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2º Enduro Koloniefest em Nova Hartz/RS 2008 - Ronésio Cascaes

O 2º Enduro Koloniefest em Nova Hartz/RS aconteceu no dia 05 de julho de 2008, e foi válido pela 5ª Etapa do Campeonato Metropolitano. Confira o relato de Ronésio Cascaes.

O Campeonato Metropolitano está ficando cada vez melhor e mais divertido. Tenho me esforçado para não perder uma prova e neste fim de semana em Nova Hartz não poderia ser diferente. Desta vez, tive que ir sozinho, pois o meu monstrinho, parceiro e sobrinho Márcio Cascaes tinha compromissos escolares e não pode participar da prova. Fiquei na obrigação de fazer bonito para levar o sobrenome à classificação e não decepcionei.

Fui de carro e reboque, deixando o caminhão do patrocinador Pavioli na garagem. Cheguei cedo em Nova Hartz, no Pavilhão Evangélico, junto com o Marcos Lazzaretti e o pessoal da organização. Procuro chegar cedo para já estar pronto quando os demais pilotos começarem a chegar, pois dessa forma posso  colaborar com o Inema, registrando o máximo possível antes da largada, para depois enviar para o portal.

O dia ensolarado estava perfeito para a prática de enduro. As chuvas que caíram durante a semana, apontavam para uma prova com elevado grau de dificuldade devido as trilhas molhadas, que a organização definiu média de chuva para todos os competidores.

Seguimos do Pavilhão Evangélico para a frente da Prefeitura e da Koloniefest para a largada oficial. As planilhas estavam bem feitas, com desenhos e números grandes e fortes, todas as referências calculadas no mesmo padrão de planilha das provas anteriores.

A prova foi um conjunto de trilhas inéditas, com apenas duas conhecidas. Levei junto, de reboque, dois parceiros que estavam com problemas nos equipamentos de navegação, o 37 (Gabriel Mosmann) e o 38 (Marcelo Freitas) que se revelariam ótimos parceiros de prova, sempre prontos para ajudar, não só a mim, como os demais competidores, mostrando o verdadeiro espírito do enduro.

Comecei a primeira subida bastante embarrada e logo a moto começou a dançar no barro. Não me assustei, levantei nas pedaleiras e dei no bucho da Rafinha (nome carinhoso da minha CRF-230). A bichinha respondeu e foi subindo morro acima comigo rebolando para estabilizar e venci com facilidade o primeiro confronto com a mãe natureza, me mantendo no tempo da prova.

Na seqüência veio uma subida mais longa e lisa e procurei repetir a dose. A Rafinha respondia: "- Manda que eu faço -" e lá se fomos morro acima, deslizando no barro e passando por alguns pilotos menos afortunados que ficaram atravessados no caminho.

Cheguei a passar adiantado no primeiro PC, me surpreendendo com o meu desempenho. Pensei com os meus botões: Hoje estou com a mão. Esta prova promete!

Meus parceiros que estavam logo atrás de mim também levaram um adianto, mas nem ligaram, pois também estavam curtindo a prova. Apesar do barro e das trilhas lisas estávamos andando no tempo. Eu procurava andar uns 10-15 segundos adiantados para no caso de queda ou erro, eu não perder muito tempo. Esse foi um erro que vou ter que corrigir para as próximas provas, pois praticamente não errei e não cai, e levei adianto em 4 PCs. Mas não dá nada, calcinha floreada que eu ainda sou “novo” e aprendo.

Passamos por trilhas bem fechadas, onde o guidão passava raspando nas árvores e dava para ver as marcas dos pilotos mais afoitos. Depois, passamos por um pontilhão e aceleramos numa trilha aberta e subir onde a planilha dizia para ir pelo meio. Não foi má vontade da nossa parte, mas era impossível seguir pelo meio sem cair na cava da direita ou da esquerda.

O Gabriel tentou pela direita e trancou e acabei trancando também. Imediatamente, desci da moto e fui ajudá-lo a subir. Ele subiu e retornou para me ajudar. Neste momento o Hugo Zimmer tentou pela esquerda, trancou e para sua infelicidade, caiu sua corrente e ele ficou trancado e trancando a galera que veio atrás. Subi com a minha moto, ajudado pelo Gabriel e saquei minha fiel corda para ajudar o Marcelo Freitas, que também trancou.

É uma pena que nestes entreveros, alguns pilotos não respeitam os que chegaram primeiro, passando por cima do que está trancado, muitas vezes sem medir as conseqüências. Já, outros, malandros, pedem para serem ajudados e tão logo ficam livres da tranqueira se vão trilha afora sem olhar para trás ou parar para ajudar quem lhe estendeu a mão.

Felizmente, estes pilotos são uma minoria, que ainda não aprenderam que vencer a qualquer custo não é uma vitória e sim uma derrota. Uma derrota da parceria, do companheirismo e da camaradagem.

Ajudamos o Marcelo Freitas e voltamos os três para ajudar o Hugo, que a esta altura já tinha soltado a corrente, pois quem corre com dois irmãos nunca está sozinho. Deixei minha corda com eles e seguimos a prova, andando mais que o possível, pois estávamos dez minutos atrasados. O pau comeu no estradão.

Os guris vinham grudados na minha traseira e felizmente não tinha PC até o  neutrão em Padre Eterno (nas divisas de Gramado, Nova Hartz e Sta Maria do Herval).

Depois veio a parte mais show. Começou com duas trilhas longas nas acácias, a segunda era uma graminha roçada e lá em cima, um neutrinho para ver Sapiranga do alto.

Como tudo que sobe, a prova seguiu descendo no Morro Ferrabrás. E como descia. As descidas lisas foram um desafio a parte para a habilidade dos pilotos. Eu estava muito a vontade com a Rafinha obedecendo ao meu comando, numa verdadeira simbiose homem/máquina.

Em algumas descidas eu cortava o motor e ia com as duas rodas e as duas pernas travando, numa vã tentativa de segurar morro abaixo. Já, em outras, eu ousava mais, descendo praticamente sem frear, e me equilibrando para não cair. Numa destas, a Rafinha embalou muito e tinha um cotovelo na descida que não deu para fazer e comprei o meu primeiro pedacinho de terra da prova.

Neste trecho, a organização, sensatamente, retirou um trecho mais pesado, devido ao estado da trilha com as chuvas, onde os pilotos correriam mais riscos, mostrando o quanto flexível tem que ser o organizador da prova.

Depois veio a seqüência de quatro trilhões de tirar o fôlego. O Bugio era uma subida lisa, que nem sabão, que ainda estou me perguntado como eu consegui subir sem cair e sem trancar. Tinha lugares onde nós passávamos a cerca de vinte centímetros da beirada. Uma escorregada e íamos ter trabalho extra pela frente para buscar a moto.

Meus parceiros também passaram ilesos. Veio a do Xuxú, Túnel Verde e a mais fechada e comprida, a da Pedra, onde eu fiz a famosa pergunta de arrependimento: O que eu estou fazendo aqui que não fiquei na minha cama quentinha?

Mas, depois que se está na trilha não tem jeito. O negócio é ir em frente se ajudando mutuamente para vencer a mãe natureza. Nesta trilha o pessoal das categorias A1, A2 e C pagaram os pecados, devido a grande dificuldade de vencer a trilha.

Fui bem até um trecho. Depois, simplesmente a trilha sumiu. Quem vinha pela beira do morro não achava aderência e escorregava para baixo. Quando cheguei tinha uma KTM quatro metros abaixo tentando voltar. Deitei a moto no chão e fui ajudá-lo a subir. O Gabriel e o Marcelo também foram ajudar os demais pilotos. Tinha uma valeta com pedra que só embalando para passar. Mas como você embala a moto se na hora de acelerar ela desce morro abaixo?

O negócio foi os pilotos meterem a mão na massa para se ajudar. Colocamos uns troncos de árvores caídas para ajudar a segurar as motos e com dois apoiando para a moto para não escorregar, o piloto da vez ia acelerando devagarinho, fora da moto até passar o obstáculo.

Desta maneira passamos os da minha frente e o Gabriel e o Marcelo e depois eu. Quando eu achava que tinha me livrado dos problemas veio o trecho com raízes. Os meus parceiros embalaram e foram embora e eu fiquei literamente num mato sem cachorro e sem os meus parceiros. Parecia filme de horror, onde a mãe natureza revoltada com a perda do seu sossêgo, estendeu todas as raízes que existiam para me atrapalhar. Tinha uma grandona que o Ovideo Zimmer passou e ficou esperando para recuperar o fôlego, pois já não tinha mais forças. Eu dei graças a Deus por ele parar porque eu também já estava na capa da gaita.

Quando ele se recuperou, andou um pouco e voltou para me ajudar, pois para variar, eu tranquei. Ele foi embora e eu tentei seguir sozinho. Mas, as pernas e os braços não obedeciam ao comando do cérebro. Como todo o corpo se recusava a obececer, lá me fui o para o chão, com a moto ficando caída na beirada da trilha e eu desci rolando uns quatro metros morro abaixo.

Sem chance de levantar a moto sozinho, esperei por ajuda, que veio logo, nem sei de quem. Mas foi o tempo de andar um pouquinho para logo cair de novo. Novamente, outro parceiro me ajudou e desta vez resolvi encostar no “acostamento” para me recuperar. Depois de um tempo, parcialmente recuperado, segui o meu calvário carregando a moto como dava até que cheguei junto ao Ovideo.

O pobre coitado estava chamando o ugo e não era o seu irmão Hugo Zimmer. Ele passou mal com todo o esforço, chegando a por os bofes para fora. Parei para ajudá-lo. Ajudei a tirar a jaqueta, dei-lhe água e uma barra de cereal para aumentar a glicose e fiquei abanando para aliviar o mal estar. Nisso chegou o Davi Zimmer para ajudar. Ficamos todos recuperando as forças para seguirmos adiante.

Nesta altura da prova, chegou o Lazzaretti dizendo para o pessoal se ajudar que não teria mais PC a partir dali. O pessoal se ajudou e conseguiram sair desta, que eu considero umas das piores trilhas que já fiz.

Quando sai no estradão, vinha convicto que esta seria minha última prova, mas a medida que vai se recuperando o fôlego e as forças, você vai novamente mudando de idéia e se perguntando quando será a próxima.

Na chegada, o pessoal teve um ótimo almoço, para compensar todo o desgaste físico da prova. No final, todo o esforço compensou. Fiquei num honroso 4º lugar, apesar de toda a tranqueira e recebi meu troféu das mãos do Vice Prefeito José Jadir Aléssio da Silva.

Fica aqui o nosso agradecimento ao pessoal da organização, à Prefeitura de Nova Hartz, Secretarias envolvidas e à Brigada Militar, pelo apoio que é tão importante neste tipo de evento.
  
Claro que não podemos deixar de mencionar os proprietários de terras que nos permitiram passar nas suas propriedades. Teve um que, inclusive, trabalhou como PC junto com seu filho, mostrando que é perfeitamente compatível de divertir e deixar os pilotos se divertirem.
 
Um agradecimento especial aos parceiros Gabriel e Marcelo que foram leais e solidários nas horas difíceis da trilha.
 
Fica aqui a minha homenagem a todos os pilotos que abriram mão da prova em algum momento, para ajudar algum piloto em apuros, mostrando que o verdadeiro espírito do trilheiro está em ajudar a quem precisa e o resultado da prova é uma mera conseqüência da diversão.
         
A todos os pilotos participantes o nosso agradecimento e aproveitamos para lembrar para se prepararem para a próxima prova.
  
Um abraço e até lá.
 
Ronésio Cascaes
ronesio@superig.com.br

 

Fonte: Ronésio da Silva Cascaes
Cidade: Canoas-RS-Brasil
Fotos: Ronésio da Silva Cascaes
Publicado: Fernanda Cristina Gonzales Ferreira
Date: 05/07/2008 <%insert_data_here%>

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