Um tour à Bahia:
No feriado de 01 de maio de 2008, decidi fazer um tour saindo de Vila Velha – ES até à Península de Maraú – BA, um lugar que fica a 150 km de Ilhéus – BA, que ainda está em fase de expansão turística. Este vilarejo fica a 900 km de minha casa.
Escolhi este percurso com a finalidade de criar um roteiro turístico, para aqueles que apreciam viajar de moto por estradas secundárias, na intenção de conhecerem lugares exóticos.
Saí de Vila Velha – ES às 9h do dia 1º e segui rumo à Bahia pela BR – 101 Norte, rodei 130 km e fiz uma parada breve em Linhares – ES para um cafezinho. Continuei e logo fui alcançado por um temporal de respeitar, porém deu pra andar a uns 100 km/h, fui assim até Pedro Canário – ES por mais 142 km e parei para gasolina e almoço, ainda debaixo de muita chuva.
Após o almoço, rodei mais 30 km e entrei em território baiano, fui até Teixeira de Freitas e saí da BR – 101. Deste trecho em diante, as nuvens desapareceram e deram lugar a um sol de arrancar o couro. Aí acessei a BA - 290 por mais 60 km até o trevo de Alcobaça – BA, de onde se pode pegar barcos para o Arquipélago de Abrolhos, fui em direção à Prado – BA e depois para a praia de Cumuruxatiba, um vilarejo de águas mansas extremamente agradável, que fica a mais 30 km por estrada de terra, com paisagens litorâneas deslumbrantes, totalizando neste dia 478 km rodados.
Em Cumuruxatiba, parei pra um lanchinho e a dona da padaria me indicou uma pousadinha de frente para a praia, com preço de R$30,00 em apartamento superior com varanda, rede e piscina. Que vida difícil!
A dona da pousada me indicou o restaurante EMA, como de comida simples, porém ótima. Foi pura humildade da dona da pousada, pois, a comida foi divina, 1º a quantidade era para 2 pessoas, 2º o atendimento feito por uma adolescente foi de excelência, 3º ela me ofereceu cação frito com arroz, feijão, farofa e uma tigela de salada para 4 pessoas, o rango estava tão bom que no dia seguinte, antes de ir embora, passei por lá para almoçar, fiz uma reprise do dia anterior, é claro. O melhor de tudo foi na hora de pagar, tudo com suco natural, me custou R$ 11,00. Divino!!!!
Depois da janta fui dormir, para completar a benção, choveu a noite toda, o que se tornou e canção de ninar para mim.
Dia 2, acordei às 4:45h da madruga e como a chuva tinha dado uma trégua, saí pra fazer umas fotos do lugar. Apesar de nublado, deu pra tirar umas fotos razoáveis, como podem ver, e depois resolvi ir conhecer a praia de Corumbal que fica a mais 68 km de estrada de terra e pertence à Itamarajú – BA.
Depois da bagagem no lugar, fui almoçar e logo segui meu rumo. A estrada para Corumbal, vai beirando a praia por uns 2 km e é muito show, depois sobe uns morros e aí começa a ter a necessidade de mais atenção devido ao excesso de valas na pista, feitas pela erosão das chuvas. O problema maior é que quando seca, fica uma areia fina sobre a estrada que pode te jogar dentro da vala, então todo o cuidado é pouco.
Roda-se uns 40 km até o trevo que dá acesso à Corumbal. Neste ponto da viagem, lembrei-me de não ter abastecido e a autonomia da moto era até meu destino, depois só Deus.
Neste trevo, o dono do bar tinha combustível para salvar os desavisados, mas, o litro da gasolina me custou R$4,00. Como se não bastasse, só tinha dois litros. Como ele me informou que em Coru (como eles chamam o lugar) eu encontraria combustível no mesmo preço, arrisquei a ida para conhecer a praia que é o final da estrada.
Andei mais 28 km e cheguei a Corumbal. O vilarejo é muito calmo, com uma praia plana, típica do nordeste, com algumas pousadas bem simples, mas com umas sofisticadas como nas fotos. Comprei gasolina no Bar do Lourinho, o suficiente para chegar à Itamarajú – BA a 70 km, de onde iria pela BR – 101 até Ilhéus pra dormir ali e no dia 3, seguir até à Península de Maraú – BA a 150 km, meu destino final.
Voltei até ao trevo onde havia comprado gasolina e rumei para Itamarajú. Depois de rodar uns 7 km, passei por um trecho de estrada muito ruim, com uma descida cheia de valas em todas as direções e uma baixada com muita lama e uma ponte estreita.
Quando venci este pedaço de estrada, havia uma subida íngreme com uma vala de cada lado, de uns 70 cm de profundidade, fiquei atento à subida e de repente a moto caiu numa daquelas valas na pista com areia e perdeu o prumo, quando ia se aprumando, caí em outra vala e desta vez fui parar no chão.
Por estar em baixa velocidade, o tombo me arrastou somente uns 60 a 80 cm. Depois de haver desligado a moto, testei meus movimentos e estavam todos perfeitos, ou quase. Levantei-me e percebi minha mão esquerda ralada um pouco, o relógio me protegeu.
Quando fui testar novamente meus movimentos e mexi com o braço esquerdo, a clavícula estava quebrada, porém alinhada. Minhas primeiras palavras foram: Meu DEUS me livra deste problema.
Uns 5 minutos depois, apareceu uma Hilux com uma mulher de São Paulo indo para Corumbal, como a moto estava atravessada na pista, ela tomou coragem e levantou a moto que pesa 185kg a seco, eu só pude ajudar pegando na garupa, mas o peso maior está no tanque e motor. Que mulher corajosa e forte. DEUS a abençoe muito por isso.
Com a moto de pé, ela avisou numa fazenda ao lado e o filho do dono veio e me ajudou a descer a moto na ladeira e colocou-a pra dentro da fazenda. Depois, seu Branco (dono da fazenda), a esposa, a filha e o rapaz, me trataram como a um filho. Puseram a moto numa camionete e seu Branco com seu filho me levaram pra Itamarajú, a 33 km dali, à noite.
Na cidade me deixaram no hospital e foram arrumar um jeito para que eu pudesse levar a moto de volta para casa, quando voltaram, eu já estava medicado e liberado pelo médico, que não era ortopedista, porém já havia quebrado as duas clavículas. DEUS sempre supre as nossas necessidades.
Seu Branco apareceu com o cunhado que trabalha com frete de animais e este homem com a sua mulher, Sr. Lupério e dona Carminha, simplesmente não me deixaram ir para um hotel e me constrangeram a dormir na casa deles.
Lá chegando, o Lucas, filho de Sr. Lupério, ajudou a descer a moto e me cedeu seu quarto. Depois me deram um ótimo lanche e fui dormir como que em minha casa. Isto não tem preço.
Confesso que fiquei extremamente tocado por estas atitudes desta família, desde a fazenda até à cidade. Às vezes precisamos passar por uma situação dessas para nos lembrarmos que dependemos uns dos outros. Pra mim foi uma lição ímpar.
No dia 3 de maio, logo cedo liguei para o Márcio, meu mecânico, sem esperança de encontrá-lo, pois ele não trabalha aos sábados, mas naquele dia não só ele estava trabalhando, como também seu ajudante. Após pedir-lhe o favor, eles decidiram que iriam buscar a moto naquele mesmo dia, porém eu estava a 500 km de casa.
Às 15h, o Márcio e o Janilson chegaram a Itamarajú, como viram a moto somente arranhada e uma seta quebrada, decidiram voltar de imediato e chegaram à oficina em Vitória – ES às 23h. Disposição de amigo.
Daí comprei passagem para Vitória – ES à noite e quando foi 7h da manhã do dia 4 nde maio eu desembarcava e às 7:30h já estava em casa.
Resumindo, saí de casa com destino a um lugar e tive que abortar a viagem pela metade, mas, ficou o desejo de continuá-la assim que for possível. Agora mais do que antes tenho amigos a visitar na Bahia, especialmente seu Branco com a família e o Lupério com a família.
Assim totalizei 619 km rodados até onde caí e na próxima começarei a partir de Itamarajú.
Que as bênçãos do Deus todo poderoso permaneça sobre estas famílias e aquela mulher paulista, que foram como anjos na minha vida.
Obrigado a todos vocês.