Hotéis
Se você é classe média e está acostumado com os hotéis desse nível no Brasil, se prepare para passar um “perrengue” na Venezuela! Lá, literalmente é “8 ou 80”, ou você se hospeda em um top de linha que cobra uma média de 200,00 dólares a diária, ou vai ter que se contentar com um hotel de baixa qualidade, e ainda pagar caro por isso.
Tiramos de vista aqueles hotéis em que o preço gravitava na média de 60BF. Isto porque queríamos um poucos mais de conforto. A média paga para um casal é de 100 BF, o que dava em reais, mais ou menos 75,00. Por esse preço, em nosso país, você tem um bom tratamento, já na Venezuela...
Pra começar, toalhas não são o forte da rede hoteleira. As que pegamos mais pareciam pano de chão de tão esgarçadas que estavam. Acho que enquanto estiver um fio legando a outro no pano, eles deixam como toalha para os hóspedes! São pequenas, e também diminuem de tamanho!
No nosso primeiro dia, a toalha parecia toalha para bebê. Não dava pra dar uma volta inteira na cintura! No dia seguinte, já diminuiu, e no terceiro, literalmente colocaram uma toalha de rosto para que tomasse banho! Ainda bem que ficamos só três dias, penso que no 4º dia poderia ser um lenço!
Não tem café da manhã! O preço é pelo quarto, poucos hotéis oferecem a alimentação matinal, e quando isso ocorre, cobra-se um preço à parte, geralmente mais caro do que você encontraria fazendo seu desjejum, em alguma padaria da região.
Outra característica é o pagamento da primeira diária no ato! As outras, você pode até liquidar na saída, mas a primeira, é antes de subir mesmo! Talvez para não haver a chance de desistir, depois de ver como se encontra o estabelecimento.
Depois de muito procurar, acabamos ficando no hotel Bethoven (que tinha mais afeições do cachorro do filme do que do célebre músico). O interessante é que de início, não tinha vaga! Cansados de percorrer a pé, e com mochilas nas costas, perguntamos quando teria previsão de vaga.
A resposta foi que, a partir das 14h, teria condições de averiguar se liberaria algum quarto. Daí, perguntei se poderia deixar as mochilas em algum lugar, pois a fome já batia (estava próximo do horário do almoço) e não queríamos sair como burro de carga, pra procurar algum lugar para comer.
O atendente disse que poderia sim, mas que era preciso deixar um depósito, pois eles iriam ficar com a responsabilidade das malas. Concordei de pronto, sem perguntar o preço. Perguntei também se haveria banheiro ali na recepção, pois eu precisava lavar o rosto!
Neste ponto, ele já nos ofereceu um quarto, que disse não estaria todo arrumado, mas que se quiséssemos, já poderíamos subir com as coisas e deixá-las por lá.
Estranho! Há cinco minutos não havia quarto, depois que falei que pagaria, apareceu do nada um quarto, e digo mais, estava limpo quando entramos no local! Percebi que quem anda de mochila, não tem boa aceitação, pelo menos na capital.
Por mais que você tenha dinheiro, a mochila te condena. Pena, pois depois que descobrimos as facilidades da mochila, mesmo em viagens de carro, costumamos levá-las. É um excelente meio de transporte de material para o turista, não precisa ter muito cuidado, pois é rústica.
A mochila te possibilita fazer deslocamentos, principalmente em aeroportos, sem ficar puxando mala, etc. Há uma série de fatores que beneficiam o uso da mochila, e nesta cidade, percebemos a discriminação. Só suplantada quando apareceu o dinheiro, e “in cash” mesmo.
Aprendemos a lição! Nos outros lugares, optamos por deixar as meninas ir procurar um hotel, enquanto a gente ficava tomando conta da bagagem, parado em algum lugar! Depois que achavam, elas voltavam e aí sim a gente aparecia (com as mochilas), mas já estava tudo acertado, conta paga (antecipadamente) e: quarto disponível, sem discriminação!
Informações Turísticas
Não tem guia (ou plano) da cidade disponível, nem pra doação e nem para compra! Aliás, não tem nada disso no país inteiro. Temos que começar a aprender que, se quisermos ir a lugares onde não se encontra guias informativos no nosso país, é bom saber que o conhecimento vai ter que sair na base da garimpagem. Com muita conversa e muita observação!
A colega que foi com a gente, mora em Brasília e chegou a ir à embaixada da Venezuela pra conseguir alguma coisa. Mas as coisas que obteve, não eram de forma alguma interessantes para o turista que está no país! Falava sobre a beleza do lugar, sem se dar o trabalho de indicar onde ficava ou formas de acesso, coisas de promoção independente!
Como já estava perdendo a paciência já no primeiro dia de férias, acabei perdendo também o escrúpulo! Arranquei do catálogo telefônico as páginas do mapa onde nos interessariam circular, pelo menos, para não nos perder neste primeiro momento.
Ainda tive o cuidado de cortar com estilete bem rente, para não aparecer indícios do crime! Não foi o mais honesto, mas pelo menos não ia acontecer o que fizemos ainda de mochila, literalmente, andamos em círculos!
Encontramos no shopping, claro, à venda, um plano da cidade de Caracas. Havia um monte de propaganda de estabelecimentos, e o selo do governo, o que denota que deveria ser para distribuição mesmo.
Mas resolvi pagar os 10BF para não ficar perdido nesta cidade, que é quase uma São Paulo. Fora da capital, encontramos alguns informativos, mas sempre com muita conversa, já que parecia que estávamos procurando por mapas de mina de ouro.
As cidades turísticas disponibilizavam algum material informativo, mas penso que falta uma melhor qualidade, tanto no material quanto nas informações. Do que foi disponibilizado, muitas vezes era exposto para turista do país, pois algumas informações não eram de interesse, ou tratavam de alguma coisa muito peculiar, que não vislumbrava interesse de estrangeiros conhecer.
Foi em Colonia Tovar, que nos foi ofertado um verdadeiro guia. Claro, patrocinado pelo governo e com uma série de propagandas, que apesar ser do biênio 2006/2007, não sofria muitas variações das localidades e atrações (só não fazia justiça quanto ao preço!).
Em Mérida, peguei emprestado na pousada, este mesmo guia (ano 2007/2008), para analisar e “esqueci” de devolver! Não foi proposital, mas não ia sair da rodoviária, pra devolver um guia na pousada, sabendo que eles ainda dispunham de mais três na prateleira onde peguei!
Em Tucacas, conseguimos um folder do parque Morrocoy. O parque é lindo, decorre de um amontoado de ilhotas protegidas, onde se vai de barco. Muito interessante, mas pouco divulgado.
O folder era do século passado (tinha data de impressão de 1999)! Apesar das fotos das pousadas não fazerem jus à realidade, pelo menos, a indicação das ilhas era precisa!
Em Ilha Margherita, cartão postal da Venezuela para o mundo, apesar de ter um escritório de atenção ao turista, não conseguimos informações. Porque, nas duas vezes que fomos lá, estava fechado! Particularmente, na Ilha, obtivemos informações com a operadora de locação de veículos, talvez, claro, porque alugamos o carro dela!
As pessoas também não conhecem a cidade onde moram! Principalmente nas grandes! Perguntamos a várias pessoas como chegar ao teleférico de Caracas, que é bonito, deixa o bondinho do pão de açúcar no Rio de Janeiro no chinelo fácil, fácil. Mas as informações vinham desencontradas, e achar isso em uma cidade encravada em um buraco e repleta de morros por todos os lados, não foi fácil.
O cúmulo foi a resposta que obtivemos de uma funcionária pública, que estava expondo um novo projeto teleférico para a cidade. Segundo ela, não havia essa atração em Caracas, somente em Mérida eu iria encontrar!
Desiludi, mas depois que encontramos o lugar, deu para perceber como a população vive no seu mundinho, sem se contar que há uma atração turística muito bem estruturada no seu quintal de casa.
Sobre o que ela estava expondo, gostaria de fazer um parêntesis. Trata-se de teleférico que o Presidente pretende implantar numa favela, morro acima ,a fim de sanear o lugar. É interessante, inclusive já foi motivos de aparição em noticiário no Brasil. Com vinda da comitiva do Companheiro Lula, e do governo do Rio, para averiguar o projeto aqui em Caracas!
Gastou-se dinheiro à toa, já que a coisa ainda não saiu do chão! Chão mesmo, mas a propaganda é forte! O que a mulher estava tomando conta, tinha muita folha de papel gasta com fotos e endeusamento do projeto.
E até uma cabine do teleférico em tamanho original, mas é só isso, já que a coisa em si, somente em setembro que seria começado a implantar. Pra ver papel e fotos, um peão do governo só já bastava, ou nem isso. Já que a internet aproxima as pessoas, poderia aproximar os governos, só que não dá diária né?