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Confira o 1° diário de bordo da aventura de Rodrigo Nunes, que cruzou as Américas de outubro de 2007 à maio de 2008.
Aqui vão as primeiras linhas de uma grande jornada.
A saída, é claro, movida por muitas emoções que vinham ficando cada dia mais difícil com o passar dos dias que se aproximavam da viagem. E claro que, como tudo na vida tem sua hora, chegou a minha hora de sair para America, dia 22 de outubro de 2007.
Quando o dia chegou, acordei do pouco que dormi, sabia que cada dia daqui por seis meses, seria uma grande caixa de surpresas me reservando fortíssimas emoções.
Às 8h, chegou a equipe de TV em casa. Eu correndo para terminar de arrumar minhas coisas, que tinha ficado até às 4h da manhã arrumando. Foi também o Michel, meu primo, da minha casa para a prefeitura.
Quando chego lá, dou de cara com todos os funcionários me esperando no pátio, fotos, entrevistas, falaram da minha viagem num microfone que havia, e me colocaram para falar. Mas num momento como esse, o máximo que consegui dizer foi agradecer a presença de todos e dizer que estava indo.
Depois de o prefeito falar, me despedi de todos, montei na moto e ai sim saí, mas da prefeitura para minha casa. E a equipe de TV queria que eu gravasse um monte de coisas ainda. Depois de uma hora, me despedi de meus pais, irmãos e do meu primo, da equipe toda de TV.
Também passei na casa dos meus avos para despedir, e peguei a estrada, mas ainda não para América. Fui para Sorocaba, onde havia um batalhão de jornalistas e pessoas me esperando na Intermotos, para eu me despedir. Assim como em São Roque, fui acompanhado por batedores da guarda municipal.
Em Sorocaba, foi a Polícia Militar, passei por toda cidade e eles iam fechando os cruzamentos com a sirene ligada para eu passar. Até chegar próximo a Votorantim de Láme, me despedi e parti para a América, e agora sim, só eu, Deus e minha moto.
Estava muito calor, parei e abasteci, e segui para a cidade de Piedade. Quando estou em Tapirai, esfriou bastante e começou a chover, justo na descida da serra. Eu ainda estava desacostumado com a moto pesada, com todas as bagagens e com o pneu cheio tive que ir muito devagar.
Segui pela BR 116 até Curitiba, onde passei a noite. De manhã, fui na Zebra para trocar minha roupa, de lá fui para o Balneário de Comburiu - Santa Catarina. No depósito da Zebra, para de fato trocar as roupas, saí de lá pelas 4 horas da tarde. Cheguei na cidade de Tubarão às 20h e fui direto nos bombeiros, onde fui muito bem recebido, e com uma boa janta e café da manha.
Às 7h da manhã já estava na estrada, com intenção de chegar na cidade de Melo no Uruguai. A tarde, nas imensas retas para o Rio Grande do Sul, vou mudando de posição na moto, para sentir menos dor nas costas, pernas, bunda braços, etc.
Estava eu com a perna direita pendurada para fora, a uns 100kmh, olhando as paisagens. Foi quando tive a felicidade de acertar em cheio com o pé no olho de gato. A dor foi tremenda, pensei que tivesse quebrado o pé, mas não passou de uma forte pancada. Acho que se não estivesse com uma boa bota, tinha quebrado.
Às 5h da tarde, cheguei na primeira de muitas fronteiras. Muitas fotos, e filmei também. Uns 5 kms em frente, está aduana, eles me pediram a carta verde e seguro contra terceiros.
Tive que voltar e fazer em Jaguarão, no Brasil. Tudo feito, agora sim estava andando pelos verdes campos do Uruguai, com a sensação de ter dado inicio a viagem. Às 8 horas da noite, cheguei a Melo, uma cidade de 70 mil habitantes, que é capital do departamento.
Uma cidade muito tranqüila e segura, todas as casas ficam com as portas abertas, dormi na casa de um amigo: café da manhã, churrasco, mas acham vocês que era picanha? Passou longe, foi intestino de vaca, e me deu um nó no estomago o dia todo. Conheci o primeiro pedágio das Américas, pelo menos é o que me disseram.
Fui muito bem recebido por todos, que não sabem o que fazer para agradar e te deixar a vontade. Depois de muitos churrascos, deixei Melo, e fui direto a Montevidéu. No caminho, puros pastos verdes, mais de 400 kms de lindas paisagens até chegar por volta das 17h tarde, em Montevidéu - na casa de um casal de amigos.
Mais churrasco, sábado de manhã saímos para me mostrarem a capital do Uruguai, estava todo contente, filmando e tirando fotos. Até que acabou a fita, em seguida a bateria e logo depois, as pilhas. Marinheiro de primeira viagem (risos) e no fim, o sábado ficou só para mim.
Almoço, churrasco no mercado municipal e janta churrasco na casa dos pais de Diego e Karina. Dia seguinte, almoço - churrasco na casa do casal, e a tarde, segui para Colônia do Sacramento - 200 kms para pegar o barco até Buenos Aires.
O que tenho para dizer do Uruguai, que de 23 países que conheço, era um país onde eu viveria. Pela tranqüilidade, segurança, e a amizade do povo uruguaio, então fica aí uma excelente dica para quem vai viajar:
Passe por esse país pequeno em dimensões, mas grande na simpatia de seu povo, que compensa a falta de lindas paisagens com as quais estamos nós brasileiros, acostumados com nosso lindo país.
No barco, conheci quatro mexicanos e um venezuelano. Jovens que estudam em Buenos Aires e me convidaram para ficar na casa deles, me levaram para conhecer a capital argentina a pé. Desta vez, muitas fotos e imagens.
Agora onde fui, posso dizer com segurança que fui o único brasileiro a estar. Fui convidado a ir ao casamento de dois casais mexicanos, e quando chego lá, imprensa do mundo todo, e não é exagero meu. Isto porque, os casais iam casar na Iglesia Maradoniana.
Essa é a mesma cara que fiz quando ouvi. Isso mesmo, igreja do Maradona, com "sacerdotes, monges, beatas", uma bola sacrificada com coroa de espinhos, imagens por todos os lados de "DIOS". Além de um terço com pequenas bolas de futebol e com uma pequena chuteira no lugar da cruz.
Encerro meu primeiro diário pelas Américas,
De Buenos Aires, Argentina
Rodrigo Nunes.
Fonte:
Rodrigo Nunes Cidade:
São Roque-SP-Brasil Fotos: Rodrigo Nunes Publicado: Ananda Franco Garcia Date: 22/10/2007
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