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Segundo dia em Ulukhaktok, Ártico - Norte do Canadá 2008

Nei Maldaner visita a comunidade de Ulukhaktok (Holman) , NT, Canadá em abril de 2008. Local considerado um dos mais remotos e originais do Canadá. Temperaturas de menos 20 célcius negativo.

Amanheceu nevando, uma neve fina, leve. Olhei pela janela do meu quarto e já tinha snowmobiles estacionados em frente ao hotel.

Fui então, na sala de café, e vi muita gente tomando café. Alguns visitantes, os caçadores, que tinham vindo da caçada no dia anterior. E também alguns, que sairiam na caçada naquele dia. Também havia muitas pessoas locais tomando café ali no hotel.

 Eu tomei um somente, um café preto. Conversei com algumas pessoas, ai me falaram que havia um brasileiro trabalhando no supermercado, era o gerente. Voltei ao quarto e me agasalhei para sair. Caminhar pela cidade e ir ao supermercado para ver se tinha mesmo o brasileiro, num lugar tão distante e gelado.

 

Primeiro fui lá onde estava os iglus, filmei, entrei lá dentro. Era apertado pra entrar, tive que rastejar. Lá dentro estava muito confortável, passei meus sentimentos para a filmadora, que deixei gravando.  Fiquei ali mais de uma hora. Foi muito legal, um momento de paz, tranqüilidade e reflexão.

 

Como podiam viver há tantos anos sem ter vegetais, frutas, eletricidade e viver num frio desse? No caminho até o supermercado, fiquei vendo o pessoal circular com neve caindo a 30 graus negativos e ainda, andando de snowmobiles. Aprendi por que se usa aquele pelos na cabeça, ele cria um ambiente e desvia o vento frio.

 

Se você usar sintético ou outro produto, não funciona. Já, se usar pelo de lobo ou de raposa, o resultado é surpreendente. Bom, conversei com algumas pessoas até chegar ao supermercado. Já era quase meio dia.

 

Lá dentro, perguntei pelo gerente, que era do Brasil. E não é que encontrei um cidadão de Tramandaí - RS. Foi muito legal, aproveitamos para conversar, e trocar idéias sobre o lugar. Eu perguntava como ele agüentava o frio. Ele falou que ficava mais do supermercado até a casa dele, e estava há dois anos ai.

 

Porém, ele estava indo embora dentro de um mês, partindo rumo a novos desafios, e para um lugar mais quente. Combinamos de nos ver à noite. Depois de seu trabalho, eu iria visitá-lo em sua casa, onde mora com sua esposa, uma portuguesa.


Voltei para o Hotel, na frente do hotel, estava cheio de snowmobiles, e trenós que estavam saindo para outra caçada. Conversei com o pessoal e fui pra dentro, almoçar. O cozinheiro, Mike, preparou ótimos pratos durante o tempo que estive no hotel.

 

Enquanto eu esperava a refeição chegar, chegou uma mulher com o filho nas costas, e aí tive o prazer de ver como ela tirava a criança. É muito interessante. Após almoçar, fui para fora, na frente do hotel. Presenciei o agito da cidade, pela caçada, que é a razão da

comunidade.

 

Nisso, tive um convite para ir para o aeroporto com o pessoal que dá suporte. Fui então pra lá, ver um avião que chegava de Iunui. Era um avião, porque e trazia sempre muita carga, destinada ao sustento da comunidade.

 

Conheci algumas pessoas ali, que seguiriam para a outra comunidade, naquele avião. Aqui, o cozinheiro do hotel também era auxiliar no aeroporto. Assim como o gerente de outro supermercado, que era responsável pelo checkin do aeroporto.

 

Na volta, eles foram me mostrar duas coisas interessantes do lugar. Uma é o campo de golf, mais ao norte existente no Planeta.  Também, um lago congelado. Foi rápido, pois eles tinham encomendas para entregar na comunidade.

 

Vi também, o símbolo de pedra que estava ali, junto ao campo de golf. Fiquei no hotel, ali estava um dos guias da caçada, que tinha chego no dia anterior. Ele me contou um pouco do que havia acontecido. Um dos snowmobiles estava com problema, e tiveram que voltar, então, hoje ou amanhã, eles estariam indo para a caçada, novamente.

 

Ele também me convidou para visitar a casa dele, e me explicou onde se localizava. Ele falava bem o inglês. Dali, fui conhecer o outro supermercado, chegando lá também vi varias pessoas na frente, e principalmente dentro.

 

O gerente um cara super simpático. Lá dentro, conheci outras pessoas, vi o correio que ficava ali com as caixas postais. E uma exposição de produtos esculpidos nas guampas dos musktoks, que são aqueles animais selvagens tipo boi. Lindos produtos, mas caríssimos no meu ponto de vista. Em torno de $1.000 USD cada um.

 

Sai dali para passear pela cidade, era frio, mas as pessoas seguiam para lá e para cá, na cidade. Nos snowmobiles, no guidão de cada lado, havia sempre uma extensão de pano, para se proteger do vento. E os respiradores de ar eram fechados com espumas.

 

Voltei em direção ao hotel, estava bastante frio. No caminho, a criançada se escondia do frio, entre as duas portas de um dos supermercados, e ali, ficavam me provocando pra tirar fotos. Se escondiam e apareciam, eu entrei na brincadeira deles.

 

Chegava e saía muita gente do supermercado, e as crianças ficavam por ali. Certa hora, chegou um snowmobile com uma senhora, e ela não conseguiu fazer ele pegar, então fui lá ajudá-la. Depois de umas três tentativas, ele pegou. Fiquei todo feliz com isso.

 

A neve caía constantemente, mas por causa de um frio de 30 graus, caia como uma estrela. Eu estava sem a lente macro ali, iria depois ao hotel pegar para tirar a foto da estrela. Mesmo assim, tentei com a lente normal, a neve era linda, e não derretia. Bem diferente de outras que vi em lugares como Whister, Banff e Sun Peaks.  Era uma estrela simples. 

  

Como eu estava envolvido tirando fotos da neve, as crianças saíram da porta pra fora, para me provocar, escorregavam no corrimão. Era muito engraçado, aí eu apontava a máquina pra eles, e eles corriam todos para dentro do supermercado, e ficavam me espiando pela porta.

 

Voltei para o hotel, queria fazer umas fotos macro da neve. Tinha deixado de lado a idéia de tirar outras fotos das formações de neve, como tinha planejado no dia anterior. Com o tempo nublado, não sairiam boas fotos. No hotel, quando saí para fazer as fotos de neve, ela tinha parado de cair.

 

Saí para caminhar para o outro lado, ali estavam as crianças, brincando de escorregar na neve. Mesmo com aquele tempo fechado, estavam elas lá, na maior felicidade, no mesmo lugar que eu tinha visto no dia anterior.

 

Fiquei um tempo ali, e aí soube que tinha uma competição de rockey no Multiplex. Fui lá conferir. Realmente estava acontecendo, voltei rápido para o hotel e peguei as lentes, a filmadora, o tripé, e fui para lá. Estava pesado andar com tudo aquilo na neve.

  

Cheguei lá, muita gente estava na frente do pavilhão, e outros saindo com suas sacolas. Me contaram que já tinha terminado, que pena. Bom, entrei lá igual, vi o pessoal brincando de esquiar no gelo e outros praticando arco e flecha.

 

Tirei umas fotos, mas com o calor interno, embaçou. Dei um tempo, Configurei o branco, e nisso, as crianças me pediam para poder tirar uma foto ou filmar. Acabei deixando todas elas usarem a máquina e a filmadora - foi uma festa. Era impressionante como muitos tinham talento para filmar.

 

Alguns não conseguiam sequer erguer a máquina, já que é muito pesada. Mas ficavam ali, uns tirando fotos dos outros, e cada um fazendo as caras mais estranhas possíveis, morriam de rir um dos outros, e eu também. Só administrava a fila do próximo, a brincar com a filmadora e a máquina.

 

Até que chegou a hora de fecharem o Multiplex. Saí com o pessoal e ficamos ali na frente. Ali, já havia outros adolescentes, que ficavam de namoro. Segui em direção ao hotel, daria umas três quadras.

 

No caminho, passei por onde estavam as outras crianças ainda brincando de escorregar. Parei ali para tirar mais umas fotos, mas as crianças vieram em minha direção, conversavam e sempre perguntavam o meu nome.

 

Um deles colocava neve na minha mão, só para me provocar. Outro pegou o tripé e foi levando a uma quadra para ver se eu ia atrás. Eu gritei, gritei para ele “não é por ali, e sim por aqui!” Ele ficou esperando um tempo, e viu que eu não fui atrás, então ele veio até mim, carregando aquele tripé, que era maior que ele. 

 

Já era noite quando voltei para o hotel. Jantei, pegando o prato que estava na geladeira. E aí, liguei para o André - o brasileiro, para ir visitá-lo. Quando cheguei à casa dele, ele me apresentou sua família, a mulher, uma portuguesa muito simpática, seu filho então falando português e inglês misturado, mas um bom português, isso era legal.

 

A mulher também não tinha sotaque de portuguesa, pela convivência com o André. E ele, tinha uma menina adotada, um amor de criança. Queria eu, ter adotado ela. Dividi meu tempo entre as duas crianças e o André, para entender como foi a chegada dele, neste

Lugar.

 

Também foi legal que ele me explicou a vida e a oportunidade que se tem, no Canadá, pois esta bombando em muitos lugares, ele me contou também, porque estava se mudando, após dois anos ali. É que agora surgiu a oportunidade dele abrir seu próprio negócio em uma cidade, que está em fase de alto crescimento.

 

Assim foi, e a noite voou. A mulher dele abriu algumas das caixas que já estavam empacotadas, e me mostrou alguns artesanatos, coisas lindas.  Também me mostrou as pedras que ela coleciona, muito interessante. E aí, contou a rotina da vida deles. Bem como em outros lugares que estiveram.

 

Fiquei feliz em conhecê-los, realmente pessoas muito legais, e se dando bem. Voltei para o hotel bem tarde, estava muito frio, e não havia ninguém pela cidade. Até as luzes estavam praticamente todas desligadas. 

 

Fiquei triste em pensar que estaria indo embora já no outro dia. Eu poderia ter ficado mais uma semana, ou até um mês. E ir junto com o pessoal, caçar.

Fonte: Nei Eugenio Maldaner
Cidade: Ulukhaktok (Holman)-NT-Canadá
Fotos: Nei Eugenio Maldaner
Publicado: INEMA
Date: 09/04/2008 <%insert_data_here%>

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Andre um Brasileiro no Artico.

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Caçadores

Cozinheiro e gerente do Hotel.

Tirando o bebe das costas

Ilha no Artico

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bebe nas costas

Lider da comunidade

Mais Norte campo de Golfe do Planeta.

Nei no Ponto mais norte de sua viagem.

Caçador

Mesmo com frio de -30 as pessoas saiam de suas casas

Mangas para o snomobile, protegendo as mãos

Lindos vestidos

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Momento de felicidade no meio da criançada

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  Event 9189 - Norte do Canada - Artico - Inverno - 2008

   Albuns e Fotos



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