26/03 – Quinto dia
Quando acordamos as 6:30AM (acordar não significa levantar da rede), o tempo parecia ter firmado e alguns raios de sol ensaiavam aparecer, mas ainda estava frio, 9°C. Dá para se imaginar o que é estar a 9°C no meio da selva amazônica? Vestir toda aquela roupa molhada foi uma péssima idéia, mas era a nossa única opção.
O trekking começou as 8:45 e novamente enfrentamos os campos alagadiços que acabavam com o ânimo do pessoal, e este terreno nos acompanhou até a base da montanha. Aí ela dava lugar a uma parede de 700 m com uma inclinação muito acentuada.
Por diversas vezes foi necessário utilizar cordas para vencer os obstáculos.
Ela continuava lá, horas mais forte, horas mais fraca, mas sempre nos coagindo a desistir. Mas a esta altura do campeonato não seria uma chuvinha boba que nos faria desistir!
Tudo bem que a chuva não era o mais importante, mas ela aliada a inclinação da parede, às pedras soltas, às cordas velhas e desgastadas nos trechos mais difíceis, ao peso das mochilas sempre nos “auxiliando” a transformar um simples escorregão em algo de proporções catastróficas me forçava a pensar:
Como vamos enfrentar isso na volta?
Achei mais conveniente não pensar muito nisso e me concentrar na escalaminhada, mas os pensamentos eram como a chuva – fortes ou fracos mas sempre aparecendo de supetão!
O que nos deixou mais tranqüilo foi a forma como os guias estavam conduzindo esta etapa da excursão. Em nenhum momento eles mostraram despreparo ou maiores níveis de preocupação com o grupo. O que me levava a crer que grupos menos preparados que nós já haviam passado por ali e se deram bem.
Tudo bem que teve um caso de uma menina que quebrou a perna e outra que quebrou o braço, mas preferi acreditar quer era folclore.
Seja bem vindo ao cume do Brasil – 2997m – 26/07/2008 15:30
É, chegar ao cume do Brasil é algo extremamente singular, não é como subir uma montanha qualquer de 3000m. É saber que você está com seu país amado sob seus pés. Não trata-se de um golpe de sorte, pois você se dedicou muito, pessoas se envolveram, contornamos e controlamos os riscos, outras tantas pessoas ficaram em casa rezando para que tudo desse certo, estávamos dispostos a enfrentar perigos que nem podíamos imaginar.
É, esse é um problema de pessoas que tem como esporte predileto as corridas de aventura - nenhum perrengue é grande o suficiente e chegamos aqui com três estrelinhas ainda! Isto sem contar que a visitação está proibida e só conseguimos porque escolhemos as pessoas certas!
A noite promete ser fria, pois já está 10°C e ainda são 19:00 h. Como o tempo aqui em cima é muito inconstante e estávamos mais preocupados em tirar fotos que armar os acampamentos imaginem o que deu mais errado? Pois é, as barracas foram armadas a revelia, algumas ficaram tortas em cima de macegas e outras em cima de pedras. Acho que teríamos uma longa noite fria, úmida e mal dormida devido a essas escolhas.
Ah, hoje vi o segundo animal de porte considerável na viagem, um rato de uns 15 cm de comprimento.
A saudade de casa começa a apertar, obviamente que isso iria ocorrer quando nosso objetivo estivesse alcançado. As preocupações em tranqüilizar quem está a nossa espera é o maior desconforto. Também temos que considerar que de agora em diante será um tocaprabaixo desgraçado, e se depender de alguns Marco vamos tocar direto para casa.
Incrível como viagens como essa nos desligam do trabalho e nos fazem dar importância somente ao que é importante de verdade. É como se fossemos à menor parte de nossos luxos, manias, conceitos e princípios e todo resto fosse descartável. Gostaria de compartilhar deste momento com todos meus amigos, e com os inimigos também, pois certamente as nossas diferenças iriam diminuir muito “aqui de cima”, mas como isso não é possível vou mandar o relato o quanto antes a todos.