Sétimo e Oitavo Dia
por Sérgio Holanda:
Saímos de Altamira ás 7:40 hs e seguimos em direção a Uruará. Nos primeiros 27km a estrada está asfaltada (projeto do governo para asfaltar a transamazônica). Após este trajeto entramos novamente em chão batido, só que desta vez com piso molhado, nos livrando da poeira.
Depois de 176 km de estrada molhada, mas em boas condições, chegamos a Uruará. Lá fomos aconselhados a seguir para Santarém pela Trans-Uruará, economizando 150km e tendo a oportunidade de andar em uma estrada aberta pelos madeireiros, com muitos trechos de floresta amazônica ainda preservada.
A Trans-Uruará tem 123 km de extensão com muita lama, atoleiros e areais - por falar em areal, nunca imaginamos que teríamos tantos trechos em areia, mostrando assim que em muitos locais o desmatamento transforma o solo em área infértil.
O maior atrativo deste “atalho” é a beleza da floresta amazônica. Os trechos ainda preservados com as pacas cruzando a estrada, macacos pulando nas arvores e “gritando” seus sons, aranhas enormes e o aroma da floresta.
Neste trecho não se viam mais as grandes fazendas e rebanhos de gado, embora algumas clareiras no trajeto já mostrassem a ação dos fazendeiros com muitas plantações de arroz contrastando com a floresta.
O “atalho” nos reservou as primeiras experiências off road e uma pequena demonstração do que nos espera pela frente, já que o sol está nos acompanhando desde Marabá. Com misto de atoleiros e muita lama conseguimos fazer os 200 km que separam Uruará de Santarém em cerca de 6 horas.
Demora esta causada principalmente pelo tempo perdido nos trechos alagados e com muitos buracos. A estrada altera em longos trechos de subidas e decidas, retas e muitas curvas perigosas (seguidas de ladeiras íngremes e molhadas, aumentando o perigo de derrapagem e exigindo muito dos freios, estes usados com cautela para evitar o travamento com perda de controle). Mas valeu cada quilômetro percorrido pela beleza da floresta.
Em um dos lameiros e atoleiros tivemos a primeira atolada. A TR4 teve de reduzir a velocidade por causa de uma tora de madeira e por isso ficou. Saiu rebocada por um dos Trollers. O Troller de Themoteo, andando em 4x2 por problemas na tração dianteira, rodou em um pequeno lameiro, atolando. Teve que ser puxado por outro Troller.
Chegando em Santarém o grupo foi recebido pelo Jipe Clube de Santarém, que se prontificou a nos ajudar no que fosse preciso. Assim o fizeram, indicando hotel e o local onde faríamos as revisões dos veículos. Na manhã de sábado seguimos para a Oficina do Souza, especialista em veículos off road e damos inicio as revisões.
Os veículos passaram por um pente fino e tiveram os seguintes diagnósticos:
Toyota Hilux – trocada a arruela-trava da junta homocinética dianteira direita, que estava com pequena folga e gerava um barulho irritante em alguns momentos (mas não prejudicava o deslocamento nem a tração do veículo). Aproveitamos e verificamos todos os fluidos e engraxamos.
Land Rover – será revisada na segunda-feira, mas está tudo ok, apenas engraxamento e reaperto.
Pajero TR4 – reaperto geral e troca de uma coifa da homocinética.
Troller T4 (Jeison) – troca do retentor da homocinética dianteira direita e reaperto geral serão feitos na segunda-feira.
Troller T4 (Muniz) – reaperto geral será realizado na segunda-feira.
Troller T4 (Carlos Mustang) – reaperto geral.
Troller T4 (Themoteo) – Substituição de algumas peças que não impossibilitavam o deslocamento do veículo, porém impediam seu uso mais off road. Por isso teremos que esperar até a finalização do reparo na segunda-feira.
No mais, todos os carros estarão prontos para seguir viagem para Rurópolis – Itaituba – Jacareacanga – Apuí – Humaitá – Manaus, e no aguardo de muita pedreira pela frente.
A programação era sair na segunda-feira (07/04) bem cedo, mas devido ao Troller avariado teremos que sair na parte da tarde em direção a Rurópolis, onde certamente faremos nosso primeiro acampamento, pois, existe um trajeto de 70 km que está um verdadeiro lameiro.
Muitos veículos atolados a dias, carretas viradas e muita água. Não existem trechos interditados, mas sim com muita dificuldade de travessia e com isso faremos o uso dos guinchos e dos pneus lameiros para poder ultrapassar esse trecho.
Por enquanto em Santarém a chuva não para de cair. O que gera mais expectativa pelo trajeto até Rurópolis. No domingo pretendemos organizar os veículos e fazer uma limpeza interna, depois faremos um passeio pela região, isso se parar de chover.
Em Santarém, neste sábado, mais um participante se juntou ao grupo - Carlos Muniz. Ele já está reunido com os demais participantes para enfrentar o próximo trajeto, que é o mais esperado pela expedição.