Depois de um pequeno tour pela cidade, chegamos a tão famosa e badalada praia da Mangabeira, é a mais famosa dessas bandas. De fato ela é bonita sim; o que nos incomodou lá foi a poluição sonora mais uma vez, dessa forma não tem como sentir a natureza. Por isso ela ainda não é a minha praia...
Depois de apreciar um pouco a paisagem da praia, nos deliciamos com peixe frito acompanhado de vinagrete, arroz a farofa (o feijão tinha acabado). Todos satisfeitos saímos pedalando pela praia, e cada vez que nos afastávamos, mais bonita ela ficava.
Mas a adrenalina foi tamanha que o Edson conseguiu quebrar os três martelos do cubo dele, isto é, não tinha mais tração na bike. Até encontrarmos uma oficina nos arredores, mas não tinha a chave certa para abrir o cubo. Tentamos fazer pegar na "manivela" (dando várias rodadas na transmissão), para ver se os martelos engatavam, mas não teve jeito. O jeito mesmo foi chamar um moto-táxi para levar o Nhonhoco até a cidade em tempo, de consertar e estar pronto para o pedal do outro dia. E assim foi feito.
Nós continuamos a trilhar os belos caminhos do lugar. Às vezes deixávamos o nosso guia para trás, e ele, com a sua buzina pontapedrense, nos alertava que tínhamos passado da entrada. Um minuto de silêncio: No entardecer do alvorecer: eu morro de saudades de ti...
Após muitos singletracks, chegamos à deserta e paradisíaca praia de São Pedro. Foi cogitada a idéia de pernoitarmos lá, mas por respeito à hospitalidade que nos foi dada, resolvemos dormir no Centro Cultural. Na verdade foi mais porque o Licurgo viu uma barata d'água e ficou com medo.
Retornando ao centro, todo mundo tomando banho para deliciar alguma coisa na praça. Antes mesmo de tomarmos banho já tínhamos ido lá marcar território, e encontramos um bom cardápio no hotel Reponta.
Após um bom churrasco, três pizzas, salgados e sucos, que infelizmente eu não fiz fotos, pois as minhas mãos estavam ocupadas. Retornamos para o alojamento, a fim de acordar cedo e aproveitar ao máximo possível o pouco e preciso tempo do domingo. Na dormida, pela primeira vez eu usei o meu saco-de-dormir, parecia que tinham ligado o ar-condicionado, pois era muito frio no 3º andar.
Nosso segundo dia em Ponta de Pedras, e o nosso guia já estava a postos. Falando nele, de maneira nenhuma eu posso deixar de agradecer a ele, o Aristeu, por todo o apoio e estrutura que nos foi dado. Pessoa que nos passou muita segurança em todos os momentos, dedicado nos dois dias. Pessoas como ele me alegra muito em conhecer, por saber que podemos contar sempre que possível. Quando perguntávamos para ele assim:
- Aristeu, aonde vamos agora?
- Se vocês me permitirem, vamos à praia Grande...
Sua bike é um caso a parte, ela é toda tunada, com acessórios super transados. Só para ter uma idéia, em cima da pintura tem uma espécie de cobertura plástica fluorescente, quando o carro foca, fica parecendo um vaga-lume. E os bar-and's, é no estilo bull's. Deixei um cartão meu com ele e peguei também o seus contatos. Antes de entramos na trilha, mais uma prova do da aptidão esportiva dos pontapedrenses. Essa é a Maior Maratona local.
Saindo da cidade já entramos na trilha... E que beleza de trilha, do jeito que todo biker gosta... Logo chegou a uma das partes que eu mais gosto em trilhas, a parte das pontes de palafita. Pense em pedalar por muitos açaizeiros, com um visual de mata impressionante.
Parecia que não tinha fim. Em certas partes o próprio chão tinha assoalho. Imaginem chegar à sua casa por um portão desses. Pois é, na casa de um dos compadres do Aristeu (nosso guia), é assim. Você pedala por uma extensa ponde por cima de mangues e igarapés e chega por esse portão. Na casa desse mesmo compadre do Aristeu, fomos presenteados com um saco de gergelim. Sempre tem nos pães de hamburgers.
Essa sim é a minha praia! Aqui podemos sentir a natureza na sua verdadeira essência. Podemos ouvir o barulho das ondas, do vento nos coqueiros e apreciar uma boa paisagem. A praia de São Pedro é bem deserta, rústica, sem nenhum morador na sua orla (dessa vez o Nhonhoco pôde conhecer).
É verdade! Pedalar por essas praias nos dá uma sensação de liberdade, paz, equilíbrio... A praia grande também é muito bonita, com pouca habitação em seu em torno, nos fez valer um bom banho. Na volta para a cidade, ainda pegamos um último singletracks no caminho para o sítio do pai do Aristeu. Na verdade foi muito pouco ramal, os single's de Ponta de Pedras deram show de pedal.
O tempo foi curto, é verdade, mas tínhamos que voltar para a cidade para confirmar as passagens. A nossa saída estava prevista para as 13h00min, juntamente com a galera que foi para a corrida. Eu não pude resistir e fiz a foto: algumas lembranças me afloraram nessa viagem, como por exemplo, os tempos que eu brincava em um desses (era o meu favorito), em Soure, na época áurea da exposição marajoara. Nessa época grandes fazendeiros de todo o Brasil se faziam presente naquele município.
Chegando ao comércio do Lupi, tudo confirmado, iríamos partir as 13h00min mesmo. Ainda dava tempo de comer alguma coisa no Reponta, então fomos pegar as bikes para logo embarcar no barco e depois comer alguma coisa. Chegando ao Reponta eu não quis comer muito, apenas uma fatia de nega-maluca (bem servida) e um suco de cacau. Deixei um espaço extra para dentro do barco...
Eu gostaria de agradecer algumas pessoas, como o Alberto Tavares, apesar de eu não tê-lo conhecido pessoalmente, nos prestou uma grande ajuda.
Também a prefeita de Ponta de Pedras, Sra. Consuelo Maria da Silva Castro, por ter nos cedido as dependências no Centro Cultural para pernoitarmos.
Ao nosso fiel guia Aristeu, mais uma vez obrigado.
A todos que participaram desse passeio:
Fabio Cunha e Dani: o casal EART, já estava na hora de aparecerem.
Cláudio Bessa: sempre será bem vindo em todos os eventos, mesmo caladão, és muito gente boa.
Neide: você está proibida de faltar nessas coisas, desde o Piriá que não aparecia. Mas da próxima vê se trás o Pant.
Edson: dessa vez não teve nenhum relato daqueles, mas a sua presença foi indispensável com seu carisma sincero e aparente. Você me surpreendeu e me emocionou naquele dia falando do seu sonho. Juridicamente você também é referência pra mim (juntamente com o Fernando Lima).
Licurgo vou colocar abaixo...
Essa figura eu conheci na trilha da Pirelli, e por incrível que pareça naquele momento pensei que nunca mais ia vê-lo. Naquele dia eu era o fecha-trilha, e adivinhem quem era o último, sim ele mesmo. Eu descia as ladeiras da Pirelli e ficava esperando lá em baixo. As duas primeiras ele desceu, na terceira fiquei esperando, e quando achei que estava demorando muito, voltei pra ver o que tinha acontecido. Quando cheguei à Alça ele já estava bem longe. Eu disse comigo mesmo: esse não volta mais, escolheu logo a Pirelli para iniciar...
Os tempos passaram e por incrível que pareça ele apareceu em muitas trilhas. Nossa amizade foi se fortalecendo a cada momento que passava, nas trilhas ou extra-trilha. Eu comecei a levantar algumas trilhas e postar alguns relatos, e ele sempre me ligava perguntando sobre detalhes, já queria saber a data etc.
Muitas aventuras aconteceram durante esses anos que nos conhecemos, e essa amizade perdura e se propaga a cada momento. Podes ter certeza que tens aqui comigo um amigo para todas as horas, para aqueles piores e melhores momentos você sempre terá um amigo para contar. É por isso que a cada dia que passa eu me apaixono cada vez mais por tudo isso, e hoje, também tirei daqui a minha paixão...
Apareça a qualquer dia, a qualquer hora, vamos estar sempre de braços abertos a te receber aqui na tua casa, no teu Pará!
Abraços.
Algumas críticas construtivas são sempre bem-vindas, por isso vou colocar o meu ponto de vista aqui:
Diante de um paraíso como esse, fica bem complicado chegar com o transporte que tem hoje disponível. As empresas por mais que tenham uma grande demanda, não disponibilizam mais passagens, quem comprou, comprou, quem não comprou não compra mais. Um certo conforto é fundamental para que o turista volte, estou cansado de escutar turistas falarem que não voltam mais ao Marajó por causa do transporte precário.
Para nós que gostamos de aventura isso nem é tão relevante, ou melhor, até é, por isso estou relatando aqui. Acho que os governantes têm que olhar com muito mais carinho esses problemas.
Mas vamos lá a volta...
Náufragos? Não, o comandando Lupi tinha nos avisado que esse barco não é de passageiros, e sim de carga, por isso não oferecia certo conforto. Mas foi bom demais ter vindo nele!