29/03 – Oitavo dia
Acordamos cedo para a última pernada, saímos do acampamento antes das 8:00 da manhã com um café da manhã e as últimas reservas de alimentação.
Os ânimos já não eram “aquilo tudo”, quase não tinha mais conversas durante as caminhadas, não sei se acabou o assunto ou realmente a paciência já estava no fim.
Eu e o Sandro bem que tentamos acompanhar o Marco e o Pedro, mas o ritmo dos dois era digno de uma comenda ou um busto em São Gabriel da Cachoeira.
Para ajudar o meu bastão de caminhada resolveu encolher desde a descida do Neblina, deixando mais cansativo o retorno. Quase perguntei se a Silvia não queria vender o dela que estava funcionando, mas ela havia descoberto a pouco que ajudava – e muito – nas subidas.
E como era um sobe e desce infernal achei melhor não tentar coagi-la. O tempo não se decidia, as vezes chovia, as vezes ameaçava, mas como ninguém tinha mais paciência – lê-se saco – para ficar tirando e colocando a capa de chuva ninguém se preocupava se íamos virar repolho ou não.
Chegamos ao final do trekking por volta das 13:00, agora só faltava esperar o barco chegar e descer o rio.
É, descer o rio...mais umas 5 horas de voadeira, para nossa sorte toda a chuva que pegamos elevou o nível em mais de 1m, logo, deu para navegar a uma velocidade muito superior (e constante) a subida. Todo mundo tentava se arrumar como dava no barco, as mochilas que todo mundo tinha um carinho especial na ida, na volta já não tinha mais tanta importância. As chuvas que pegamos não eram mais tão molhadas assim. É, a volta é sempre entediante.
Chegamos ao fim da voadeira por volta das 18:00, bem como havíamos previsto, o que nós não esperávamos era o banquete que nos aguardava. Pão, queijo, presunto, refrigerante – coca-cola e baré inclusive. Nunca gostei tanto de pão com queijo como aquela noite.
Depois de comer colocamos todo equipamento no caminhão e agora era só sacolejar mais uma hora que estaríamos prontos para comer um X-Tudão Miseravão no Thunder. Claro, que para fechar com chave de ouro faltava aquela chuva. E que chuva pegamos na volta.
Tudo que queríamos era chegar no hotel e tomar um banho quente e dormir numa cama sem se preocupar com animais peçonhentos. É, cama tinha, animais peçonhentos não vi, mas o estressante foi descobrir que no hotel não tinha chuveiro quente.
Do dia 18/03 a 30/03 só tomei banho quente um dia, e foi no hotel de transito do exército. Acordamos cedo para tomar o café da manhã – excelente - e pegar o vôo reprogramado para Manaus.
Parabéns a todos, em especial a Silvia que nos mostrou que não adianta correr que todos chegam ao mesmo lugar e com o mesmo humor.