Acordei cedo e vi que o varal que eu fiz, deu certo. Estava tudo seco.
Em Chuí, dei uma volta pela cidade e fui fazer algumas compras em Free Shop, comprar uns presentes para a turma lá de casa.
Resolvi trocar o pneu da Mel, porque o pneu traseiro já tinha ido pro beleléu.
Até dava para ir até minha casa, mas como sofri muito ontem na estrada, hoje o dia amanheceu nublado e o preço era bem convidativo.
No Brasil o mesmo pneu custa em torno de R$275,00 e paguei R$ 155,00.
Com a diferença dava para pagar a gasolina do trecho que falta até em casa, e é claro, vou com muito mais segurança.
Minha vida é muito mais importante, e essa decisão foi muito certa, porque a BR em Santa Catarina estava muito ruim e cheia de buracos.
Além do mais, senti a moto muito mais segura nas retas e nas curvas.
Fui até a foz do Rio Chuí, que é o ponto mais Sul do Brasil, mas não consegui descer da moto para tirar foto, porque o "pézinho" lateral afundava na areia.
Tirei umas fotos e me mandei para a ponte internacional que divide o Brasil do Uruguai, onde passa o rio Chuí.
Na cidade que divide a fronteira é um canteiro.
Dali pra frente foram quase 1000 quilômetros até minha casa, e a Fazer se mostrou novamente uma super parceira.
Não parei para nada, somente para abastecer e se mandar, e aí judiei dela, porque resolvi andar enrolando o cabo.
A cada cidade que passava eu pensava comigo: " A minha cidade está cada vez mais perto..."
Quando chequei em Porto Alegre já me senti em casa, e na Free Way continuei mandando brasa, pois queria andar o máximo possível enquanto estivesse claro.
Entrei na Interpraias que tem muitos radares, , aí esperei passar um carro da região que tivesse mandando bala e resolvi acompanha-lo, porque ele iria saber onde tem os radares, e quando chegava o radar ele reduzia.
A noite foi caindo e com ela uma forte neblina, que insistia em embasar o capacete e ainda nem tinha chegado em Torres, reduzi a velocidade, pois não estava enxergando quase nada.
Várias horas tive que abrir a viseira para enxergar.
não tive dúvidas e fiquei comboiando os carros que andavam a 60 km/hora.
Já passava das 22:00 quando atravessei a divisa de Santa Catarina, e recebi como boas vindas, um céu limpo com uma maravilhosa lua e sem a neblina que acabou ficando para trás. ]
Como ainda faltavam em torno de 275 km, resolvi andar na boa, não queria arriscar estragar uma viagem que foi tão boa.
Como conheço este trajeto como a palma da minha mão, pois fiz toda a preparação da viagem nessa rodovia, a cada cidade que passava eu ia ficando cada vez mais alegre.
Até que ao longe, comecei a ver as luzes da minha cidade e chequei na parte duplicada da BR 101.
Faltavam 12 quilômetros, exatamente os últimos e os primeiros quilômetros que fizeram parte da viagem.
E por um breve momento, uma mistura de alegria e tristeza tomaram conta dos meus pensamentos.
A alegria por estar chegando em casa, e a tristeza pelo final da aventura.
Chequei em casa e fui recebido por toda a minha família, e a saudade estava muito grande.