O bus veio nos buscar no hotel as 08h00min. Encontramos a Tati e o Cleverson, estes que viajaram no trem da morte conosco, mas em Santa Cruz resolveram pegar avião pra La Paz e agora nos acompanhariam até Cusco.
Na própria agência você trata o local de embarque, qual hotel e onde te buscar. O bus era bom, um microônibus. Ouvimos relatos de pessoas que disseram que era horrível com mil e um defeitos, mas confesso que esperava um "caco véio", um "caminhão de bóia-fria". Estava preparado pra uma "bomba". Não vi nada demais! No começo as paisagens não são exuberantes, mas depois de umas duas horas de viagem já começamos a avistar o famoso lago Titicaca (Puma de Pedra).
As paisagens compensam qualquer falta de ar ou desconforto. Logo chegamos às balsas, onde temos que descer e pegar uma lancha pra atravessarmos e seguimos em frente. Cada vez mais as paisagens se mostram incríveis. Céu azul, nuvens brancas, sol forte, vento e ar frio, lago azulado e montanhas nevadas ao longe.
Era meio dia e estávamos em Copacabana. Cidadezinha simpática, cheia de mochileiros e turistas de todo mundo. Quando nos unimos, as meninas foram ver o hotel, os guris foram ver uma agência de turismo pra negociarmos os passeios e quem estava mal ficou guardando a mochila de todos, que foi o meu caso e do Filipe.
O Leon e o Marcelo fecharam um baita negocio: 150 bolivianos e o pacote nos levaria até Cusco. Daria certo, iríamos a Ilha do Sol, depois transporte a Puno, Ilhas Flutuantes de Uros e transporte à Cusco pela Trans Peru, um excepcional ônibus. Só tinha televisão com um emocionante filme américo-espânico.
Bom, as meninas foram ver o hotel. Excelente também. Mas logo as 13h30min já sairia o barco para a Ilha do Sol. Alguns tiveram que sacar dinheiro, outros foram ver a igreja e eu preferi comer. Na avenida em direção a igreja, avistei o SNACK 6 DE AGOSTO. Já tinha lido e visto varias recomendações sobre ele, pena que eu estava com notas grande de bolivianos e algumas moedas de reais, pois o mini-garçon merecia uma boa gorjeta. Que lugar bom, barato, organizado e de bom atendimento. Dei um real e cinqüenta de moeda para o garçom. Ele ficou meio sem jeito, mas aceitou. Pedi uma porção com truta. Deu o suficiente pra dividir com a Adriane, e ainda sobrou.
Logo pegamos o barco, entramos em cima do laço. A viagem durou em torno de 01h30min até a Ilha do Sol.
Ilha do Sol - O caminho até a ilha é interessante. Navegar pelo lago Titicaca não é pra muitos. A temperatura ao sol era quente, mas o vento e o ar eram frios. No desembarcar você paga uma espécie de entrada. No local existem diversos meninos oferecendo hostels, aí você pode barganhar e escolher. No nosso caso, o Marcelo trocou uma idéia com um morador que nos guiou até o hostel de sua família e foi nos contanto um pouco da ilha e das escadarias que datavam de muitos anos a.C.
Bom, no pé da ilha estávamos a mais ou menos 4000 m acima do nível do mar e não imaginávamos que teríamos mais uns 400 m pra subir. As mochilas pesavam em torno de 10 ou 12 quilos e a cada passo que dávamos o sofrimento ia aumentando. Tivemos que parar diversas vezes pra descansar.
No caminho fui pensando se não tinha um meio menos sofrido pra subir aquilo. Então, quase no topo vejo que existem burros pra levar a bagagem. Que beleza! Quase no topo, sem pernas e fôlego, burritos pra nos levar. Que ironia! Aquela caminhada esgotou toda minha energia.
Pelo menos uma vez na vida o esforço "vale o prêmio". A vista lá de cima era monumental. Era simplesmente um "Monet" em cada direção que olhássemos. Conferimos o hostel. Era bom, custava 25 bolivianos por pessoa. Alguns quartos eram de casal e outros triplos, com banheiro compartilhado. Também não tínhamos escolha, pois já tínhamos sofrido bastante e não compensava pechinchar outro hostel.
O pessoal que estava com "gás", saiu pra fazer uma caminhada na ilha e visitar umas ruínas que existe por lá. Eu e Adriane já tínhamos esgotado a cota de energia do dia e resolvemos caminhar e tomar uns chás de coca e outra planta parecida com hortelã, muito boa por sinal. Queríamos comprar uns artesanatos, curtir o local e interagir, pois vale o sofrimento de subir tudo aquilo com certeza.
No entardecer caiu uma chuva que durou um bom tempo, o que tornou o lugar mais interessante, pois os raios de sol apareciam ao longe dando outra visão para aquele lugar. À noite jantamos num restaurante vizinho ao hostel, que é da própria família dona do hostel.
Conhecemos um francês que, acredito eu, viva somente pra viajar. Ele falava inglês fluente, coisa que me falta, e pouquíssimo espanhol. Mas no “embromeixon” saía algum entendimento. Até chegar a Lu que é professora de inglês e, tanto eu quanto ela, "alugamos" o cara, o que sanou algumas curiosidades sobre suas jornadas.
Perguntei quantos países ele conhece e ele me respondeu com outra pergunta: - Este ano? Dei risada e devolvi com outra pergunta: - Olha me diz no geral, mas quantos países conheceu este ano, por curiosidade? Adivinhem a resposta. Em 2007 ele já tinha conhecido seis países e no geral mais de 30.
Contou-nos que trabalhou por seis meses na Austrália de barman e resolveu vir pra América do sul entrando pelo Chile. Explicou-nos que na França tem uma espécie de pacote que você paga três mil dólares e tem direito a conhecer dez países ficando trinta dias em cada país, se você quiser. Não quis entrar em detalhes com ele, mas até ali eu já estava abismado, pois algum dia chego lá.
Neste tempo fomos jantando, comendo a famosa truta do Titicaca. Até nos retirarmos pra dormir. No meio da noite me deu uma enxaqueca violenta... Acho que era pressão alta ou algo do gênero.
Tomei uma aspirina que aliviou um pouco, mas acabou me tirando o sono, pois a preocupação foi grande. Mas consegui descansar até o amanhecer e tomar um susto: tinha esquecido a mochilinha de ataque com todo meu dinheiro no restaurante. Corri até lá e vi que estava caída atrás dos bancos em que estávamos sentados. Impressionante o apagão mental que me deu.
Recuperado do susto fomos tomar mais uns chás de coca com bolachas de chocolate que estávamos trazendo junto com as barrinhas de cereais desde o Brasil. Por volta das 10h00min o barco saía do cais. Arrumamos os trapos e descemos a ladeira. Outra aventura: a descida! Fui mascando as folinhas verdes de hortelã da ilha. Não lembro o nome, o fator psicológico. A sensação boa que me dava mesmo com todo o esforço foi interessante. Até tomarmos o rumo de volta a Copacabana. Chegamos meio dia passado e o bus para puno sairia a 13h00min horas.