O vento sul entrou forte bem na hora que estavam iniciando as grandes finais da 3ª etapa do SuperSurf 2008, deixando as ondas mexidas na Praia de Maresias, que lotou no domingo decisivo de céu fechado em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo.
O grande intervalo entre as séries foi outro fator que dificultou a ação dos atletas, mas não tirou o brilho da etapa com as melhores ondas da temporada.
De pódio para pódio! Depois do fantástico título conquistado no WCT do Tahiti nos temidos tubos de Teahupoo, o niteroiense Bruno Santos chegou em sua primeira final na história do SuperSurf, mas só surfou duas ondas na bateria e quem comemorou a vitória foi o catarinense Marco Polo.
A categoria feminina já tinha sido vencida pela cearense Tita Tavares, que fez mais um feito inédito em sua já longa lista de recordes, o de três vitórias conquistadas em Maresias na final com a paraibana Diana Cristina. Só restam duas para definir os campeões brasileiros de 2008 e a próxima é nos dias 09 a 13 de julho na Praia de Itamambuca, que fecha essa fase paulista em Ubatuba, única cidade que nunca saiu do calendário.
Mas, ninguém vibrou tanto com a vitória como o catarinense Marco Polo, número 3 no ranking brasileiro do ano passado, único que conseguiu carimbar a faixa do campeão do WCT do Tahiti nas boas ondas da Praia de Maresias. Em seu primeiro desafio no domingo do SuperSurf de São Sebastião foi contra o cearense Messias Félix na semifinal e usou a mesma tática de arriscar várias ondas para pegar as boas na grande final com o niteroiense Bruno Santos.
Foi assim que ele pegou a melhor que entrou na última bateria do campeonato e valeu nota 8,33 para somar com uma 6,17. Bruninho novamente mostrou paciência, só que dessa vez as ondas não vieram para ele, que só surfou duas e computou as notas 6,83 e 5,33 no placar encerrado em 14,50 x 12,16 pontos. Os 24.000 reais da vitória ficaram para Marco Polo.
“Estou muito contente por ter vencido essa etapa, entrei pro páreo e vou com força total para as duas últimas etapas, dar o máximo de mim e dar um show de surfe para motivar todos os brasileiros. Na verdade, eu estava dentro d´água sem pegar onda e me toquei que tinha que fazer alguma coisa, tinha que pegar onda pra mostrar para toda a galera que lotou a praia. Aí sai caçando, consegui achar umas ondas, vi todo mundo vibrando na areia e isso me contagiou bastante lá dentro”, contou Marco Polo, que no ano passado conquistou sua primeira vitória na abertura da temporada em Garopaba (SC).
Ele também falou sobre enfrentar Bruno Santos na grande final do SuperSurf de São Sebastião. “Ele está vivendo uma excelente fase, surfando muito bem no critério que os juízes querem ver e durante o campeonato inteiro foi muito versátil e radical, mas consegui superar ele na hora da decisão do título e estou muito contente. Era a vitória que eu precisava para entrar na briga do título e agora a meta é ser o primeiro surfista de Santa Catarina a ser campeão brasileiro. Tem o William Cardoso e o Jean da Silva também na briga, tomara que tenha um catarinense campeão nesse ano e espero que seja eu, claro!”.
Apesar do vice-campeonato, Bruno Santos também estava muito feliz pelo seu melhor resultado na história do SuperSurf. “Vim para cá sem pressão nenhuma, mesmo sendo meu primeiro campeonato depois de Teahupoo e de saber que todos estavam esperando muito pelas minhas apresentações. Mas vim para cá totalmente relaxado, pra curtir, pra pegar altas ondas e sou um cara sempre tranquilo. Deu altas ondas o campeonato todo e estou amarradão pelo segundo lugar porque tem muita gente boa no SuperSurf e não é fácil chegar aqui”, enalteceu Bruninho, que faturou 12.000 reais pelo vice-campeonato e subiu da 48ª para a 28ª colocação no ranking que garante os 24 primeiros no SuperSurf de 2009.
Ele estava entre os últimos porque faltou a etapa passada em Pernambuco justamente para disputar as triagens do WCT no Tahiti, mas quer permanecer na divisão de elite do surfe nacional. “Não dá para ganhar todas né. Disputei acho que umas vinte baterias homem-a-homem seguidas desde Teahupoo sem perder nenhuma, essa foi minha primeira derrota, então está ótimo. Eu me amarro nesse circuito, é muito disputado, alto nível e estava até preocupado com minha situação por não ter ido na etapa passada, com medo de perder minha vaga pro ano que vem. Esse resultado deu uma levantada e tem mais duas etapas pela frente. Tomara que eu consiga bons resultados e até brigar pelas primeiras posições no ranking”.
Para chegar em sua primeira final na história do SuperSurf, Bruninho teve que surfar uma ótima onda para derrotar o único paulista que conseguiu classificação para o domingo decisivo em Maresias, Beto Fernandes, de São Vicente. Foi uma bateria de poucas ondas surfadas e a melhor acabou definindo a vitória de Bruno Santos, que arrancou uma nota 9,00 depois da 8,50 que Beto tinha tirado. O paulista já chegou em duas finais na Divisão Principal do Circuito Brasileiro, mas não conseguiu vencer nenhuma.
“Um tem que passar e infelizmente para mim quem passou foi ele, mas estou feliz por ter chegado na semifinal. Não tinha passado das oitavas ainda e agora é treinar e continuar trabalhando para quem sabe vencer a próxima etapa”, falou Beto Fernandes, que pulou da nona para a sexta posição no ranking brasileiro. “Tem mais duas etapas, muita coisa pode acontecer, esse resultado me deu ânimo e animação e agora vou brigar pelo título em Ubatuba e no Rio de Janeiro”, prometeu.
O cearense Messias Félix também ficou contente com seu primeiro pódio no SuperSurf e mostrou isso logo após a derrota para o campeão Marco Polo na primeira semifinal. “Estou felizão e pena que veio pouca onda na bateria, tanto prá mim como pro Marco Polo. Só consegui pegar duas razoáveis e a minha melhor onda foi essa que surfei agora depois de acabar a bateria. Se ela viesse antes acho que ia me classificar, mas está bom, agora tenho um terceiro lugar e acho que dá para entrar na briga do título brasileiro se vencer as duas próximas. Se não der, vou tentar um lugar entre os top-5”, disse Messias.