A paixão pelo mergulho surgiu em Ricardo Branco quando ele ainda era uma criança e residia em Caxias do Sul. Morando em uma cidade totalmente urbana, a idéia de que o que queria para sua vida era entrar mar adentro, não poderia simplesmente ter surgido em sua mente.
A ligação com o mar já existia, mas foi enquanto via o filme Imensidão Azul(Le Grand Bleu) que uma luz se acendeu na sua cabeça. O filme conta a história do falecido recordista de mergulho Jacques Mayol, e não é possível assisti-lo sem ter o desejo de conhecer a prática do mergulho. Ricardo acredita que a maioria dos apneístas e profundistas tiveram essa mesma influência cinematográfica.
Caxias do Sul fica há muitos quilômetros de distância do litoral e, mesmo a paixão já existindo, ainda faltava conhecimento e informação sobre o esporte. O jeito era treinar no tanque de lavar roupas da mãe ou tentar uns mergulhos nas piscinas do Clube Guarani, no maior estilo “faça-você-mesmo”.
Porém Ricardo assume que pagou caro pela falta de informação e imprudência. Enquanto participava de uma competição no Canadá em 2000, sofreu um infarto quando estava a 54 metros de profundidade. Por sorte foi socorrido urgentemente e já conseguiu se recuperar. Porém, o susto foi grande e Ricardo só pôde voltar para as águas no ano passado.
Um fator que o ajudou foi ter conhecido a Karol Meyer, recordista mundial de apnéia que, em busca do seu sonho, proporcionou praticamente tudo que acontece hoje em dia no país relacionado à apnéia. Pois Karol é também presidente da Associação Internacional para o Desenvolvimento da Apnéia (AIDA)e ela que instruiu Ricardo a conhecer a associação.
Desde que se associou, ele conhece todas as regras de segurança e as pratica com devoção. “Com certeza é a única entidade do ramo que tem regras bem descritas e em todos seus eventos as leva muito a sério”, comenta.
Apesar do recorde gaúcho na apnéia dinâmica, Ricardo já participou de diversas modalidades diferentes. Este ano houve um campeonato em Florianópolis no qual ficou em segundo lugar na categoria estreante e quarto na geral. Mesmo assim, procura praticar todas as modalidades possíveis.
Para manter o preparo físico, o apneísta pratica exercícios aeróbicos, anaeróbicos e ainda yoga, para relaxamento e concentração. Também tem cuidados com a alimentação, que Ricardo diz que ajudam muito. Uma vantagem para ele é que, por morar em Santa Catarina, tem acesso ao setor de nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina, que atende gratuitamente qualquer atleta interessado.
Como o verdadeiro esportista que é, já praticou também diversos outros esportes, passando por capoeira, jiu-jitsu, ciclismo, BMX, Free Style, arrancada de moto e carro, vôlei e mergulho autônomo. Além disso, também gosta de segurar a mão da esposa Raquel e caminhar pela areia da praia. Mas atualmente, tem se dedicado a sua fundação, a DIVER-FREE Fundação de Mergulho e Ação Ecológica, com base na praia dos Ingleses, destinada a crianças e jovens carentes. A fundação tem a função de preservar a natureza e levar a prática do mergulho para pessoas que não teriam acesso.
No futuro, espera aumentar seu recorde gaúcho de 81 metros para 125 na apnéia dinâmica com nadadeiras, e de 66 para 100 metros na sem nadadeiras. Ainda sonha em passar na NO LIMIT’S dos 100 metros novamente.
Ricardo Branco recebeu apoio de muitas pessoas para chegar aonde chegou. Entre elas, gostaria de agradecer a Karol da AIDA, o pessoal da MORMAII, os amigos de mergulho e também o INEMA, que sempre dá apoio e divulga os materiais que ele manda.