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Expedição Pico da Neblina (AM) 2008 - Sílvia Rodrigues

Veja como foi a participação de Sílvia Rodrigues na expedição Pico da Neblina, AM. Com mais quatro pessoas, ela se aventurou no meio da Selva Amazônica até chegar ao ponto mais alto do Brasil. A expedição durou oito dias, de 22 a 29 de março de 2008.

Sílvia Rodrigues, 41, vive na cidade de São Paulo, onde atua como administradora de empresas. Paralelo à profissão, ela tem como hobby, se aventurar e entrar em contato com a natureza - hábito que possui desde a adolescência.

Naquela fase, ela conta que tinha vontade de conhecer o lado além dos morros, nas serras de Jundiaí - SP, junto com seus primos e amigos. Além de trekking, a paulistana conta que adora natação, mergulho, surf, vôlei, futebol e capoeira.
Sendo tão polivalente, já era de se esperar que a aventureira fosse encarar esse super desafio pela floresta amazônica, até o cume do Brasil. Segundo ela, o que mais a cativa para experiências como essa, é a sensação de liberdade, superação, e a impressão de que os problemas da rotina se tornam muito menores.

Foi em sua expedição ao Monte Roraima, em dezembro de 2007, que Silvia ficou sabendo da aventura ao Pico da Neblina. Como tinha esse sonho desde 2001, a iniciativa para participar da jornada partiu diretamente dela. O fato da descrição da expedição ser “desafiadora para superação” foi o que levou Silvia participar dessa aventura.

A decisão de não deixar nenhum momento oportuno para depois, e o forte gosto pela região amazônica, foi o que mais influiu na motivação de Sílvia para participar da expedição. “Gosto de desafios, e a descrição dessa expedição era algo que me atraía muito!” afirma.

O grupo que realizou a aventura junto com Silvia foi composto por Marcel Henrique, Sandro Beltrame, Pedro Castilho e Marco Aurélio. Ela conta que conheceu os outros integrantes em São Gabriel da Cachoeira - AM, e o Pico da Neblina foi sua primeira expedição com eles. Além dessa, ela já realizou outras aventuras, como no Monte Roraima, uma volta ao mundo em nove meses, e o Caminho francês de Santiago de Compostela.

A expedição começou no dia 22 de março de 2008, e segundo ela, o primeiro dia foi um dos mais fáceis. Isto porque, mesmo o calor tropical sendo muito forte, não havia tantos aclives durante o trajeto percorrido.

A resistência física para ir e voltar ao cume foi o que Sílvia considerou ser mais desafiador nesta experiência. “No dia de descer do cume, senti o limite da resistência física, mas no dia seguinte eu já estava bem”- relembra. Destacou também, a determinação para não ficar “deprê” devido a toda situação precária, como ter que usar roupas molhadas quase todos os dias.

Durante a expedição, Silvia dormiu um dia na rede e o restante dos dias na barraca. E que o cansaço era tanto, que mesmo com a umidade e com as pedras no solo, ela dormia e nem sentia o incômodo das adversidades. O principal cuidado, segundo ela, para manter o pique, era tomar muita água, fazer alongamentos, tentar relaxar e curtir aquela experiência única.

Durante os oito dias, o grupo foi acompanhado por índios Yanomanis que conheciam muito bem os locais a serem percorridos. A aventureira explica que os nativos já possuíam acordo com os guias da expedição, na utilização da voadeira. Além disso, já havia um interesse do líder Yanomani em acompanhar o grupo, justamente para entender como estava sendo feito o trabalho de turismo na região. Contudo, Sílvia ressalta que não foi permitido ter contato com a aldeia.

De acordo com ela, foi excelente o contato com os Yanomanis que acompanharam a expedição. “Tinham uma postura muito séria e profissional” - acrescenta. Com esse contato, Sílvia pôde obter aprendizado sobre a cultura local e as histórias da região. Os índios falaram de seus rituais na morte de alguém da tribo, festas da banana, da pupunha e da catequização dos padres.

O trajeto da expedição também reservou belas paisagens. Segundo ela, o visual, mesmo fechado pela mata e neblina, era incrível. Desde a travessia da mata, até as regiões com muitas bromélias, e a parte mais árida, com muitas pedras. Pôde conhecer diversas frutas e plantas da região. “Toda a vegetação amazônica é maravilhosa” - diz ela, saudosa.

O momento de maior tensão na expedição, segundo ela, foi o dia de retorno do cume:
“Normalmente eu levava 45 minutos mais para chegar, do que os meninos. Nesse dia, cheguei na base três horas depois, extremamente cansada e com muito frio. Nós havíamos visitado o pico 31 de março, retornando para o cume do Pico da Neblina, e depois pegamos chuva o tempo todo, na descida.  O trecho com lama estava extremamente  cansativo e as minhas pernas já não me obedeciam.  O guia que ficou me acompanhando era bem experiente, e me orientou a ir com calma, pois muitos já haviam se acidentado naquele trecho por querer chegar logo”.

Já, a ocasião de maior emoção, como esperado, foi à chegada ao cume do Pico da Neblina, que é o ponto mais alto do Brasil. “Foi uma sensação fantástica, a realização de um sonho! Até hoje, fico ainda sem acreditar em pensar que é algo que poucos fizeram” - comemora.

Segundo Silvia, o relacionamento do grupo durante o trekking foi Extremamente harmonioso e cooperativo. “Tanto o grupo dos guias, como os meninos foram muito respeitosos e me deram muito apoio.  Isso facilitou muito a situação de uma mulher no grupo, que não tinha o mesmo pique que eles”, afima.
 
Ela revela que desde o início sabia que não teria o mesmo ritmo do grupo, e que isso já estava avisado quando fechou contrato com a agência de turismo. O apoio de todos, e principalmente dos guias, para Sílvia, foi muito importante para chegar até o final do percurso.

Preparação

A preparação para atingir o Pico da Neblina começou em Janeiro de 2008. Vacinas como contra febre amarela e hepatite, fazem parte dos pré-requisitos para a ventura. No entanto, Sílvia não precisou tomar, pois já fizera isso há alguns anos para sua expedição ao Monte Roraima.

Sílvia relata que vários equipamentos foram necessários antes de partir para o Pico da Neblina, como: botas de caminhada, roupas para o frio e apropriadas para a situação de ficar com o corpo molhado o dia todo, e mochila apropriada. Porém, ela optou pela contratação de um carregador.

Já, em relação à alimentação, a expedicionária afirma que não foi tão preparada quanto seus companheiros, que levaram um kit próprio de alimentação. “Senti um pouco a falta de alimentos mais adequados nos dois últimos dias”. Quanto à água, ela relata que teve dificuldade apenas em um dia, no restante, foram bem abastecidos.

Através de expedições e aventuras, Sílvia já fez rafting no Jalapão, conheceu partes do Nordeste e do Sul do Brasil, fez o caminho de Santiago, Agulhas Negras, se aventurou na Austrália, Nova Zelândia.

A paixão de Sílvia pelas paisagens brasileiras vai além das expedições. Ela sonha, no futuro, em apoiar o desenvolvimento do ecoturismo sustentável no Brasil, que reconhece como de grande potencial, com paisagens e uma cultura única e maravilhosa. Entretanto, conhece as adversidades do mercado, como a barreira do idioma e o receio de muitos turistas quanto à exploração econômica.

Sempre em busca de novas paisagens e aventureiras, Sílvia Rodrigues já faz planos para Cruzar o Chile de Norte a Sul, Machupichu e uma nova volta ao mundo, focando mais na região da Ásia, Escandinávia e África.


EQUIPE INEMA

Fonte: Sílvia Silva Rodrigues
Cidade: São Gabriel da Cachoeira-AM-Brasil
Fotos: Sílvia Silva Rodrigues
Publicado: Ananda Franco Garcia
Date: 22/03/2008 <%insert_data_here%>

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  Evento 9753 - Expedição Pico da Neblina (AM) 2008

   Albuns e Fotos



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