O paulista Hizunomê Bettero foi barrado na terceira fase do Billabong Surf Eco Festival, mas a ponta do ranking WQS continua com o brasileiro. Isso porque o americano Patrick Gudauskas acabou eliminado junto com o irmão Tanner, numa dobradinha verde-amarela do baiano Denis Tihara e o pernambucano Paulo Moura.
A sexta-feira foi mais um dia de ondas pequenas de meio metro de altura, mas com boa formação na bancada de corais de Papa-gente. Antes da terceira fase masculina, foram definidas as semifinais da categoria feminina que termina neste sábado na Praia do Forte. Na primeira bateria, a cearense Silvana Lima enfrenta a paraibana Diana Cristina e na outra a pernambucana Monik Santos pega a líder isolada do ranking e grande sensação da temporada, a australiana Sally Fitzgibbons. Já o masculino só acaba no domingo.
“Seria ótimo fazer mais uma final aqui. Comecei bem o ano fazendo três finais na Austrália (venceu duas) e espero continuar neste ritmo, esse é meu objetivo”, disse a australianinha de 17 anos de idade, que praticamente já garantiu seu nome entre as seis surfistas que o WQS indica para completar a elite mundial do WCT.
“Não dá para pensar nisso agora. Acho que preciso de mais dois excelentes resultados para poder comemorar minha entrada no WCT e tenho mais cinco eventos para tentar conseguir isso, quem sabe um deles não seja aqui. Tem a Monik agora na semifinal, ela tem um surfe fantástico, já vi boas baterias dela e acho que será um bom duelo amanhã com ela”, acredita Sally Fitzgibbons.
As duas se encontraram em suas primeiras atuações na sexta-feira e passaram juntas derrubando a paulista Cláudia Gonçalves. Aí Monik Santos venceu um difícil confronto com a atual top-5 do WCT, Rebecca Woods, para confirmar no Billabong Surf ECO Festival o melhor resultado da pernambucana de 16 anos de idade.
“Fiquei bem nervosa no início, mas ainda bem que achei duas boas esquerdas logo no começo da bateria que acabaram me garantindo a vitória. Estou muito feliz por ter passado essas duas baterias hoje e agora vamos com tudo para a semifinal. Tem a Sally agora, o nível das australianas é muito alto e é preciso muita concentração, mas vou com tudo, com muita garra para tentar passar por ela e chegar na final”.
Derrubando líderes: Já a primeira semifinal ficou formada por duas brasileiras que também passaram juntas no primeiro confronto feminino da sexta-feira na Praia do Forte. Nesse, Silvana Lima e Diana Cristina tiraram a vice-líder do ranking, Rosanne Hodge da África do Sul. Depois a cearense despachou a australiana Claire Bevilacqua e a índia paraibana eliminou a número 3 do WQS, Paige Hareb da Nova Zelândia. Mas, a vitória de Silvana só foi conquistada nos últimos segundos, quando conseguiu a virada em cima da Claire.
“Nossa, eu nunca fiquei tão calma como nesses 30 últimos segundos e estou superfeliz por ter vindo a onda no finalzinho. Consegui na raça tirar a nota que precisava para reverter o resultado”, vibrou Silvana Lima, que no ano passado foi para a final das etapas do WQS e do WCT em Itacaré, também na Bahia, mas não conseguiu vencer nenhuma. “Tem a semifinal agora, seja o que Deus quiser e estou aí de volta”, falou a cearense que passa boa parte do ano morando na Austrália e ainda não tinha disputado nenhuma etapa do WQS esse ano. Das quatro finalistas, Monik Santos também está estreando na divisão de acesso na Bahia.
Gudauskas Goobye: Depois de definir as semifinais femininas, foi iniciada a terceira fase masculina com os 48 que passaram pela rodada de estréia dos cabeças-de-chave do Billabong Surf Eco Festival. Uma dobradinha paulista com Odirlei Coutinho em primeiro e Adriano de Souza em segundo foi comemorada logo na primeira bateria, contra o norte-americano Dane Gudauskas e o experiente sul-africano Greg Emslie.
Os outros dois irmãos Gudauskas também foram eliminados em outra dobradinha verde-amarela, desta vez por dois nordestinos. Dennis Tihara e Paulo Moura acabaram garantindo o brasileiro Hizunomê Bettero na ponta do ranking com a dupla classificação contra o ex-líder Patrick e Tanner Gudauskas.
"Nem pensava em nada disso e acabei ajudando todo mundo. O Moura precisava de 4 e pouco pra tirar o Patrick Gudauskas e liberei a melhor onda da bateria para ele conseguir virar em cima do gringo, agora soube que ajudei o Hizunomê Bettero também. Para mim, que não corro o WQS, é um prazer poder estar ajudando o Brasil”, vibrou o baiano Dennis Tihara, de 23 anos de idade. “Acho que Deus está do meu lado, estou dando sorte em achar as ondas, os caras fazendo interferência em cima de mim e estou aí passando as baterias para tentar colocar a Bahia no pódio”, promete o surfista de Ilhéus, no litoral sul da Bahia.
O pernambucano Paulo Moura mostrou estar totalmente recuperado da contusão sofrida no final do ano passado que o tirou das competições por alguns meses. Com uma reação fulminante, saiu da última para a primeira posição para despachar os irmãos Gudauskas.
“Bateria muito difícil com o líder do WQS e eu e o Dennis fizemos um jogo juntos. Ele deixou uma onda pra mim e ficou impregnando os dois lá porque já estava tranqüilo na frente e deu certo. Jogamos como um time, nordestino é tudo primo e brasileiro é tudo irmão, então estou feliz que o Hizunomê ficou líder do WQS com a nossa classificação”, falou Moura.
Australiano derrota líder: Os brasileiros tiveram sucesso na maioria dos confrontos, mas os estrangeiros também festejaram grandes vitórias na sexta-feira do Billabong Surf ECO Festival. O australiano Shaun Cansdell derrotou três de uma vez só, entre eles o novo líder do ranking Hizunomê Bettero, que acabou perdendo a briga pela segunda vaga para o paraibano Jano Belo.
“O Hizunomê tem um surfe incrível, está competindo bem, eu sabia que ia ser uma bateria difícil, tinha mais dois brasileiros ainda, mas consegui achar uma onda muito boa na bateria para sair vitorioso”, contou Cansdell, que se aproximou do grupo dos 15 surfistas que se classificam para o WCT, que passou a ter o carioca Pedro Henrique fechando a lista.
“Eu ainda não tive bons resultados nesse ano e vim aqui para o Brasil em busca disso. Tomara que seja aqui, mas tem muitos eventos pela frente ainda. Meu objetivo, claro, é voltar ao WCT, mas não quero colocar essa pressão agora, prefiro só me concentrar bateria por bateria, onda por onda, campeonato por campeonato. O caminho ainda é longo e no momento o que quero é bons resultados para entrar nessa briga”, explicou Shaun Cansdell, que chegou no Brasil em 24.o lugar no ranking do WQS 2008.
Novo recorde: Com três batidas fortes de backside (surfando de costas para a onda), o carioca Leandro Bastos recebeu a maior nota – 9,67 – do Billabong Surf Eco Festival numa disputa 100% brasileira na quarta bateria do round 48. Ele superou o 9,57 do baiano Alandreson Martins, mas o recorde de pontos continua sendo os 16,60 atingidos pelo cearense Messias Félix na quarta-feira. Na sexta-feira, o dono do maior placar foi o catarinense Jean da Silva, que totalizou exatos 16 pontos no oitavo confronto da terceira fase.