Relatos da Expedição a Ponta de Pedras - em 26/07/08
Há tempos atrás (isso bem antes de eu aprender a andar de bicicleta), quando eu estudava em uma escola chamada Stela Maris, lá em Soure, me diziam que aquela cidade era uma ilha, e eu ficava me perguntando por que não afundava...
O tempo passou, eu vim para Belém, mudei de escola e eu ficava prestando atenção no mapa do Brasil, naquela “bolinha”, que fica bem em cima, me chamava muito atenção aquilo. Era uma coisa que saía completamente dos esquadros do mapa.
Um dia eu descobri que ali ficava Soure, e não só aquela cidade onde eu tinha me alfabetizado, mas sim outras 14 cidades irmãs. Hoje eu tenho um verdadeiro fascínio por esse arquipélago, e apesar de já ter morado lá, tudo é muito diferente para mim a cada vez que visito. A cada vez que eu vou, vejo uma nova retilínea marajoara.
Partindo desse princípio, tenho em mente pedalar nessas quinze cidades, uma a uma. Não precisa pressa, ainda tem tempo. Em quatro delas eu já pedalei. E das quatro a última foi em Ponta de Pedras. Tinha tempo que eu vinha adiando essa viagem, por motivos de agenda e uma oportunidade concreta.
Na terça-feira quando fomos comprar as passagens nas Docas do Pará (eu e O Edson Nhonhoco), tomamos um susto, pois não tinha mais passagens para embarque naquele porto. Partimos na mesma hora para o porto do Araparí, em vão também. Foi frustrante e já estávamos tristes quando alguém que estava por ali nos deu a dica do porto Brilhante, fomos bater lá e encontramos o local de venda fechado, já que era horário de almoço.
Eu e o Edson ficamos combinados de que ele iria comprar as passagens logo depois do almoço. Fiquei tranqüilo e voltei para o trabalho. Entre véspera aconteceram algumas baixas, como a do Ivan Lopes, que estava certo de ir, mas mais uma vez por causa do joelho, ficou impossibilitado (fez falta Ivan), a Sildene e o Sr. Edilson, pai do Ivan Lopes.
Sobre as pesquisas eu não encontrei quase nada na internet, a não ser algumas fotos da Praia da Mangabeira e outra da entrada da cidade. O site oficial até achei o link, mas não existe faz tempo. Fui obrigado a recorrer a um site de relacionamento, a verdade é que eu sempre recorro quando não acho nada oficial ao navegar por aí.
Dentre as muitas comunidades que achei, a maioria entrou em contato dando dicas. Mas a mais concreta mesmo foi a do Alberto Tavares, filho daquela cidade. Falei várias vezes por telefone com ele, ele se propôs a ajudar no alojamento e com dicas de onde ir. É em termos de trakclog para o GPS eu fui zerado, porque realmente até as fotos de satélite tem uma grande nuvem bem em cima da cidade, impossibilitando de não ver nada.
Contatos feitos, galera animada, incluindo o meu grande amigo Licurgo vindo de Brasília.
E lá fomos nós...
Na véspera eu já tinha combinado com o Licurgo de passar na casa dele, eu pernoitei na casa da minha tia, que mora na av. Nazaré, e era um pé na roda para a sua casa. Acordei por volta das 05h20min e o combinado era as 06h30min. Cheguei até um pouco antes, e esperei um pouco na portaria. Não demorou muito ele desceu e partimos para o porto Brilhante, que fica ali na Cidade Velha, bem ao lado do Palmeraço.
Chegamos ao porto por volta de 06h50min, e fomos os primeiros a chegar. Logo depois chegou o Cláudio Bessa estreante em expedição com a EART, mas sempre que pode participa das trilhas quinzenais e dos passeios noturnos, em fim, já é de casa. Já eram por volta de 07h20min e o meu celular tocou, era o trio Fabio Cunha, Dani e Neide, pedindo detalhes sobre a localização do porto. Mas foi só falar em Palmeraço que eles lembraram onde era...
Deu 07h30min, 07h35min e 07:40h e nada do Edson Nhonhoco chegar, eu já estava meio inquieto, porque ele tinha nada mais nada mesmo que cinco passagens em mãos. Liguei e chamava, chamava e ninguém atendia. Logo depois ele ligou, ufa! Que alívio. Atendi e ele estava “desvaíndo-se” (depois ele explica), e que já estava chegando. Tripulação do barco já estava colocando pressão, quando surgiu o Nhonho por entre os trilhos.
O embarque das bikes foi bem rápido, colocaram todas no porão do barco, com muito cuidado. Depois de uma calorosa despedida: sim, a mãe Ádila estava por lá, e por pouco não embarca conosco... Faltou só um pouquinho!
A viagem transcorria naturalmente e o Alberto Tavares (foi a pessoa que ficou de nos ajudar), que me disse pelo telefone que iria no mesmo barco que nós, não estava lá. Eu comecei a montar um plano B, pois tínhamos que pernoitar em algum lugar. Após conhecer várias pessoas no barco não quis forçar a barra de chegar a pedir para armar as barracas no quintal de alguém, e resolvi esperar mais um pouco. Nesse interino de tempo lembrei que eu não tinha tomado café então tratei de verificar onde era a lanchonete do barco.
A baía do Arrozal era uma das que eu ainda não tinha navegado, já conhecia há tempos, mas só de nome mesmo. E por volta de 03h30min de uma boa viagem, avistamos a entrada da cidade.
E vejam, antes mesmo de aportarmos, a primeira impressão é que o povo gosta de um esporte radical: Corrida de Aventura Marajoara (o Fabio, Dani e Claudio já queiram se inscrever...).
Enfim, estamos novamente na maior ilha flúvio-marítima do mundo, mas dessa vez em Ponta de Pedras. Esperamos a maior parte das pessoas sair para o porão do barco ser aberto, nele tinha muita coisa além das nossas bikes. Bikes e nós em terra firme começamos a arrumar os detalhes.
Depois comecei a verificar as passagens de volta, e para a minha surpresa para todos que eu perguntava ou não tinha barco no domingo ou já estava esgotada. Eu só achava para as 02h00min e as 04h00min de segunda-feira, horário que era incompatível com os nossos trabalhos. De tanto procurar eu achei um barco chamado Lupi, que iria sair por volta de 12h00min do domingo, já me sentia mais aliviado.
Quando voltei ao encontro do grupo, ainda na entrada do trapiche, um rapaz se aproximou de nós e apresentou-se como a pessoa que estava a mando Alberto Tavares, e que estava ali a nossa disposição. Eu já fiquei mais aliviado, porque com um guia é bem mais rápido e prático de se conhecer as coisas:
- Tudo bom, meu nome é Aristeu e estou incumbido de ficar a disposição de vocês.
- Tudo bom, Aristeu. O Alberto me disse que iria arrumar um local para armarmos as barracas de camping, onde teria um local seguro para deixarmos as coisas.
- Sim, já está tudo providenciado, podemos ir que eu vou alojar vocês...
- Mas antes, Aristeu, gostaríamos de um local para fazermos uma oração. Sempre fazemos uma antes dos eventos. Mas vejo que a praça esta com uma poluição sonora muito grande. Terias algum outro local?
- Sim, vou providenciar, vamos lá...
Fomos conduzidos a catedral do município, e foram abertas as portas para nós.
Apesar de Soure, ser considerada a “capital” do Marajó, percebi que a influência marajoara é bem mais forte em Ponta de Pedras, quase tudo tem um toque refinado das linhas marajoara.
Bem, agora vamos para o pedal propriamente dito... O nosso destino do dia era visitar a praia da Mangabeira, que ficava uns 8 km do centro de Ponta de Pedras.