27/03 – Sexto dia
Acordamos as 6:30 e nos preparamos para atacar o segundo maior pico do Brasil – o 31 de março. A vontade não era das maiores, até porque geralmente a escalada é gradativa. Primeiro o segundo mais alto depois o mais alto. Parece óbvio. Mas de qualquer forma sabíamos que se não o fizéssemos não voltaríamos lá novamente, ou seja, já que estamos no inferno porque não dar um abraço no Diabo.
A distância linear com o GPS dava 700m, mas a inclinação e o terreno dificultavam muito esta pequena trilha.
Um trekking de cerca de 30 minutos e uma paisagem quase mais recompensadora que o do Neblina. Parecia que o tempo havia melhorado e que a descida ia ser tranqüila.
Saímos do Neblina as 9:00am e cerca de 30 minutos depois da largada despencou o maior pé d’água. Todos nossos medos foram postos a prova. A chuva transformou a trilha num verdadeiro rio com correntezas muito fortes, para se te uma idéia por diversas vezes pedras rolavam devido a força das águas. Praticamente todo trecho de descida foi debaixo de muita chuva.
Qual trilha seguir para descer?
Ah, escolhe um desses rios e boa sorte!
É, a cena que vimos daquela parede de uns 500m de altura com dezenas de cachoeiras será inesquecível, com certeza!
Levamos cerca de 2 horas para chegar ao pé da montanha, o desgaste era inacreditável e a resistência da capa Quéchua e da bota Snake foi incrível. Agüentar o tranco dessas descidas não é para qualquer um. Descemos em três grupos, Marco e Pedro, Marcel, Sandro e Farias, Gordo e Serelepe e Feio e Silvia.
Após a descida da parede enfrentamos cerca de duas horas de um terreno alagadiço, cheio de desníveis e raízes escorregadias, que quando não nos tentavam levar ao chão machucavam as solas dos nossos pés. A chuva continuava.
Chegamos ao acampamento base por volta das 15:30 completamente exaustos, famintos, com frio e molhados e com os pés muito doloridos. Banho gelado (14°C) e esperar a janta que estava sendo feita pelo Armindo e o Zé Luiz.
Recebemos uma visita do Brisola que nos trouxe algumas gramas de ouro para tentarmos negociar uma souvenir exclusiva. Pena que era praticamente ouro em pó e não tinha nenhuma pepita com tamanho considerável.
O cansaço e o stress da descida gerou o primeiro conflito da excursão. Até que demorou. Como a Silvia ficou para trás com o Feio e a bateria dos rádios havia acabado ficou uma situação delicada, pois se houvesse qualquer problema seria dificilmente controlado.
As 19:30 estava na rede para dormir.