverno, um apito ecoa na plataforma da estação onde esta a “Maria Fumaça”, nome mais popular das locomotivas movidas a vapor. Um trem construído nos Estados Unidos, no ano de 1941. O badalar do sino anuncia que: Maria Fumaça vai partir.
A locomotiva joga uma nuvem branca e densa para o ar, ela é movida a carvão vegetal, onde é necessário alimentar a fornalha 5 horas antes. Ela irá consumir 1.5 tonelada de carvão e 5.000 litros de água, nesse passeio de 23 km. Lentamente a composição, que possui 6 vagões sobre 80 rodas, montadas sobre eixos sólidos, desliza suavemente, ganhando velocidade encima de trilhos com dormentes de madeira.
Lá dentro, na cabina, está o maquinista, um alegre homem de uns 60 anos, que dispensa os painéis analógicos, para dirigir o trem pelos sentidos de sua experiência, auxiliado por 2 homens que jogam carvão na fornalha, combustível que irá mover nosso passeio. Nesse trem vamos nós saboreando o prazer da viagem, no balanço de um sonho, ao som do ruído das rodas sobre os trilhos.
Dentro do vagão que me encontro, um retorno ao passado, onde acontecem apresentações da “epopéia italiana”, que mostra os 133 anos da imigração italiana em nosso País, o que é comemorado pelo grupo nesse passeio.
Uma hora e meia depois, e após um passeio turístico repleto de música e alegria, de vinhos e champanhas, tarantela, coral italiano e atrações surpresas, o trem perde velocidade e aproximando-se da cidade de Carlos Barbosa, com um assobio de freios ele chega ao destino.
No desembarque, despeço-me dos novos amigos, lamentando o fim da viagem, mas consolando-me que experimentei mais uma aventura, diferente das que realizo com minha moto. Mais uma apresentação, que revive a colonização heróica e vencedora de imigrantes italianos.
Um pedaço do meu coração viajará sempre com eles.