Buscar novas visões e conhecer oportunidades novas é uma das razões de eu passar esta temporada no Canadá. Passei algumas semanas só estudando, ficando mais em casa, em um apartamento no centro de Vancouver. Sempre conectado, desenvolvendo novos recursos, para o INEMA e trocando idéias sobre tecnologia para a SISNEMA.
Então chegou de Miame Beach, uma grande amiga, que conheci na minha expedição para Antártica em 2006. Uma pessoa fantástica, além de ampla cultura, amável, tanto que se preocupava comigo, que acabei chamando-a de Mama.
Visitamos ela em 2007, no dia de ações de graça, quando diversas pessoas da expedição de circunavegação da Antártica, se encontram em Miami Beach. Vindos de vários pontos do planeta, uma grande fraternidade entre as pessoas, e excelente troca de experiências.
Bom, fiquei muito feliz em ter a Mama aqui, ela veio visitar sua irmã e sobrinhas. E para mim, foi ótimo revê-la. Assim, passei a freqüentar onde a sua sobrinha e irmã moram, um lugar maravilhoso de Vancouver, chamado Deep Cove.
Aliás, eu já tinha ido muitas vezes lá durante o inverno. Para mim, é o lugar mais lindo e agradável de Vancouver. Uma pequena vila, rodeada por montanhas com o mar calmo, cheio de parques.
Assim, Annelise - a mama - me convidou um dia para fazer uma caminhada até a rocha. Eu topei. No domingo às 13h, eu estava na casa da irmã de Mama, elas haviam guardado um almoço para mim, bem ao estilo colonial alemão.
Depois, seguimos de carro até Deep Cove, paramos na casa de sua sobrinha, e fomos a pé até a praia de Deep Cove. Levei minha filmadora e a máquina de tirar fotos, passamos pela vila no domingo, estava cheio de gente, que vem curtir este lugar maravilhoso.
Estamos entrando no verão, e a temperatura de 20 graus, faz com que todo mundo saia de casa. Na água, víamos caiaques, barcos, curtindo este fim de semana de sol, que é coisa rara em Vancouver.
Pelo gramado, o verde, e as pessoas deitadas, dormindo, outras lendo, as crianças se aventurando a tomar banho na água ainda muito fria. Outros, pelos parques, fazendo seu assado, seu piquenique. Curtindo os 600 parques que a província de BC possui.
Cruzamos toda a praia, e então chegamos à entrada da trilha que nos levaria até a rocha, uma visão de toda a região de Deep Cove. Ali já há uma placa informando as trilhas que existiam até a rocha. Seriam 1.9 km de ida, e mais o mesmo de volta, com uma subida de 165 metros. Achei que seria simples e rápido, olhando aquelas informações.
Mama ajuntou no chão, um galho, usando ele como apoio para subida, e eu a segui. Depois acabei passando ela para fazer umas fotos, já estava adorando a trilha, pois as arvores de pinho, que eram altas, davam um ambiente maravilhoso, com o sol entrando por meio das folhas.
Pelo chão, muitas pedras, e as raízes de arvores de muitos anos. À toda hora, passavam pessoas por nós, descendo a trilha em muito bom astral. Nos riachinhos, havia pontes bem feitas, com telas no chão, para evitar em dias úmidos ou de chuva, que as pessoas escorreguem.
Eu já estava ofegante, Mama seguia tranqüila, bom, ela sempre caminha em Miami, adora praia, e o clima de lá. E claro, adora também o Deep Cove, tanto que passa sempre um mês lá, com sua família.
Além das pessoas descendo diversas vezes, pessoas desciam também a trilha correndo pelas pedras e raízes. Era um feito impressionante, e não eram só os jovens que faziam isso. Em uma das pontes, olhei para cima no riachinho e não acreditei, vinham várias bikes, descendo a toda e pulando sobre as pedras.
Tirei um monte de fotos, mas claro que sem a claridade. Não saiu grande coisa, tanto que certamente, queimaria, mas foi legal. Eles pararam na minha frente, trocamos idéias, e eles seguiram, descendo morro abaixo.
A subida continuava forte. Logo adiante, em outra ponte, encontramos um casal com o filho nas costas, ele muito curioso. Paramos para conversar um momento, e pelo alto astral do casal, parecia que éramos amigos de muito tempo. Eu estava empolgado pelo ambiente, tanto da natureza, quanto pela presença de Mama, e também, pelas pessoas legais que encontramos.
Eu nem sentia o cansaço daquela subida, apenas estava bastante ofegante. Dei uma corrida para frente e esperei Mama, sentado, e ela chegou com alto astral. Sentou um momento ao meu lado, e depois seguimos subindo e descendo.
Aí complicou, os 165 metros se tornaram muito, muito mais. Isto porque, a cada momento, descíamos e subíamos muito. No fluxo contrário, muita gente, e em nosso sentido, e algumas pessoas mais jovens, passavam para nós, todos também em alto astral.
Me impressionei com a quantidade de pessoas que levava seus filhos com média de 1 ano, nas costas. Eu via como as crianças gostavam, algumas até eu via cantar, se agitando a cada movimento do pai ou da mãe, que as carregava. Impressionante como tem isso no Canadá, os hiken, as caminhadas, e levam os filhos desde pequenos, desenvolvendo o gosto pela natureza e saúde.
Foi uma longa subida, que nem notei, pelo ótimo caminho, pela beleza das árvores e principalmente, pela simpatia das pessoas. Chegamos ao topo, vi a pedra e um monte de gente sobre ela. Subi na pedra e adorei a vista, via a vila ao lado, do outro lado, via o parque, o rio ou mar, bom, não sabia bem certo, mas via muitos barcos e caiaques passeando por ali.
Logo à frente, um casal namorava. Fui lá apreciar a vista bem de perto do precipício, e vi que havia outro casal também ali na frente. Realmente, o lugar é lindo para namorar. Olhei para trás, e a Mama estava deitada, relaxando, olhando para o céu azul, com algumas nuvens mais ao horizonte.
Ficamos um longo tempo ali. Algumas pessoas estavam lendo, outros faziam piquenique, muitas crianças. Até que chegou a hora de descermos, ou seguir outras trilhas.
Pedi para Mama me tirar algumas fotos, e fui lá fazer meu salto tradicional, nos lugares mais incríveis que visito. Eu tinha que voar ali, ela estava toda preocupada, não queria tirar a foto minha saltando, mas uma boa “mãe” faz o que o filho quer! (Hehehe).
Assim, decidimos descer, havia outras trilhas, mas ficariam para outro dia. A descida foi muito agradável, olhamos muito as plantas, tinha framboesas maduras, comemos algumas e fomos descendo. Subiam menos pessoas agora, em relação à antes, e não tantas desciam. Nós ficamos um bom tempo lá em cima.
Quando encontrávamos alguma pessoa trazendo um bebê, era paradas certo, conversas e admiração, pela criança e pelos pais. A criança sempre muito ativa, me mostrando como isso é bom, e muito pouco feito no brasil.Mama seguidamente abraçava uma arvore, mostrando o amor que ela tem, pela natureza.
Assim, sem nos dar conta, estávamos novamente na praia. Encontramos quatro chinesas tirando fotos. E, obviamente, tiramos algumas fotos delas e outras para elas. Aí fomos ver o pessoal andar de caiaque. Mama prometendo que andaria de caiaque no outro dia. Aliás, ela anda de caiaque sempre que possível, no mar de Miami.
A todo o momento chegava um pessoal de moto, girando pela vila. Para finalizar, fomos tomar um sorvete muito interessante e gostoso. Segundo Mama, era o tiger Icecream, um sorvete estilo de tigre. Bom, provei e adorei, tinha a mistura das cores de um tigre e era muito gostoso.
Assim, voltamos para casa da sobrinha, que nos esperava com uma janta. Eles moram bem próximo à praia, aí curtimos mais um pouco de ambiente da natureza, pois a casa deles é em estilo de cabana, rodeada por pinheiros. Parecia que estávamos no meio do mato.
Bom, fora o bom gosto da casa e da decoração. Donna, que é a sobrinha de Mama, tem um talento para arte, esculpindo e criando muitas cosias, que faz e coloca pelo jardim e pela casa. Eu sempre fico horas ali observando, e a cada momento, descubro coisas novas, super criativas e bonitas.
O jantar, com vinho e um barbecue assado, foi no deck de trás da casa, com uma vista do sol se pondo por entre a montanha, eu estava sentido uma brisa leve e agradável, mesmo que um pouco fria. Uma ótima tarde para mim e, certamente, para a família da Mama.
Quem visitar Vancouver, recomendo que visite Deep Cove.